<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084</id><updated>2011-04-21T15:25:40.465-07:00</updated><title type='text'>Minicertezas</title><subtitle type='html'>Tá, era o único jeito de o Leandro escrever sobre ele mesmo e me deixar ler. Aí a curiosidade venceu a preguiça: topei montar o site.&lt;p&gt;

Na verdade, a internet foi o pretexto que encontrei para fazer a Paty publicar tudo o que pensa e só diz a quem tem o privilégio de ser seu melhor amigo – eu.&lt;p&gt;

Então fica assim, às segundas o Leandro revela os tais textos secretos.&lt;p&gt;

E, às quintas, a Paty comenta com você algo que ela já falou para mim.
</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>99</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-115032658356817885</id><published>2006-06-14T15:56:00.000-07:00</published><updated>2006-06-14T16:32:35.120-07:00</updated><title type='text'>Da minha conta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fiz o cálculo. Se eu viver até os 80 anos, o que pode ser considerado um bom índice de longevidade, já terei gasto (aproveitado? desperdiçado?) 32% da minha existência. Quase um terço, aos 26, veja só. E pensar que nem gosto de olhar as horas quando estou atrasado... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O pior é que nem sei bem o que espero dos 68% restantes: o que quero da vida está para xis. Mais assombrosa ainda é idéia de posso nem viver tudo isso. Ou posso viver mais, vai. Bem mais. Há alguns meses, li uma entrevista de um cientista gringo/maluco que afirmava: confirmados todos os avanços científicos em andamento, quem tem hoje menos de 60 anos poderia chegar aos mil. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Isso mesmo: mil anos de idade, numa mesma encarnação. Imagino eu que, durante esse milênio de longevidade, novos tratamentos ainda mais surpeendentes viriam à tona - seria a morte da morte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Mas, tá, ainda é cedo para acreditar no doutor eternidade aí. Pode ser que eu dê o braço a torcer no meu aniversário de 500 anos (desde que, claro, uma virtual artrite o permita). De volta à Terra, 80 anos são hoje uma estimativa razoável, otimista-realista. 80, então. Bem, 54 a partir daqui. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;O saldo é que, enquanto a gente se prepara, se decide, busca coragem... o tempo vai passando. Um dia você faz uma regrinha de três e, que susto, já se foram 32%. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Até aqui, sendo otimista-realista, eu só fiz uns 10% das coisas bacanas que pretendia. Estou com déficit de vida. De 22%. Matemática é uma ciência desumana... Mas e você: se 80 anos é tudo o que vai viver, o que se passou até agora está para quanto? Desculpa perguntar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-115032658356817885?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/115032658356817885/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=115032658356817885' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/115032658356817885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/115032658356817885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/06/da-minha-conta.html' title='Da minha conta'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114825400804155095</id><published>2006-05-21T16:23:00.000-07:00</published><updated>2006-05-22T16:11:07.396-07:00</updated><title type='text'>Crimes do tédio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A primeira vez que soube sobre o boato foi justo ao ler, na internet, uma matéria que o desmentia. O texto da jornalista alertava o leitor para que não se deixasse assustar por e-mails urgentes, com seus pontos de exclamação e suas ordens em caixa alta para que fôssemos todos para casa. O crime organizado havia instaurado um toque de recolher à luz do dia. Hum-rum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que li a reprodução do boato ligeiramente desapontado com a impossibilidade de acreditar. O texto era ruim. Mas não um ruim contextual, um ruim que dissimulasse pressa e medo, como convinha. Era um ruim exagerado, apelativo, desses que não escondem direito o desejo de manipular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tolo fui eu. Que menosprezei o desejo coletivo de se deixar enganar. Era segunda-feira à tarde, poxa. Todo mundo queria colaborar... E, assim, o tédio organizado cancelou os expedientes, interrompeu tudo que havia de inadiável e entupiu as ruas de carros. Diziam que era medo. Eu, que ainda não aprendi a brincar de adulto, nem me dei ao trabalho de me assustar. Sabe que até pensei em ir ao cinema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que seria alienação demais. Em minha defesa, preciso dizer que os noticiários e a ficção banalizaram as catástrofes. Era segunda-feira à tarde e, ah, um cineminha cairia tão bem. Quando teríamos essa oportunidade outra vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não tive coragem de assumir meu hedonismo infanto-juvenil em plena guerra civil (naquela altura, todo exagero era permitido) e decidi que seria socialmente mais aceitável locar um filme, o que poderia ser feito com discrição. No mais, os cinemas também fechariam logo-logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos, eu compraria beirutes! Eu e meus mecanismos de autocompensação... De matar a fome eu tinha direito, certo? Só que, pertinho de casa, desisti também de passar na locadora. Foi acometido por aquela vergonha que de vez em quando a gente sente do que a gente mesmo vai pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo imune ao pânico, achando aquela intensidade revigorante, não dava para ignorar o fato de que o pretexto daquilo tudo era sério e triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciência inútil: fui agraciado com um telejornal que era um filme de ação dos bons. Vi comendo beirute. Não me julgue: era uma forma de estocar calorias, vai. E a cidade inteira era minha cúmplice. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Presos rebelados podem ser muito perigosos; o tédio, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114825400804155095?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114825400804155095/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114825400804155095' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114825400804155095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114825400804155095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/05/crimes-do-tdio.html' title='Crimes do tédio'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114662486622346447</id><published>2006-05-02T19:52:00.000-07:00</published><updated>2006-05-02T19:54:26.233-07:00</updated><title type='text'>O tempo certo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Começou com uma dorzinha que ficou pior e me fez ficar no hospital uma tarde inteira. Duas vezes. Diagnóstico: gastrite nervosa. O médico disse que era de fundo emocional e, aí, mencionou a palavrinha mágica: ansiedade. Até então meus dias estavam uma loucura, cheios de prazos apertados no trabalho, textos da faculdade por ler, dúvidas de alunos para pesquisar, tudo acumulado na agenda - e na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que passei a olhar de perto os pequenos detalhes do dia-a-dia. No ônibus, sofro porque o relógio corre contra mim. Na rua, os passos são quase uma marcha atlética. Escovo os dentes andando pela casa, ao mesmo tempo em que arrumo as almofadas do sofá ou dou uma olhada nos e-mails. Faço uma coisa já pensando na seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre ele, o tempo, que corre mais do que a gente. As horas ameaçam faltar, prometem uma catástrofe todos os dias, mas no final ela nunca acontece. Parece mágica. Ufa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando se os compromissos nos provocam ansiedade ou se nós é que damos às tarefas uma aura de aflição. Naquela tarde que passei no hospital, ignorei todos os prazos do trabalho, não entreguei nada. Também faltei a aula em que decidiríamos os grupos de seminário. E para tudo eu dei um jeito depois. Se é assim, por que nos preocupamos tanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece bobo, mas o que fazemos desse jeito, aflitos pela pressão do tempo, são pedacinhos de morte. Lapsos - duradouros às vezes - em que perdemos a perspectiva de que se está vivendo enquanto o dia passa. Desvinculamos essas horas de nossa própria existência, paramos de sentir o que acontece em cada minuto e encaramos tudo como tarefas a cumprir para depois ficar livre. E vivemos dos minutinhos que sobram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesta lista de obrigações diárias, transformamos o que nos dá prazer em mais um item a ser cumprido. Costumo ler os textos da faculdade em no máximo uma hora. Bem rapidinho antes de sair de casa. Um professor comentou que conhece uma pessoa que passou os últimos 14 anos lendo um único parágrafo. Ela tem mais tempo livre? Não. Só esqueceu essa história de tempo: esse tempo que a gente economiza ou gasta, que passa rápido ou demora a passar, esse tempo inventado pelo relógio. Adaptou-se como pôde, resistiu e aprendeu a viver sem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, ainda não dá. Mas vou por partes. Meus dias continuam apertados, cheios de prazos e trabalhos, mas, a partir de agora, eles se acumulam só na agenda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114662486622346447?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114662486622346447/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114662486622346447' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114662486622346447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114662486622346447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/05/o-tempo-certo.html' title='O tempo certo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114584877622952580</id><published>2006-04-23T20:17:00.000-07:00</published><updated>2006-04-23T20:28:03.126-07:00</updated><title type='text'>Por fazer</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A minha barba rala já havia completado seu segundo milímetro quando começou o feriado prolongado. Justo quando a última limpeza do apartamento fazia seu aniversário semanal. No blog, uma crônica antiga ostentava os mesmos dois comentários há uns quinze dias. O passado e o seu rastro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu guarda-roupa, havia uma pilha de camisetas deixadas para depois. Depois variados. Lavo depois, passo depois, dôo aos mais pobres depois, penduro no cabide depois. Armários e dispensas são o inconsciente do lar – quando acha que está “sem tempo”, a gente põe o entulho para dentro e fecha porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semana terminou, mais curta, deixando suas pendências - móveis empoeirados e barba por fazer. E eu me tranquei do lado de fora, como se não fosse comigo. Mas era. O desleixo é uma liberdade precária, corroída devagarinho pelo desânimo. Fui me cansando do cansaço, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feriados prolongados nos destituem da velha desculpa de não ter tempo. Porque não ter tempo é um eufemismo para não ter saco. Na maior parte do tempo, vai. Bem, eu fiz a barba – e não é que fico melhor mesmo de cara lisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrumei o guarda-roupa, lavei a louça, passei uma vassoura no chão. Aí, com a casa arrumada e limpa, a gente resolveu convidar os amigos. No dia seguinte, fomos ao parque. Eu até andei de patins!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, cá estou. Escrevendo a crônica, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a minha teoria é que pequenos cuidados fazem diferença. A gente começa a ser feliz lavando a louça. Vou tentar me lembrar disso de manhã, quando, na correria do atraso sonolento, eu cogitar deixar para fazer a barba só no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114584877622952580?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114584877622952580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114584877622952580' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114584877622952580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114584877622952580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/04/por-fazer.html' title='Por fazer'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114470934441947823</id><published>2006-04-10T15:46:00.000-07:00</published><updated>2006-04-10T16:39:12.786-07:00</updated><title type='text'>Temas para a vida</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Cada um tem seu acervo pessoal de temas. Causas. É preciso alguma intimidade com alguém para se conhecer suas grandes questões. Ou pequenas, importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus temas de cabeceira, todos, já renderam crônicas. Por isso, quando me flagro sem idéias para textos, estou, ao mesmo tempo, sem grandes causas (ou pequenas, razoáveis) para a vida. Inéditas, ao menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis os meus teminhas de sempre: a ditadura do trabalho, o ócio criativo e afins; o mito do amor romântico, autonomia emocional e afins; desafios do convívio social, a tirania da maioria e afins; entrelinhas comportamentais, padrões psicológicos, mecanismos de compensação e afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, esgotei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 'afins' são ótimos para falar mais ou menos a mesma coisa sem me sentir tão repetitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ah, claro, um dos temas mais recorrentes dos meus textos acaba sendo... a minha vida. Bem, não chega a ser um tema (embora seja uma causa - uma boa causa, vai), mas um meio de se falar sobre os meus assuntinhos. Uma deixa. Isso, cronicamente, a minha vida é uma deixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As teses de cada um são um meio de contato com o mundo e com o outro. Chamamos uma causa em comum de afinidade - ainda que seja apertar o tubo de creme dental por baixo. Só que, quanto mais importante a tese compartilhada, maior a identificação. Eu votei contra a posse de armas no plebiscito, e você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobagem se exaltar: algumas discordâncias são perecíveis. É uma delícia quando nos identificamos com um tema que até então não era nosso. Nada mais sedutor que um bom argumento - você expande seu acervo de causas, se renova e estabelece uma nova sintonia com alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor que isso só quando é você o 'transmissor' da tese. Contato estabelecido ativamente. Por isso, tanta gente fica obcecada em provar que está certa. Rota de fuga da solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ansiedade só atrapalha. Se a identificação não é espontânea, besteira falar mais alto. Só restam duas estratégias, bem mais interessantes até: a persuasão e a conquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114470934441947823?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114470934441947823/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114470934441947823' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114470934441947823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114470934441947823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/04/temas-para-vida.html' title='Temas para a vida'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114384406991580075</id><published>2006-03-31T14:26:00.000-08:00</published><updated>2006-03-31T14:42:16.163-08:00</updated><title type='text'>Pequenas causas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os parisienses protestavam contra a publicidade no metrô. Passeata, faixas, gritos de combate, tal como nos manifestamos aqui por aumento de salário ou contra a corrupção. Fiquei com um sentimento dúbio, de admiração e revolta. Puxa, que sociedade sofisticada. Sem grandes tragédias sociais, resta brigar contra sutilezas de imperfeição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Sim, a vida pode ficar melhor sem os cartazes do McDonald's. É mesmo lindo o minimalismo das paredes nuas. Especialmente no metrô, roteiro de ida e volta de todos os dias. Poluição visual é poluição do cotidiano. Da vida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Mas, ei, e o resto do mundo? Que tal uma manifestação contra o trabalho infantil na América do Sul? A mutilação feminina na África. Ora, o metrô de Paris é um dos melhores do mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Há de se estabelecer prioridades. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Por outro lado, oui, eu apoio o direito de se protestar por pequenas causas. O detalhe pode comprometer o todo, repare. Que fique registrado, por exemplo, o meu protesto contra pessoas que fumam na escada rolante. Horrível. O resto do refrigerante que não enche um copo. Protesto contra o sinal de telefone ocupado. E também contra quem inadvertidamente me telefona quando eu estou ocupado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Convoco as pessoas para irem às ruas, caminhando e cantando, contra a rinite. Os plantões de fim de semana. O ônibus que demora a passar. Contra os créditos do celular que acabam antes que se ouça o recado. Protesto contra as diferenças culturais dos dois ou três beijinhos - fico confuso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O gelo seco: quem inventou que é bacana? Chegar uma hora antes do embarque, tenho mais o que fazer. Protesto contra entrar à noite no hotel e a diária vencer ao meio-dia. Contra o controle remoto do vídeo que muda o canal da tevê. Protesto! Legendas brancas, que somem sempre que há uma parede clara nos cenário. Derrr.. Ninguém pensou nisso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pensando melhor, nada de sentimentos dúbios. Os parisienses são geniais. Para eles, meus sinceros votos de paz, amor e fita adesiva que não descola. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:arial;" &gt; Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: arial;" href="mailto:leandroq@gmail.com" target="_blank" onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114384406991580075?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114384406991580075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114384406991580075' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114384406991580075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114384406991580075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/03/pequenas-causas.html' title='Pequenas causas'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114237217158922691</id><published>2006-03-14T13:34:00.000-08:00</published><updated>2006-03-14T13:40:45.696-08:00</updated><title type='text'>Piloto problemático</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Era como se meu corpo já conhecesse todos os caminhos e fizesse tudo sozinho, sem mim. O corpo ia para o trabalho mais ou menos ao meio-dia e ficava lá até começar o Jornal Nacional. Piloto automático é quase a mesma coisa que piloto ausente, não? Pois é, eu era o piloto automático, ausente, piloto nenhum. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O corpo cuidava do trajeto, solitário. Eu o atrasava com meus dramas vez ou outra, mas, na maior parte do tempo, ele seguia pontual e independente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu estava cansado da rotina. Cansado de ser piloto nenhum de um corpo atarefado. Até que, de repente, me demitiram. O corpo, coitado, ficou sem saber para onde ir. Eu ensaiei alguma solidariedade, mas ri por dentro. E por fora, usando-o, feliz por assumir o controle. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; A partir de então, ele me levaria aonde eu quisesse. Nada de itinerários habituais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Decidi que trabalharia em casa, mesmo que o corpo às vezes teimasse em seguir em direção à porta. Tudo bem, porque o novo estilo de vida requeria mesmo uma série de iniciativas, contatos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; E lá fomos, o corpo e eu, fazer tudo o que era necessário. Enquanto corríamos de um lado para o outro, checávamos e-mail compulsivamente, escutávamos campainhas telefônicas imaginárias, que surpresa - tudo o que eu queria era saber logo se nosso empenho daria certo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Tá, eu queria uma rotina. Uma vida para chamar de minha. Um mínimo de previsibilidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Aos poucos, isso começou a acontecer. Trabalho depois de trabalho, como se tivessem sido encadeados seqüencialmente. Que bom para a contabilidade. Enfim, uma rotina. No melhor sentido da palavra (existe um!). Eu acordava e sabia o que tinha de fazer. Sem ser levado nem ter de inventar destinos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Até que surgiu uma proposta de trabalho fixo... E cá estou novamente sem saber como a minha vida vai ser. Em algumas semanas, as coisas se organizam, eu sei, mas como eu organizo os meus pensamentos até lá? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Difícil aceitar pendências quando se tem pressa de viver para valer. Como se houvesse um "de vez". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; A rotina é a morada da existência. Um lar para descansar a alma e a atenção. Eu me sinto desabrigado agora. Percebi que sou um nômade esporádico. Estrategista. Por hora, quero pegar carona no meu corpo, só mais um pouquinho, outra vez. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114237217158922691?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114237217158922691/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114237217158922691' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114237217158922691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114237217158922691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/03/piloto-problemtico.html' title='Piloto problemático'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114075331141714946</id><published>2006-02-23T19:51:00.000-08:00</published><updated>2006-02-23T19:55:11.430-08:00</updated><title type='text'>Sem pensar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De malas prontas para passar o feriado em Boa Esperança, uma cidadezinha no interior de Minas, comecei a pensar em outros carnavais que passei por lá. E foram muitos. Meus avós nasceram na cidade e, quando pequena, a família inteira aproveitava qualquer folguinha para ir a &lt;i&gt;Good Hope&lt;/i&gt;, como apelidou um tio. Hoje, as raízes são apenas um pretexto, os parentes próximos não existem mais, mas continuamos indo, puro hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E grande parte de nossos dias vivemos assim, levados por hábito. Às vezes é bom, como ir a Boa Esperança. Mas, fazendo as malas para uma viagem que escolhi, parei para pensar nas situações embaraçosas que já vivi por seguir a escolha dos outros. Uma delas foi no Carnaval - adivinhem onde? Pois é. Toda a família em Boa Esperança, festa na rua, e um dos pais (deve ter sido minha mãe) teve a genial idéia de fazer um bloco das primas. Virei Jane, com direito a presilha de osso no cabelo e vestido rajado à la Pedrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem se eu gostasse, mas sempre odiei Carnaval e aqueles adereços todos. Mas, como todo mundo ia, acabei achando que o normal era ir. É difícil ir contra o fluxo. Que atire a primeira pedra a mulher que gosta de andar de salto alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos coagidos na maior parte do tempo. Quase sempre agimos do mesmo modo como se comporta a maioria e, pasmem, nem percebemos isso. Comecei a fazer uma listinha de situações assim e a página se encheu em um instante. Por exemplo, não gosto dessa coisa ‘mulherzinha’ de ir ao banheiro em dupla - ou em bando. Se uma vai, logo chama a outra. E, quando essa outra sou eu, ai, ai, ai...Que graça pode existir em ficar parada entre torneiras e pias esperando alguém fazer xixi? Mas eu vou, todo mundo sempre vai, não seria eu a antipática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era criança, todas as minhas amigas gostavam de um grupo chamado Dominó. Eu achava aqueles garotos tão bobos! E elas tinham discos, pôsteres, sabiam tudo sobre eles. Era uma febre. E não é que com o tempo eu fui me acostumando. Era isso ou não participar das conversas. E assim somos levados pelas pequenas multidões de nosso convívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo me veio à cabeça porque em Boa Esperança, bem no centro da cidade, tem um lago enorme, uma delícia para nadar. Só que passei a adolescência inteira sem molhar nem um dedinho nele. É que as pessoas de lá costumam dizer que nadar no lago é uma breguice sem tamanho, “coisa de pobre”. Estou ansiosa para quebrar esse hábito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Patrícia Pereira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114075331141714946?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114075331141714946/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114075331141714946' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114075331141714946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114075331141714946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/sem-pensar.html' title='Sem pensar'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114053235415906232</id><published>2006-02-21T06:30:00.000-08:00</published><updated>2006-02-21T06:47:30.763-08:00</updated><title type='text'>Recomeços</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fiz uma matéria certa vez sobre promessas de Ano Novo, planos para segunda-feira, resoluções para mudar de vida, essas listinhas de bons hábitos a adotar e vícios a abandonar que as pessoas se propõem em momentos de agora chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo tenho a minha listinha de afazeres (e autoproibições). Nada muito sofisticado, metas corriqueiras que já estou farto de formular para mim mesmo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Praticar atividade física quatro vezes por semana. Lavar os pratos assim que sujá-los. Ler e escrever todos os dias. Não repetir a sobremesa. Ir para cama no máximo à meia-noite. Acordar às oito. Fazer a barba todos os dias, de manhã. Telefonar para meus pais antes que eles tomem a iniciativa de me ligar. Encontrar um trabalho voluntário. Usar com parcimônia o programa de bate-papo. Talvez não usá-lo mais... Limpar a casa antes do fim de semana. Passar filtro solar todos os dias. Sair ao sol todos os dias. Passar a roupa assim que a recolher do varal. Não sucumbir à ansiedade. Manter o armário organizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tento fazer – ou deixar de fazer – tudo isso de uma vez por todas, todas as vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os especialistas que entrevistei não me deram muitas esperanças. Essas listas são invariavelmente falíveis, porque as pessoas são invariavelmente falíveis. Mas é variável o grau de falibilidade. Porque as pessoas, falíveis, são variáveis. Variam umas em relação às outras. E em relação a si mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu simpatizo com o existencialismo e a idéia da responsabilidade que cada um precisa assumir sobre a própria vida. Por isso, me apego tanto à minha listinha. Meus afazeres queridos, minhas proibições estimadas. Estariam todos, a princípio, a meu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso me tornar mais alto, mas fazer a barba todos os dias, sim, está sob o meu controle. Não sou presidente de nada, mas posso tranqüilamente dar aulas de redação num cursinho comunitário. A minha listinha só depende de mim. Ótimo não precisar que outras pessoas tomem as iniciativas. Péssimo eu ter de tomar todas as iniciativas sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os especialistas não foram de todo pessimistas. Já que a falha é normal e previsível, a grande dica é aprender a recomeçar depois cada recaída. Eu incluí de pronto esse novo item na minha listinha. Falhei. Agora, só preciso recomeçar a recomeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114053235415906232?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114053235415906232/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114053235415906232' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114053235415906232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114053235415906232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/recomeos.html' title='Recomeços'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113960511302831658</id><published>2006-02-10T12:53:00.000-08:00</published><updated>2006-02-10T12:58:33.040-08:00</updated><title type='text'>Rodinha na calçada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não é frase clichê: minha família é muito unida. Dessas em que filhos, netos e bisnetos se encontram todas as noites na casa da avó. Quando criança, almoçávamos juntos aos domingos, mas aí a vó Edna (aquela que descobriu as bijouterias aos 83 anos) ficou doente e os tios decidiram pôr fim a esse costume. Cada um em sua casa. As crianças fizeram até passeata, com cartazes de protesto e batuque improvisado em tampas de panela para que os almoços voltassem, mas não deu certo. Eu devia ter uns 12 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doença passou, os almoços não voltaram, mas continuamos todos lá, na casa de minha avó ao cair da tarde. De segunda a segunda. A vizinhança nos conhece pelo hábito de colocarmos cadeiras na calçada e ficarmos horas a fio conversando à toa. Começa com duas ou três pessoas e, em certos dias, passam de vinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a gente faz ali? Nada. Nos encontramos para falar dos assuntos mais bestas, chupar geladinho ou comer pipoca com café - assim mesmo, no meio da rua. Ali descobrimos que uma prima conseguiu um emprego novo ou que brigou com a chefe. Discutimos se um tio deve ou não deve comprar um triciclo. Se é hora de uma sobrinha ter filho ou não. Costumamos dizer que um namoro na família só se torna oficial quando o pretendente participa da ‘rodinha’. Caso contrário, ele não passa de um ficante qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, é assim que chamamos essa reunião na calçada: ‘rodinha da casa da vó’. Cada um dá seu palpite na vida alheia (ops, na vida dos familiares e dos conhecidos também). Minhas amigas dizem que é o jornal da tarde. Pura ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que a cidade foi ficando pequena para nossas pretensões. Alguns netos (como eu) foram estudar fora, outros se casaram e se mudaram para outro estado e até outro país. A rodinha continua lá, firme e forte. E quem está longe se coça de curiosidade para saber o que andam dizendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essa tal de internet. Outro dia tivemos a idéia de criar no Orkut a comunidade ‘Rodinha da casa da vó online’, uma versão virtual da que ocorre na calçada. Deu muito certo. Já somos 16 os membros e discutimos tópicos da mais alta importância na família: se Théo (nome cotado para meu sobrinho que vai nascer em julho) é ou não é só um apelido, se o filho de minha prima que mora nos EUA deve ser brasileiro ou americano quando nascer (ela nem está grávida), quantos passarinhos tem na casa do neto mais velho (o Diovane, eu chutei 35). E essas coisas todas, que parecem besteira, mas que são o pretexto para estarmos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rodinha online já é meu novo vício.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113960511302831658?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113960511302831658/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113960511302831658' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113960511302831658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113960511302831658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/rodinha-na-calada.html' title='Rodinha na calçada'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113937197365246848</id><published>2006-02-07T20:10:00.000-08:00</published><updated>2006-02-07T20:18:24.763-08:00</updated><title type='text'>Emergências</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Virou anedota na família a noite em que minha mãe acordou meu irmão no sofá da sala para que ele fosse dormir no quarto. Normal até aí, não tivesse ela o acompanhado até a cama, falante, divagando sobre o prazer de se fazer as coisas de que se tem vontade na hora em que a vontade bate. Como ter sono e poder dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela tinha uma longa lista de exemplos, como sentir vontade fazer xixi e ir ao banheiro, ficar com fome e comer lasanha, procurar o controle remoto e achá-lo debaixo da primeira almofada... Meu irmão, coitado, bêbado de sono, precisava levantar as sobrancelhas para manter as pálpebras abertas, enquanto a mamãe, sentada à beira da cama, prosseguia com a sua filosofia. “E dormir quando a gente tá com sono, né, mãe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que seria um privilégio ter um desejo realizado assim que bate a vontade. Ah, isso seria o instante perfeito. Sem o trabalho árduo da conquista, sem o medo de não conseguir. Simplesmente, puft, desejo realizado. Mas dizem que o prazer da vitória é maior quanto mais longa a jornada. Lembro-me do verso daquela música que remete a um orgasmo: “Quanto mais tempo demora, mais violento vem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, isso vale para orgasmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que, às vezes, se demora demais, a vontade passa. Ou vira outra coisa. Sono vira mau-humor, fome vira dor de cabeça. Tesão passa. Solidão também. Tenho uma amiga para quem é difícil namorar, porque o interesse pelos pretendentes passa muito rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, bateu a vontade de ver um cara aí. Ela então o convidou para uma visita. Mas o rapaz demorou. Quando a campainha tocou, que aflição. Foi só olhar para a cara dele e constatar: agora a vontade era outra, 20 páginas de Garcia Márquez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso me lembra aquelas frases feitas de agenda juvenil. “Cuidado com o que deseja – você pode conseguir!” (Ainda que demore, né? Eu voto pelo direito de mudar de opinião.) Ou: “O importante não é ter tudo o que deseja, mas desejar tudo o que possui.” Hum-rum. E mais aquela, clássica: “O ser humano é um eterno insatisfeito.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto vontade de expressar a minha discordância. Eu discordo. Acho que vontade é uma coisa difícil de controlar. Culpemos o inconsciente. E a realidade pode ser mesmo, muitas vezes, irremediavelmente insatisfatória. Pronto, saciei meu desejo no ato. O instante perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, neste exato agora, o que eu queria mesmo era sorvete de creme com granola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113937197365246848?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113937197365246848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113937197365246848' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113937197365246848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113937197365246848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/emergncias.html' title='Emergências'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113867506944304126</id><published>2006-01-30T18:19:00.000-08:00</published><updated>2006-02-02T21:30:03.873-08:00</updated><title type='text'>Idealização</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Meu eu ideal sabe contar piadas sem rir ele mesmo. Consegue passar diante de um espelho sem ajeitar o cabelo. É capaz de dar a melhor resposta no ato, não se exaure em diálogos imaginários, tardios. Meu eu ideal não esquece as palavras. Não se confunde, não gagueja, não se repete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele aprecia a própria companhia sempre que com ela se depara. Eu disse sempre. E não se deixa ameaçar pela solidão alheia. Sabe dizer não sem sentir culpa. Sabe dizer sim sem se sentir impotente. Meu eu ideal faz trabalho voluntário e não conta para ninguém. Olha nos olhos, presta atenção no que dizem. Não se deixa perder na ansiedade dos próprios pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu eu ideal tem boa mira e não se intimida quando o assunto é futebol. Sabe se comportar em festas de família, festas de trabalho, festas de gente desconhecida. Não tem medo que descubram o que ele não leu, não viu, não entendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não se descobre sem idéias no meio de um problema. Não se deixa abater. Não se deixa irritar. Reivindica seus direitos sem sentir vontade de chorar. Meu eu ideal não diz (nem silencia) algo de que vai se arrepender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu eu ideal não se deixa levar pelo turbilhão. Não quer provar nada a ninguém, não precisa de aval. De justificativa. Não faz hora extra, porque simplesmente não suporta e o mundo precisa entender. Não quer vencer na vida, não quer vencer ninguém - acha que nada de fato importante tem a ver com disputa. Não segue o mapinha do sonho dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu eu ideal não precisa ser brilhante, não precisa ser perfeito. Porque é corajoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tem insônia, taquicardia. Não sente medo do tempo, das contas, de grandes tragédias, de doenças degenerativas, de nunca desvendar o mistério. Ou de o enigma, desfeito, ser decepcionante. Meu eu ideal não tem medo de chegar ao fim da vida desavisado, sem ser tudo o que poderia ter sido. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ainda aprendo com ele.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113867506944304126?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113867506944304126/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113867506944304126' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113867506944304126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113867506944304126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/idealizao.html' title='Idealização'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113759502053168729</id><published>2006-01-18T06:35:00.000-08:00</published><updated>2006-01-18T06:37:00.543-08:00</updated><title type='text'>Limonada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cheguei para trabalhar, apressado, como num dia qualquer. E, mal liguei o computador, uma conversa séria: fui demitido, sem justa causa. O problema não era comigo, parecia término de namoro. O problema não era comigo e virou problema meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumi assim, porque já contei essa história um zilhão de vezes, como quem quebra um braço e tem de explicar o gesso. Quando se é demitido assim de repente, a cabeça vai a mil. Especialmente, no começo do expediente. Saí do jornal com duas grandes dúvidas: o que faria da minha vida e, ainda não era uma hora, o que faria do meu dia. Um cineminha talvez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No elevador, reparei que usava a mesma camisa azul claro, xadrezinha, do dia em que tirei a foto para o crachá, dois anos antes. Achei graça (sei que não era o momento): estava com o figurino ideal para encerrar um ciclo. Ah, se eu acreditasse em destino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não acredito, a camisa repetida, claro, não deu sentido a tudo, não. Ainda havia o aluguel e eu não sabia como faria uma limonada do ocorrido. O tempo passou e comecei a estranhar o fato de não ficar triste. Difícil sofrer quando se está ‘de folga’ e recebe tantos abraços, afagos, e-mails, telefonemas. Demissão parece aniversário, comentei com alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente é a liberdade. Eu estava num turbilhão de obrigações, expedientes, escalas, plantões. Não sabia como escaparia daquela rotina, um dia. O mundo lá fora eu via por brechas de férias e feriados, cronometrados. Num dia qualquer, num dia de trabalho, a liberdade me foi entregue num envelope pardo. E o problema não era comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é difícil aceitar que você está potencialmente mais pobre quando a grana da rescisão é muito maior do que estava acostumado a receber. Demitidos ganham bem. O melhor emprego do mundo seria o de demitido com vínculo empregatício...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do jeito que está, é como se eu estivesse de férias - só que com medo. Agora, tenho responsabilidade sobre as minhas próprias horas, o que seria simplesmente perfeito, se elas não tivessem se transformado em máquinas de gerar contas. Ao menos, passam mais devagar. Devagar até demais para quem ainda não se libertou do vício da ocupação. Ainda são poucos os dias de vida nova e meus tênis nunca estiveram tão limpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dói mesmo é ter tantas pessoas queridas arrancadas subitamente do meu convívio. É uma espécie de morte, sabe? O nó na garganta só se desfaz quando me lembro de que, para esse tipo específico de morte, não é preciso ser médium para fazer uma visita. Ou receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rotina engana com a sua pseudopermanência. Às vezes, ela muda aos pouquinhos e a gente nem nota. Em outras, muda tão de repente que assusta antes de revelar a possibilidade de ficar melhor. Por isso, eu me apresso em esquecer o medo e adivinhar alguma alegria. Como no final da tarde daquele mesmo dia em que fui demitido: dois amigos e eu fizemos uma festinha improvisada, ao clima de ‘tudo vai dar certo’, com pão italiano e requeijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vai mesmo. Estou seguro de que sou um funcionário insubstituível da minha própria vida. E, se ela me dá um limão, ah, eu faço uma crônica. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113759502053168729?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113759502053168729/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113759502053168729' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113759502053168729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113759502053168729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/limonada.html' title='Limonada'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113708752221146275</id><published>2006-01-12T09:35:00.000-08:00</published><updated>2006-01-12T09:44:32.570-08:00</updated><title type='text'>A velha vida nova</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;Comecei o ano cheia de planos. Esses de vida nova que, se existem, é porque fizemos tudo errado nos meses anteriores. Por garantia (não confio muito no meu poder de disciplina) pulei sete ondinhas à meia-noite e fiz um pedido, arrastando mais dois amigos para a simpatia. Quem sabe iemanjá não resolve tomar por mim as rédeas da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos planos era caminhar todos os dias. E já estamos no dia 12 (13, 14...). Mas eu explico, ou justifico, essa quebra de promessa tão prematura. Os imprevistos, eles são sempre os vilões. Tive de fazer a segunda fase da Fuvest (calma, calma, isso estava no calendário, sei que não serve como desculpa) e apesar de ter me organizado para só estudar nesse início de 2006 até que passassem as malditas provas, aconteceu o contrário: foi a época em que tive mais trabalho. Corta horas daqui, busca paciência ali. E o tempo que me faltou foi retirado da caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os poucos dias de 2006 já sabotaram algumas das promessas de ano novo. A idéia era começar logo uma reeducação alimentar - estava no pacote ‘ficar magra, com pele boa e sem queda de cabelos”. Mas aí entrevistei um bando de psiquiatras para uma matéria de comportamento e saí dessa maratona muito bem-resolvida. Que dieta que nada. Mais vale uma terapia, nem que seja por tabela, como definiu meu companheiro de blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um terceiro plano era não usar minha vida pessoal e rotineira como tema aqui no blog. Desde o início, sei que o propósito do Mini não é ser um diário. Mas aí esse plano se chocou com um quarto: o de não atrasar mais os textos e atualizar o Mini no dia certo. Um paradoxo - como escrever se não sei sobre o que e se nos últimos dias só convivi com meu umbigo, resumi o mundo em minha rotina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ué, será que eu faço isso o tempo todo? Só eu tenho essa deficiência ou alguém aí consegue observar o mundo por um ponto de vista fora de si? Preciso encontrar a tática de me deparar com esses temas. Um mistério que quase empata com aquele outro, terror dos jornalistas: ‘de onde vem a pauta?’. Alguém aí explica? Nunca aprendi na faculdade e nem no jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não soluciono o problema e consigo um tema por semana para publicar aqui, aceitei esses parágrafos, recheados de referências pessoais mesmo. É que o Leandro me intimou a escrever, ainda que o tema do texto fosse não ter tema, mas aí chegamos à conclusão de que qualquer amontoado de frases seria melhor do que esse escapismo temático, já tão batido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hummm...dá tempo de trocar meu pedido a iemanjá? Eu juro que pulo outras sete ondinhas. É que em 2006 continuei sendo a mesma Patrícia e é por isso que tudo está resistindo tanto em mudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113708752221146275?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113708752221146275/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113708752221146275' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113708752221146275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113708752221146275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/velha-vida-nova.html' title='A velha vida nova'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113677341994135180</id><published>2006-01-08T18:21:00.000-08:00</published><updated>2006-01-08T18:42:25.396-08:00</updated><title type='text'>Jornalismo doentio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fui advertido no primeiro dia: jornalistas que escrevem sobre saúde tendem a ficar hipocondríacos. Porque quem cobre saúde escreve, paradoxalmente, sobre a falta dela. Vírus, tumores, traumas, síndromes, disfunções e outros temas para uma rica inspiração profissional. Ou um vertiginoso declínio físico/mental, por auto-sugestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande bobagem, pensei. Coisa de gente influenciável. Afinal, não há nenhum indício de que colegas da editoria policial passem a apresentar, numa analogia barata, um perigo à ordem pública. E, ao pesquisar sobre saúde (doenças), posso me informar melhor para uma vida, bem, que não dê esse tipo de notícia. Prevenção é o melhor tratamento &lt;em&gt;et cetera et cetera&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi não levar o aviso a sério. A hipocondria seria particularmente preocupante no meu caso, já que minhas pautas preferenciais são... as psiquiátricas. Escrever sobre doenças é saudável! Minha melhor amiga, colega de profissão (e do blog), comentou que adora esse tipo de matéria. Você entrevista os especialistas e faz análise por tabela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem funcionado bem para mim. É impressionante como entender sobre estado crítico ajuda a tratar ferimentos leves. Por exemplo: escrever sobre estresse, fobia social, depressão e paranóia foi ‘um santo remédio’ em momentos de, respectivamente, irritação, timidez, mau-humor e pulga atrás da orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que fiz um diagnóstico (amador) no meio do expediente de uma terça-feira. Era uma matéria sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A minha dispersão, que já foi tema de uma crônica anterior (e de um zilhão de piadinhas entre amigos), talvez não seja apenas uma característica peculiar de personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho seis dos nove sintomas de desatenção. (Que isso sirva de lição para um certo amigo que, sem ter nenhuma noção de psiquiatria, teima em diagnosticar meu autismo.) Mas será que tenho mesmo TDAH? Isso explicaria muita coisa, como as quatro vezes em que fui reprovado no exame de direção ("Ué, era conversão proibida ali?") e as quatro &lt;em&gt;mil &lt;/em&gt;vezes em que falaram comigo e só escutei o monólogo dos meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cedo demais para saber. Eu, honestamente, acho que não é para tanto. Vou ao médico para me certificar de que é a minha única doença mental, como previam os agourentos, é hipocondria mesmo. E, para atestar minha sanidade psíquica no geral, vou prestar bastante atenção no diagnóstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113677341994135180?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113677341994135180/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113677341994135180' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113677341994135180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113677341994135180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/jornalismo-doentio.html' title='Jornalismo doentio'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113565001611017692</id><published>2005-12-26T18:16:00.000-08:00</published><updated>2006-01-03T08:43:44.606-08:00</updated><title type='text'>Posso ajudar(-me)?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um amigo comentou que eu tenho um pé na auto-ajuda, por causa de uma peça que elogiei. Só então me dei conta de que o tal espetáculo tinha lá mesmo um pezinho na auto-ajuda. A peça, não eu, pensei. Espere aí: eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse amigo disse isso para me alfinetar. E posso dizer que senti (de leve) a picada. Mas, primeiro, preciso dizer que não gosto dessa expressão. Essa coisa de ter um pé em algum lugar. Só um pé. E o resto do corpo fora, para não se contaminar. É uma expressão muitíssimo preconceituosa, basta lembrar a versão original: ter um pé na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o assunto aqui é o fato de eu ter, okay, um pé na auto-ajuda. Ou o fato de o meu amigo achar que isso seja uma deixa para alfinetação. Ou o fato de eu sentir a picada. Levemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo sobre comportamento e, por isso, muitas vezes livros de auto-ajuda são material de trabalho. A minha mesa, no jornal, está tomada de publicações do gênero. Tudo coisa de trabalho. Outro dia, no ônibus, uma colega me perguntou o que eu estava lendo. Desconversei, marcando a página: "Coisa de trabalho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de ser assunto profissional, percebo, é às vezes um ótimo pretexto. Para ler - ou ao menos folhear - obras que eu jamais teria coragem de comprar numa livraria. Algumas, nem na internet: ficaria com vergonha de mim mesmo (a propósito, acho 'mim mesmo' uma redundância; acaso haveria mim outro?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre acreditei que amor próprio seja um pré-requisito para a vida em sociedade. Quando vejo alguém numa situação de auto-abandono, não raro penso, indignado: “Mas ele não se ajuda!” Quem não se ama o suficiente fica sem energia para generosidade com os demais e se torna uma ameaça pública - pessoas com déficit de amor são perigosas. Mas... auto-ajuda ajuda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende. A má-fama dessas publicações não é de todo injusta. Há muita gente enriquecendo por aí com receitas, em tópicos, para felicidade amorosa e sucesso profissional. Como se a vida fosse um videocassete, que, com manual, fica fácil programar. Deveria haver auto-ajuda para selecionar auto-ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oportunismos à parte, o princípio que move a auto-ajuda é nobre: a busca por meios de se conhecer e se relacionar melhor. A filosofia, a psicanálise e as religiões lançam-se na mesma empreitada - com uma ressalva (ou agravante?): geralmente, sem simplificações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e a arte! Outro dia chegou ao jornal um livro de auto-ajuda que reunia textos de gente como Machado de Assis e Clarice Lispector. A teoria do editor era de que, se apura a sensibilidade e expõe preconceitos, a literatura é, sim, um recurso para o que se chama hoje de ‘desenvolvimento pessoal’. Não pude discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo que me alfinete. Pelo bem da humanidade (afinal, sou um ser social), decido que farei, sim, uso dos meios que eventualmente julgar necessários para ajudar a mim. Mesmo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;P.S.: Enfim, o serviço. A peça que elogiei é &lt;em&gt;Parem de Falar Mal da Rotina&lt;/em&gt;, de Elisa Lucinda - salvo engano, agora em cartaz no Rio. E tal o livro que faz auto-ajuda da melhor literatura é &lt;em&gt;Valores para Viver&lt;/em&gt; (organização de Maria Isabel Borja e Márcio Vassalo, Ed. Guarda-Chuva, R$ 20).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113565001611017692?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113565001611017692/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113565001611017692' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113565001611017692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113565001611017692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/12/posso-ajudar-me.html' title='Posso ajudar(-me)?'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113340703539946118</id><published>2005-11-30T19:14:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T12:36:17.196-08:00</updated><title type='text'>Vermelho Ferrari</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Minha avó tem 82 anos e vem, pobrezinha, acompanhando sem resignação a morte de primos, amigos, vizinhos - colegas de geração. Nos últimos anos, o tempo leva um a um. Como num filme de suspense, ela cogita, entre os octogenários sobreviventes, quem será a próxima vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua onde mora, a morte seguia mão-única como o fluxo dos carros, da esquerda para a direita. Vovó chegou a brincar com seu João, o vizinho da esquerda, que ele partiria antes dela. Mas a morte, fingindo que os esqueceu, pulou os dois e levou a vizinha da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico intrigado com esse sentimento contraditório de quem perde uma pessoa querida da mesma geração, uma tristeza aliviada. Como se a morte de um análogo representasse uma nova chance. Um renascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, a cada velório, enterro, missa de sétimo dia, vovó renasce com mais medo. É dessas que respondem a verdade quando alguém pergunta como vai. Tem labirintite, osteoporose, diabete. E mais os efeitos colaterais dos medicamentos. E da interação entre eles. E dos efeitos colaterais dos medicamentos paliativos contra os efeitos colaterais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó também tem solidão. Saudade dos filhos que foram morar longe. Dos netos. Dos bisnetos cujo crescimento acompanha em recortes: Natal, Ano Novo, Dia das Mães, aniversário. O pequeno não andava na Páscoa e já corre em dezembro, como se tivesse sido sempre assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro de quando ela pintou os cabelos pela primeira vez. Tinha sessenta e poucos. E foi engraçado porque ficou dez anos mais jovem do que parecia nas fotos de dez anos antes. Aí uma tia brincou de enganá-la. Comprou um batom: “É clarinho, mãe.” E era, de fato, nos primeiros minutos. Depois, ficava vermelho Ferrari. Todo mundo adorou saber que o efeito durava 24 horas. Até vovó, posso apostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a única vez que usou aquele batom. Achava que estava velha demais. Já se passaram uns 20 anos - um quarto do que viveu até hoje, né? A morte finge que a esquece, mas ela não se esquece da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;P.S.: Desculpa, Paty. Achei que minha avozinha também merecia uma crônica. ;-)&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113340703539946118?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113340703539946118/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113340703539946118' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113340703539946118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113340703539946118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/vermelho-ferrari.html' title='Vermelho Ferrari'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113271259999985492</id><published>2005-11-22T18:18:00.000-08:00</published><updated>2005-11-22T18:32:28.696-08:00</updated><title type='text'>Gente como a gente</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A minha turma na adolescência, puxa, tenho até vergonha de contar: eram os riquinhos de &lt;em&gt;Barrados no Baile&lt;/em&gt;. Hoje, quando reencontro os gêmeos(!) Brenda e Brendon Walsh na mudança dos canais, finjo que não reconheço e sigo adiante. Em dez anos, eu amadureci razoavelmente a ponto de deixar de ser tão bobinho. Eles, na reprise, continuam os mesmos. O Brendon com aquele topete...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na faculdade, os meus amigos do peito (e o primeiro namorado) tinham seis fortes concorrentes: Rachel, Chandler, Monica, Joey, Ross e Phoebe, de&lt;em&gt; Friends&lt;/em&gt;. E minha mãe jamais entenderia por que deixei de ir a tantas festas de família por causa de &lt;em&gt;Seinfeld&lt;/em&gt; (todos os dias, em reprise vitalícia) e &lt;em&gt;Ally McBeal&lt;/em&gt;, a das boas temporadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de tudo isso hoje de manhã, quando, ao sair de uma entrevista, preferi tomar um ônibus a chamar o carro do jornal. Não, não é masoquismo. É que, no ônibus, eu posso ler e, no carro, bem, isso seria quase uma grosseria. O motorista é sempre um conhecido, que precisa desabafar sobre o trânsito. Ou com quem devo falar sobre a meteorologia para preencher o silêncio da nossa falta de intimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, São Paulo é uma rica fonte de mudanças de tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje eu troquei o “será que vai chover?” pela privacidade (em público) do ônibus coletivo. E um livro de contos. Troquei um humano só por um ‘pacote’ com mais de vinte, o que seria um ótimo negócio, se gente fosse contável assim por unidade &amp;shy;- e, ah, se essa minha turma toda não fosse de mentirinha. Troquei o real pela sua representação, multiplicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, sinto-me culpado por preterir assim os humanos de carne e osso. Quantas vezes fui ao cinema sem avisar ninguém! Para ficar a sós com a ficção... É que a arte é tão verossímil e a vida soa, por vezes, como uma história mal-contada. A minha, inclusive. Mais fácil me emocionar com animação de massinha do que com o &lt;em&gt;Jornal Nacional&lt;/em&gt; (raiva não conta, tá?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, ouso dizer que os personagens são gente, sim. Do jeito deles, fictício, é verdade, mas gente. Melhor: gente com edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no correr dos anos, os personagens tem me ajudado a apurar minha sensibilidade. A ponto de (quem diria?) preteri-los, cada vez mais, em favor dos humanos de verdade. Estranho, porque, convenhamos, somos ‘personagens’ contraditórios e mal-concebidos numa produção de baixo orçamento. O que, só percebo agora, também tem seu encanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nesta temporada tenho visto menos televisão. Talvez por isso Brendon Walsh e seu topetezinho 1994 tenham perdido seu charme no meu zapear 2005. Começo a apreciar gente de verdade. Ao vivo, em versão integral.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113271259999985492?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113271259999985492/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113271259999985492' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113271259999985492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113271259999985492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/gente-como-gente.html' title='Gente como a gente'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113236438777211815</id><published>2005-11-18T17:36:00.000-08:00</published><updated>2005-11-18T17:39:47.790-08:00</updated><title type='text'>Vaidade aos 83</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sentada no mesmo lugar de sempre no sofá de sua casa, encontrei minha avó cheia de bijouterias. Nada estranho fora o fato de ela nunca ter usado algo além da aliança até os 83 anos. Começou com um anel, que passou a dois, depois vieram as pulseiras e o cordão. Até as unhas da mão, que antes recebiam no máximo base incolor, pintou com esmalte café. Tudo em menos de um mês. “Não sabia que era bom assim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó nasceu na roça, em uma família com seis irmãs. Foi a escolhida entre as meninas para ajudar o pai na fazenda. Tocava gado, tirava leite, cuidava dos porcos. Lembra que as irmãs costuravam e ajudavam a mãe na cozinha. Nunca teve tempo para essas tarefas. Quando se casou, foi o marido quem a ensinou a fazer arroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vieram os filhos, já na cidade. Foram sete. Criou cinco, ficou viúva e nos últimos anos se tornou quase filha dos filhos. Todos esse tempo sem anéis. Será que só agora, quando os braços já não ajudam a pentear o cabelo, ela descobriu a vaidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando na infinidade de sensações que deixamos de viver porque não esbarramos com o acaso por aí. Um acaso que muda tudo ou apenas acrescenta um detalhe. Para minha avó, a casualidade foi a vendedora que sempre lhe mostrou calcinhas e sutiãs insistir para que experimentasse um anel de seu mostruário. E não é que ela gostou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dá mais medo é que nessas coisas a gente não manda. Com o desconhecido se esbarra por descuido, não dá para sair procurando. E ele pode ser a graça que faltava em nossas vidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113236438777211815?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113236438777211815/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113236438777211815' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113236438777211815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113236438777211815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/vaidade-aos-83.html' title='Vaidade aos 83'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113217275745014750</id><published>2005-11-16T12:16:00.000-08:00</published><updated>2005-11-16T12:31:25.446-08:00</updated><title type='text'>Distintas distinções</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Desculpe-me por começar com um provérbio, mas gosto desse particularmente desse pensamento, por ser tão simples quanto preciso. É este, perceba, o princípio básico da razão: comparar e distinguir uma coisa da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho lido sobre diferenças conceituais interessantes, como entre doença e mal-estar, dor e sofrimento, desejo e vontade. Um resuminho: doença, dor e desejo são fatos que brotam do corpo ou do inconsciente e podem fugir do nosso controle. Mal-estar, sofrimento e vontade, muitas vezes, a gente consegue administrar. E saber disso, perceber essa diferença, é o primeiro passo para consegui-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há outras tantas oposições...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enxergo o amor à primeira vista, por exemplo, como mera auto-sugestão. Quando alguém se declara precipitadamente 'apaixonado' por mim (tá, não acontece muito), fico logo ofendido. Sinto-me usado, sabe? Como ousam me amar sem se dar ao trabalho de me conhecer? Não é amor, não. Ao menos, não por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses casos, a despeito do que a minha vaidade gostaria, tenho a nítida consciência de que sou apenas um instrumento para se dar vazão a um sentimento que não tem nada a ver comigo. É um amor intransitivo, que faz de mim recipiente. Descartável, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma: não tenho religião porque, como o poeta, não me conformo em acreditar - quero saber. E, às vezes, fico irritado com quem acredita que sabe (e, na verdade, não sabe que apenas acredita). Ainda bem que logo me dou conta de que essa minha pretensa sabedoria é, preciso ser honesto, uma baita arrogância. Outra oposição, o importante é distinguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda a manjada oposição entre ser e parecer, que, 'aparentemente', nem requer maiores explicações. Intriga-me mais a diferença entre ser (condição definitiva) e estar (condição passageira) que muitos idiomas nem contemplam. Como não? Ser doente, estar doente; ser feliz, estar feliz... é tudo muitíssimo diferente. Se os budistas tiverem razão, com a sua teoria da impermanência, nada de fato é - tudo está. Ou esteve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por fim, a fundamental diferença entre distinguir (sim, o tema da crônica) e rotular, simplificação estereotipada, preconceituosa e generalizante. Distingue-se para entender, rotula-se quando não se consegue - ou não se deseja - fazê-lo. Não se confunda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113217275745014750?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113217275745014750/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113217275745014750' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113217275745014750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113217275745014750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/distintas-distines.html' title='Distintas distinções'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113174617836893561</id><published>2005-11-11T13:54:00.000-08:00</published><updated>2005-11-11T13:56:18.380-08:00</updated><title type='text'>De véu e grinalda</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Outro dia fui ao casamento de uma amiga. De véu e grinalda, noivo esperando no altar - que no caso não era altar porque a cerimônia era judaica. No lugar do padre, o rabino, mas estava tudo lá: o bolo, as alianças, os futuros filhos, os almoços de domingo na casa dos pais, as férias na praia, a vida equilibrada de quem escolheu seguir a fórmula mágica da tradição. Eu, que nunca me imaginei em um vestido de noiva, senti uma pontinha de inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora não entendi: será que apesar de negar cultivo um desejo secreto de entrar na igreja ao som de Ave Maria? Os anos passam, a rebeldia da adolescência vai nos deixando, nos rendemos às convenções e vivemos “como nossos pais”, seria isso? Passei alguns dias encucada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando me lembrei de uma outra idéia que dia desses amanheceu comigo. Pensei que a vida teria sido muito melhor se tivesse nascido na roça. Nada disso de escolher profissão e o rumo certo para ser feliz. Eu seria uma “dona gorda”, que acordaria bem cedinho com a única preocupação de fazer a rosca e o pão de queijo e já deixar o fogão à lenha aceso para o banho quente de serpentina. Tudo bem simples, com o alívio de ter nascido com o destino traçado e não precisar questionar o próprio rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desvendado o segredo. Essa estranha sensação de de repente achar que combino com vestido de noiva é só uma ponta de preguiça de ter que criar caminhos sem modelos testados para ser um pouquinho do que quero. A confusão da vida é tanta que às vezes a gente até se embaralha e confunde a vontade de sossego com padrões que não nos servem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E, pensando bem, essa visão de caminhos prontos é muito idealizada. A dona roceira deve ter outras preocupações e a benção do padre não é a entrega de um roteiro fechado, com todas as cenas já escritas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113174617836893561?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113174617836893561/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113174617836893561' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113174617836893561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113174617836893561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/de-vu-e-grinalda.html' title='De véu e grinalda'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113132951414788425</id><published>2005-11-06T18:10:00.000-08:00</published><updated>2005-11-06T18:23:45.890-08:00</updated><title type='text'>O beijo roubado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu me lembro com carinho do meu primeiro beijaço. Há dois anos, estava de visita em São Paulo quando o movimento gay organizou o protesto num shopping center. Era uma espécie de retaliação positiva à censura que um casal sofrera dias antes &amp;shy;- os rapazes se beijaram na escada rolante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui assistir ao protesto, claro. Uma questão de cidadania, como reunião de condomínio - só que legal. Até o shopping aderiu: contratou um DJ para animar o evento. Lembro-me da música que tocava quando cheguei (com suave taquicardia) à praça de alimentação. “Tem que valer, valer viver/ Tem que viver pra valer...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As câmeras de tevê estavam posicionadas, os casais também. Quinze ou vinte deles. Quando tudo começou, era preciso esticar o pescoço para ver alguma coisa. E eu vi. Beijo gay, beijo lésbico, beijo hétero, beijos plurais em rede nacional de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só participei como observador... Mas estava lá e era como se aqueles beijos fossem todos meus. Sempre prometi a mim mesmo que o mundo ficaria melhor. Hoje, bem ou mal, os negros são livres, as mulheres votam. Gays hão de poder se beijar sem se cercar de paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, eu me mudei para São Paulo. E, no bairro onde moro, gays até podem, com alguma coragem. E muitos têm. Mãos dadas, beijinhos, afagos - as calçadas são lindas aqui. Eu só não sei se devo passar reto, emitindo a mensagem de que acho tudo absolutamente normal, ou se devo sorrir, para demonstrar a minha franca e desnecessária aprovação. Indeciso, acabo passando reto e sorrindo, sim, só que por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, assisto ao que chamo de lenta e progressiva multiplicação dos beijos (gays). Primeiro, nos guetos; depois, no cinema alternativo; em seguida, na tevê a cabo e nas ruas de determinados bairros das grandes cidades - como o meu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o beijo que ia rolar no último capítulo da novela - na tevê aberta! -, uau, isso seria inédito. E ser inédito é o primeiro passo para ser banal, olha que máximo. Tudo o que eu queria é passar pelos casais da vizinhança (que eu adoro, são lindos) e não percebê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta, na hora da novela, lá estava eu, entre queridos, em frente à tevê, com a minha suave taquicardia. O coração acelerou-se em vão: censuraram o beijo gay. Assisti até o final, pensado que o corte abrupto, bem no momento em que os rostos apaixonados se aproximavam, fosse um mero recurso dramático para prolongar a expectativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas escreveram ‘fim’ sem terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, eu fui para a cama pesaroso, nutrindo uma inusitada autopiedade, como se o beijo que não houve na ficção fosse em mim. Como se eu tivesse caprichado no perfume, ensaiado falas diante do espelho, feito joguinhos de olhares e sorrisos... e levado um belo fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei triste também pelos pedestres corajosos das redondezas. Eles mereciam, poxa. E ainda mais pelos que moram em outros lugares e circulam a uma distância segura de seus amados ou escondidos dentro de si. Triste por um mundo em que tantos idiotas têm poder de decisão. Entrariam para a história; preferiram adiá-la. É tão cômodo ser imbecil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria entender, mas tenho medo de tentar fazê-lo e sentir raiva. Mais raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, naquela mesma noite, houve beijos nada fictícios. Cercados de paredes, é verdade. Mas com visibilidade suficiente, do lado de dentro, para renovar minha esperança. Mesmo que o mundo não queira nos enxergar, eu faço questão de vê-lo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113132951414788425?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113132951414788425/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113132951414788425' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113132951414788425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113132951414788425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/o-beijo-roubado.html' title='O beijo roubado'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112845123662889383</id><published>2005-10-04T11:39:00.000-07:00</published><updated>2005-10-04T11:40:36.636-07:00</updated><title type='text'>Pique, trabalho e cinema</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre fui tímida. Quando era criança, demorava a me entregar às brincadeiras. Primeiro ficava só olhando, fingia não ter vontade de pular corda ou ânimo de correr no pique-esconde para ocultar a falta de coragem de entrar no meio dos outros meninos. Depois chegava mais perto. Dava dois pulinhos, só para ver como era, ou sugeria lugares de esconderijo. Por fim, me entregava. Mas aí era a hora de ir embora – logo no melhor da brincadeira! – e eu implorava aos meus pais por mais 15 minutinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei do que tinha medo. Talvez de pisar na corda e tropeçar logo no primeiro pulo ou de não encontrar um bom refúgio a tempo. Outras vezes o time estava completo e eu não queria atrapalhar. Ou me achava pequena demais – e depois grande demais - para mergulhar na piscina e disputar os seis metros estilo ‘cachorrinho’. Essas preocupações bobas, que se resolviam sem nenhum mistério na hora em que eu decidia participar de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia me peguei espiando meninos, garotos adultos que nem conheço, e tive uma vontade enorme de estar entre eles. É que quando crescemos, trocamos a corda pelo namorado, o pique pelo trabalho. Mas, no fundo, tudo o que procuramos é um meio de viver com a sensação de estar no melhor da brincadeira. E de novo eu, com os velhos medos, resistia a me entregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava pelas beiradas. Fazendo um trabalho mais ou menos parecido com o que eu queria fazer. Um próximo meio distante, mas sem riscos de tropeçar nas contas no final do mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei meses me remoendo. Pesando os prós e os contras de deixar meu cantinho seguro e tentar me juntar aos garotos adultos que faziam o que eu queria estar fazendo. Perdi o sono, tentei encontrar motivos para o sim ou me convencer do não. Até que um dia quis ir ao cinema e não dava por causa de meu horário no trabalho. Deixei o emprego. Racional assim mesmo, como são nossos medos – e nossos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112845123662889383?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112845123662889383/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112845123662889383' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112845123662889383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112845123662889383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/10/pique-trabalho-e-cinema.html' title='Pique, trabalho e cinema'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112787850487989797</id><published>2005-09-27T20:33:00.000-07:00</published><updated>2005-09-28T09:12:49.003-07:00</updated><title type='text'>Ao acaso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Saí da casa dos meus pais. No trabalho, o autoritarismo acabou. Nem tenho religião... Poderia dizer que mando em mim, se eu me obedecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era adolescente, desisti de estudar num colégio famoso porque se chamava Disciplina. Palavra feia, especialmente para uma geração pós-ditadura. Mais velho, fiz promessas para deuses e santos – nos quais já não cria – só para escapar do serviço militar. Deu certo. E, veja só: reforcei a minha fé no acaso. A casualidade me encanta, só pode ter sido ela a minha heroína. É o oposto da disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oficialmente, fui dispensado por ter pés chatos (sem complexos). Mas eles são planos por conta combinação aleatória de genes de duas famílias com dezenas de pares de pés normais. Não posso calçar coturnos, que beleza. O acaso me livrou da disciplina. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho seguro de vida, mas aposto na Mega-Sena. Por causa da minha fé no acaso. Ele contraria as regras (a disciplina) e premia apostadores para que enriqueçam longe dos rigores do trabalho (a disciplina). Acredito no improvável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso admitir que, às vezes, até gostaria de ter mais disciplina para atividades triviais, como a musculação. Mas sei que aceitaria de bom grado qualquer hipertrofia muscular que por ventura brotasse do meu sedentarismo. Reclamo também da falta de disciplina para escrever, outra bobagem - a minha inspiração vem do ócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer, mas isto aqui não é uma apologia ao desleixo, não. Porque, no fim, vira auto-abandono, coisa muito triste. Faço planos, claro, e me esforço para cumpri-los. Mas, se há sorvete de chocolate branco no freezer, eu, digamos, flexibilizo a dieta. E viva o metabolismo rápido. Que o acaso impeça a punição do prazer. E que o sacrifício recuse a recompensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, se a disciplina é justa, o acaso faz melhor: opta pela generosidade. Acho uma mesquinharia a vida exigir merecimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112787850487989797?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112787850487989797/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112787850487989797' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112787850487989797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112787850487989797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/09/ao-acaso.html' title='Ao acaso'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112709675789052796</id><published>2005-09-18T19:22:00.000-07:00</published><updated>2005-09-20T17:03:22.993-07:00</updated><title type='text'>Aqui e em algum outro lugar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Acabo de aprender um termo curioso: presenteísmo. Que significa estar, não estando. Estar de corpo presente - e só com o corpo presente. Puxa, a identificação foi imediata. Meu corpo já esteve em muitos lugares aos quais a minha alma se recusou a comparecer. Agora, por exemplo, estou (não estando) no plantão de domingo. A minha função aqui é esperar até a meia-noite para ver se algo acontece. Ou esperar até lá, torcendo para que não aconteça nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estive (sem estar) na aula de francês. O professor, um belga simpaticíssimo, gostava muito do livro, mas eu queria ir para França. Quando era criança, nunca estava nos estádios de futebol aos quais ia com meu pai e meus primos. Um dia alguém me perguntou o placar e eu só sabia sobre o desenho das nuvens. Por sorte, um primo, concentrado na pipoca, não sabia nem quem estava jogando. A gente ia para acompanhar. A família, não a partida. A gente ia sem a própria companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive não estando em vários natais, aniversários, casamentos e batizados. Não compareci até a alguns namoricos. Entre os amigos, a distração parece ser a minha característica que mais marca presença. Moro em São Paulo, mas a alma está de mudança para o Rio. Já estive sem estar em looongas viagens de ônibus, chegando muito antes de mim ao destino. Ou ficando no ponto de partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase não estive na minha adolescência, o futuro parecia mais acolhedor. E agora fico tentando me trazer de volta da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li uma vez (e concordei com) uma frase mais ou menos assim: a falta de concentração cansa mais. É verdade (já pensou nisso?), porque estar não estando é estar em ao menos dois lugares ao mesmo tempo. Exaustivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os budistas falam muito sobre manter o foco no presente. Faz sentido: vive-se aquilo em que se presta atenção. A gente se ausenta e a vida vai passando. "Saiu para o vento, perdeu o assento", diz o ditado. Ausente, a gente perde o assento das horas. Tenho de aprender a fazer companhia para o meu corpo - ou fazer com que ele saia para me encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a minha alma viajasse sozinha? Bem, pelo que entendo, isso só aconteceria com a morte. E não tenho certeza se, nesta nova condição, eu saberia aonde ir. Mas talvez fosse divertido: pela primeira vez, o contrário. Não estar, estando. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112709675789052796?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112709675789052796/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112709675789052796' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112709675789052796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112709675789052796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/09/aqui-e-em-algum-outro-lugar.html' title='Aqui e em algum outro lugar'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112648287112421390</id><published>2005-09-11T16:43:00.000-07:00</published><updated>2005-09-11T16:54:31.133-07:00</updated><title type='text'>Quase do bem</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quero publicar aqui um manifesto contra os sem-noção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto dessa expressão assim, sem-noção e ponto. Intransitiva. Acho que diz mais não dizendo exatamente o quê. Mas, okay, em prol da melhor compreensão do assunto, exploremos o que poderia vir depois de noção (ou com ela). Sem noção do quê? Do que diz, de como se comporta, do que faz ou deveria. Simplifico: sem noção de si perante o outro. Simplifico mais: sem noção do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sem-noção é um egoísta que se esconde atrás de uma conveniente característica de personalidade – o despercebimento. Então, ele não percebe que o comentário ofende, de que já está na hora de devolver aquele CD, de que seria gentil se oferecer para dividir a conta. Ah, ele é tão distraído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim ele goza a vida, desfrutando de pequenas vantagens consentidas por uma espécie de  silêncio íntimo. Sim, porque não comenta suas faltas nem consigo mesmo. O sem-noção é uma empresa sem jornalzinho interno, sem memorando. Sem fofoca! Tudo acontece e ele não fica sabendo, pobrezinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, mesmo quando alguém o avisa, o sem-noção não entende. Ei, volte aqui, veja o que você fez! Ih, desista, não adianta... Foi um mal-entendido, ele não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha teoria óbvia é a de que o sem-noção sabe. Ah, ele sabe. Apenas não desenvolve a questão. Melhor não lidar com o fato de que está agindo como um babaca. Com o filtro oportuno do despercebimento, não vê o sutil nem o retumbante.  Olha que sorte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E milhões de sem-noção juntos são capazes de olhar muito mais sem enxergar nadinha. A escravidão na América, os massacres na África, os extermínios de guerra em todo lugar.  Eis o melhor superpoder, o de simplesmente não ver. A visão de raio-X ao contrário. O sem-noção não enxerga miséria, injustiça, violência. Quanto ganha a empregada? Onde fica a Ruanda? É só descer as pálpebras que o mundo fica lindo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O sem-noção é um vilão sem coragem. Não mata, não rouba, não tortura e, portanto, não se culpa. Seria um escroto, não fosse a falta de iniciativa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas poderia ser também um cara até bem bacana, sabe? Não fosse esse mesmo motivo.    &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112648287112421390?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112648287112421390/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112648287112421390' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112648287112421390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112648287112421390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/09/quase-do-bem.html' title='Quase do bem'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112519576628570907</id><published>2005-08-27T19:17:00.000-07:00</published><updated>2005-08-27T19:22:46.290-07:00</updated><title type='text'>Pequenas armadilhas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Armamos, para nós mesmos, pequenas armadilhas que acabam seqüestrando o nosso futuro. O namorado mais ou menos, que a gente se acomoda e casa com ele. O curso que se descobre chato no meio da faculdade, mas que se termina mesmo assim. Um empreguinho besta para pagar as contas e, quando se vê, já se é refém do salário. Depois vem o dilema: como escapar dessa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Montamos nossa rotina no meio desse emaranhado de escolhas feitas mais ou menos ao acaso e depois parece impossível desistir de uma delas porque trocar um graveto faz desabar toda a estrutura. Aí a gente se conforma e vai vivendo assim mesmo. &lt;i&gt;Bye, bye&lt;/i&gt; qualquer sonho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Deve acontecer com todo mundo, é difícil escapar ileso. Os dias vão passando, há de se andar em alguma direção e a gente acaba empilhando nossos gravetos. O diabo é que existe o pensamento. Essa tormenta que nos faz questionar se vale ou não a pena manter a estrutura de pé.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Às vezes ele nos inquieta. Para azar ou sorte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando nos rendemos ao vilão e desmontamos tudo, depois do caos, precisamos reconstruir de alguma forma. Viver mais um pouquinho, de uma outra maneira. E assim a gente vai multiplicando as possibilidades até chegar àquela rotina mágica, que não se sabe se existe mesmo - pelo menos eu, me recuso a duvidar – em que a existência faz sentido. Quando a gente deixa de mastigar as horas como folhas de boldo e se quer devorá-las como uma sobremesa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112519576628570907?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112519576628570907/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112519576628570907' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112519576628570907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112519576628570907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/08/pequenas-armadilhas.html' title='Pequenas armadilhas'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112485343964339436</id><published>2005-08-23T20:01:00.000-07:00</published><updated>2005-08-23T20:27:07.086-07:00</updated><title type='text'>No lugar certo</title><content type='html'>O minuto dura 60 segundos porque 60 era um número ‘redondo’ para os sumérios (salvo engano), aprendi isso num jogo de conhecimentos gerais. É que eles acreditavam que o ano somava 360 dias (por pouco, não?), explicou-me o namorado de uma amiga, que é físico e estudou história da ciência na faculdade. Sim, é claro que ele ganhou a partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu fiquei pensando sobre a medição do tempo, nas unidades que foram estabelecidas por convenção, para delimitar o giro da Terra por seu próprio eixo, um dia, e o que o planeta faz em torno do Sol, 365 e seis horas – não podia ser uma conta exata? Talvez o tempo queira nos dizer alguma coisa e não ouvimos, ocupados que estamos na tentativa de controlá-lo. A propósito, você sabe que horas são? Aposto que tem alguma idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano, muita coisa foi publicada sobre Einstein, que, há um século, provou que o tempo, unidade historicamente tida como absoluta, é relativo. Eu sempre tive dificuldade de entender a teoria da relatividade e, só há alguns meses, comecei a ter noção do que se trata, depois de ler uma matéria superdidática sobre o assunto. Num suplemento infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais ou menos assim (ou talvez não seja): uma criança que percorre um trecho x a uma velocidade y sobre o solo da Terra fará a mesma tarefa (pelo mesmo trecho x à mesma velocidade y) num tempo diferente sobre o solo da Lua, ainda que se ignore a diferença de gravidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: o tempo varia quando se muda o lugar. Einstein, queira perdoar a simplificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa perspectiva emocional, pode-se dizer que o tempo é, portanto, diferente &lt;em&gt;em&lt;/em&gt; mim do que é &lt;em&gt;em&lt;/em&gt; você. Porque cada pessoa ocupa um lugar no espaço. Bem, isso não consta nos estudos do físico judeu: a conclusão é fundamentada nos argumentos irrefutáveis da minha precipitação. Mas... não deixe de me acompanhar, sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que o tempo passa rápido quando nos divertimos (ou estamos atrasados) e demora quando estamos entediados (ou na expectativa do fim de semana): porque varia o lugar em nós, terrenos mal-loteados de paz e ansiedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contagem do tempo sustenta-se sobre a frágil verdade das convenções. Quanto tempo dura um minuto? 60 segundos, sendo demais ou insuficiente. Poderiam ser dois ou 740. Cronômetros são inúteis. Relativamente inúteis: servem para coisas corriqueiras, como o forno de microondas, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, tempo não se conta e só serve para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Okay, também vale contar o tempo se for para celebrar. O Mini faz seu primeiro aniversário hoje. Façamos pedidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112485343964339436?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112485343964339436/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112485343964339436' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112485343964339436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112485343964339436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/08/no-lugar-certo.html' title='No lugar certo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112447630016562858</id><published>2005-08-19T11:28:00.000-07:00</published><updated>2005-08-19T11:31:40.173-07:00</updated><title type='text'>Remexendo a caixola</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Retirei do baú (do quartinho de bagunças, mais precisamente) meus velhos cadernos do 3º ano. De novo. O colégio se foi, mas nunca consegui abandoná-los. Sempre tive aquela vaga impressão, que alguns chamam de sexto sentido, de que ainda me seriam úteis. Pois é, decidi enfrentar outro vestibular.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um dia soube de cor cada uma das fórmulas e frases escritas ali - no meu caso, dois dias, ou melhor, dois vestibulares. Onde foi parar tudo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Folheando o caderno, entre "alotropias" e "heterótrofos", descobri que minha cabeça é uma espécie de caixinha onde fui depositando fórmulas, definições, palavras estranhas. Só que depois do vestibular alguém sacudiu e embaralhou tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estudar de novo naqueles velhos cadernos do segundo grau é como ir colocando tudo na prateleira certa. Me lembro que existe o "PiViTi=PoVoTo", mas quando mesmo é que se usa isso? Também me lembro que "&lt;b&gt;C&lt;/b&gt;abral &lt;b&gt;N&lt;/b&gt;ão &lt;b&gt;P&lt;/b&gt;ode &lt;b&gt;O&lt;/b&gt;uvir &lt;b&gt;S&lt;/b&gt;eu &lt;b&gt;Se&lt;/b&gt;rmão &lt;b&gt;F&lt;/b&gt;alando &lt;b&gt;Cl&lt;/b&gt;aramente &lt;b&gt;B&lt;/b&gt;obei&lt;b&gt;r&lt;/b&gt;a e &lt;b&gt;I&lt;/b&gt;diotices", mas seriam esses os ametais ou os alcalinos terrosos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estudar para o vestibular, para quem é reincidente, tem um cheirinho de vida nova misturado a vida velha. É um tempo perdido lendo coisas repetidas, decorando o que já se soube. Mas é também a expectativa de abrir as portas de um mundo novo e começar do zero.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um gosto que quem faz o vestibular pela primeira vez sente, mas de surpresa, e percebe só depois que acabou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112447630016562858?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112447630016562858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112447630016562858' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112447630016562858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112447630016562858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/08/remexendo-caixola.html' title='Remexendo a caixola'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112407619149037894</id><published>2005-08-14T20:21:00.000-07:00</published><updated>2005-08-14T20:33:29.380-07:00</updated><title type='text'>Problemático</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E o problema resolveu-se por si só, puf!, assim de repente. Era um problemão (hum, agora não sei mais se valia o aumentativo), que estava emperrando a minha vida e eu não sabia como resolver. O problema em questão não vem ao caso (perdão, não posso), mas isso nem é importante: o problema agora é que aquele velho problema não existe mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o meu problema foi resolvido, então qual é o meu problema? Problema nenhum, esse é o problema, entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vou tentar ser mais didático. Começo deixando claro que estou feliz por não ter mais de conviver com aquela situação. Problemática. Não sou masoquista, este problema eu não tenho. Só que o fim do meu problema gerou duas situações novas, ou melhor, dois probleminhas, com os quais tenho agora de lidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro, não tem jeito, vou ter de superar &amp;shy;&amp;shy;– é insolúvel. Isso de o problema ter-se resolvido sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, porque eu imaginava resolvê-lo eu mesmo, pessoalmente. Do meu jeito (okay, que ainda estava para descobrir qual seria). O fato é que eu alimentava uma fantasia sobre como assumiria o controle da situação. Como daria a volta por cima. Já tinha frases ensaiadas... Era problema meu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dei bobeira e o problema não esperou. Problemas podem demorar, mas não esperam. O problema resolveu-se sozinho (puf!), nem aí para os meus planos. A última palavra foi dele, do problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problema, volte aqui!, aonde o senhor pensa que vai?, quase disse na hora. Mas ele tomou a iniciativa e resolveu-se sem me consultar. Engoli meu orgulho: o mais importante era que ele desaparecesse, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, dei-me conta: o problema foi embora levando consigo a desculpa (à qual vinha me apegando tanto) de ter um problema. Um problemão. Eis o tal segundo probleminha gerado pela (auto)resolução do meu problema-matriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito complicado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você ainda está se perguntando de que raio de problema estou falando, perdão, não posso. E isso nem tem importância, acredite, porque o que quero dizer é justamente isso: os problemas não têm importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os problemas cotidianos (o videogame que os pais não dão, o professor carrasco, a paixão não-correspondida, o emprego que falta ou não satisfaz...) são desculpas que a gente usa para não lidar diretamente o problema maior: o que fazer com a vida. O que fazer do que se pode fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria vida é um problemão (ah-rá, aqui o aumentativo cabe bem). E, para ela, só existe uma boa solução, que é invariavelmente provisória: vivê-la, com atenção, coragem e desprendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a única solução definitiva (puf!) para o problema da vida a gente sabe qual é, sabe que não controla e sabe que não quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112407619149037894?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112407619149037894/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112407619149037894' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112407619149037894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112407619149037894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/08/problemtico.html' title='Problemático'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112364383815267386</id><published>2005-08-09T20:13:00.000-07:00</published><updated>2005-08-09T20:22:53.920-07:00</updated><title type='text'>Ao ponto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;‘Ou me amam, ou me odeiam’, já ouvi muita gente dizer, com uma pontinha de orgulho até. Pois eu, que não tenho gênio forte (e digo isso com uma pontinha de orgulho até), afirmo: a maioria das pessoas que me conhecem me acha &amp;shy;– ou não – simpático. Sem grandes arrebatamentos. Prefiro assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele discurso batido de ‘eu sou assim, o mundo que se adapte’ sempre me soou arrogante. Justo eu que sempre defendi vorazmente o amor essencial, o amor-próprio. Mas tenho essa resistência à intensidade. Forte, só capuccino. E, mesmo ele, nem com açúcar demais nem de menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não sou afeito a tragédias gregas nem comédias rasgadas. Que tal uma comédia dramática? Um drama cômico? Prefiro. Acho que o exagero transborda. E, por dentro, fica vazio. Exagero é falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca desejei um amor bandido. Sempre busquei (e consegui!) a sorte de um amor tranqüilo, atendendo à sugestão daquela música. Que não é bossa nem rock. Nada de brigas provisoriamente definitivas e reconciliações provisoriamente apaixonadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero explodir, só inflar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem crente nem ateu: agnóstico. Gosto dos médias-metragens. Pena que o formato não vinga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero celebridade, mas, por favor, lembre-se do meu nome nas festas: o anonimato também não me interessa. Quero ser eu e um pouco dos outros. Nem só um nem só outros. Como os budistas, prefiro o caminho do meio e também sigo preferindo um monte de caminhos que budistas talvez não aprovassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo não para a ingenuidade, não para o cinismo. Sim, para um pouquinho de malícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso viver intensamente. Também não pretendo desistir da vida. Nem açúcar demais nem de menos. Quero viver com sutileza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112364383815267386?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112364383815267386/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112364383815267386' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112364383815267386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112364383815267386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/08/ao-ponto.html' title='Ao ponto'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112325982353385341</id><published>2005-08-05T09:33:00.000-07:00</published><updated>2005-08-05T11:46:40.586-07:00</updated><title type='text'>Minha cota no "mensalão"</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma amiga não pode mais ouvir a frase "pela ordem, deputado. Pela ordem". Sua mesa no trabalho fica atrás da televisão da editora de política. Ouviu (e não viu) todos os depoimentos da CPI do "mensalão". Não dá para escapar ileso. Em algum momento você vai acabar se deparando com ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pois é, e foi lá, no meu programa preferido, o Saia Justa, que a CPI fez os maiores estragos. Explico. Rendeu dois dias de temas machistas e certa antipatia por uma das apresentadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A Mônica Waldvogel sugeriu que se discutisse por que as mulheres sempre descumprem pactos e traem a palavra dada e os homens não. O gancho? Elas, as mulheres de acusados pela CPI que foram convocadas para depor. Também colocaram em pauta o visual das moças com algum envolvimento nessa história toda.) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Até meu passatempo mais recorrente daquelas tardes monótonas, em que não há trabalho mas é preciso cumprir o expediente, foi infestado. Todos - absolutamente todos - os colunistas do site NoMínimo só falam disso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Minha tia assiste como seriado. Não perde um depoimento e adora a encenação do Roberto Jefferson. Toda vez que me encontra, comenta sobre os últimos capítulos e quer que eu opine.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O Mix Brasil criou um ranking para eleger os acusados (e acusadores) mais bonitos. Ah, aí a história começou a ficar interessante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Como não dá para fugir, a solução é essa. Encontrar no meio da chatice do tema um lado que se encaixe em nosso mundo. Vale para o "mensalão" e, por que não, para tudo mais que nos atormenta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112325982353385341?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112325982353385341/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112325982353385341' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112325982353385341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112325982353385341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/08/minha-cota-no-mensalo.html' title='Minha cota no &quot;mensalão&quot;'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112293719421336921</id><published>2005-08-01T15:54:00.000-07:00</published><updated>2005-08-01T16:05:18.136-07:00</updated><title type='text'>Hora desmarcada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;Sempre ouvi que, tempo para fazer o que se quer, a gente sempre arruma. Bem, isso funciona para ver tevê. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;Tenho tentado encaixar um horário para escrever na minha programação diária. Sim, escrevo todo dia no trabalho, mas isso implica escrever coisas &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; trabalho &amp;shy;&amp;shy;- o que significa muitas vezes escrever com a inspiração de outrem ou (hum, isto é terrível) sem nenhuma. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Quero um horário para escrever à toa, que é sempre o propósito mais definitivo. Um horário para escrever/pensar sobre a vida, sem diagramação preestabelecida nem prazo de entrega. Mesmo porque os fatos são sempre melhor retratados em crônica que em reportagens. Creio eu. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;Porque a vida real precisa às vezes de um toque de ficção para acentuar seu realismo (ainda que inventado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas me pagam para escrever reportagens e, por isso, tenho de arranjar tempo para escrever o que preciso fora do expediente. O problema é que tenho uma noção vaga de horas vagas. Achava que serviam para o repouso, os afazeres domésticos, as pendências burocráticas, os cuidados com o corpo, a distração dos sentidos e, principalmente, a expressão - com absorção - de afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse meu ócio anda muito compromissado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, tenho de encaixar um horário para escrever nessa grade  congestionada. O problema é que necessito que algumas das horas vagas permaneçam exatamente assim, livres, para eu me inspirar. Então, são dois compromissos extras (mas imprescindíveis): inspirar-me e escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li em algum lugar que, para escrever bem, é preciso organização e disciplina. Concordo. Apenas acrescentaria mais dois itens: confusão e rebeldia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;E, ah, mais um, de improviso: não exagerar tanto assim nas antíteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o problema é que o meu dia (o de todo mundo é mesmo assim?) tem apenas 24 horas, pouquíssimo tempo demais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;E eu sou só um e múltiplo e nenhum. E me atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112293719421336921?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112293719421336921/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112293719421336921' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112293719421336921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112293719421336921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/08/hora-desmarcada.html' title='Hora desmarcada'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112208990875996422</id><published>2005-07-22T20:35:00.000-07:00</published><updated>2005-07-22T20:38:28.766-07:00</updated><title type='text'>Mulherzinha demais</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Procurando entre pilhas de caderno na papelaria encontrei a série “menininhas”. Eram quatro modelos, em todos uma garota de rosto redondo, olhos pequenos e boca a sorrir em um risco ocupava o centro de uma capa colorida. O lilás foi o que mais me atraiu, pela cor de fundo. Mas não consegui comprá-lo. A garota era muito mulherzinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com o segundo preferido. A menina, mais descabelada, rodava bambolê. O caderno, para escrever meus textos, tinha de ser parecido comigo. Não conseguiria deixar aquela garota de salto alto e bolsinha de mão ouvir meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na papelaria que me caiu a ficha. Sempre tive rejeição a esses ícones femininos. Não gosto de maquiagem, me sinto estranha de saia, acho a Hello Kite (como se escreve?) uma bobagem e, desde criança arrancava da cabeça as fitinhas. Também prefiro os corpos magrelos, não pela ditadura da moda, mas porque dão uma certa neutralidade. Os mulherões são, na verdade, muito mulherzinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que mal há nisso, em ser mulherzinha? Não sei. Um dia fiz mechas loiras no cabelo. Odiei. Até que ficou bonito, mas me senti muito exposta. Parece que perdi aquela discrição que me permitia circular sem se notada enquanto observava o mundo. Vai mais ou menos por aí. Esses apetrechos todos me desarmam – basta uma argola ou (que terror!) um caderno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112208990875996422?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112208990875996422/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112208990875996422' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112208990875996422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112208990875996422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/07/mulherzinha-demais.html' title='Mulherzinha demais'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112177993239528895</id><published>2005-07-18T06:27:00.000-07:00</published><updated>2005-07-19T06:32:12.403-07:00</updated><title type='text'>Segunda-feira</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hoje é meu último dia de férias e, por mim, tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um pouquinho mais de um mês, assisti a uma peça por causa do título: ‘Parem de falar mal da rotina’, da poeta Elisa Lucinda. Ela propunha algo de que gosto muito, libertação – não da rotina, mas do pressuposto de que cotidiano é um coletivo de dias enfadonhos. Não precisa ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus amigos e eu voltamos para casa anotando mentalmente os conselhos da poeta. Todo dia pode ser uma estréia, todo dia pode ser uma estréia, dizia ela há tantos meses em cartaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me deixo facilmente influenciar pelo otimismo alheio. E, obviamente, tendo a acreditar que isso é bom. Tem sido. Comecei a prestar atenção na chuva (ou no sol), na conversa das pessoas no metrô, como foi sugerido. Às vezes, um contratempo abalava a minha concentração, mas eu estava ‘presente’ na maior parte do presente, como diriam os budistas. Presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, o medo dos dias foi diminuindo. O medo das broncas e das contas. Dias de semana passaram a se tornar o que na verdade sempre foram: dias da vida. Mesmo os plantões de fim de semana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de repente, acordar passou a ser um ótimo motivo para... acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí eu entrei em férias e me afastei bruscamente da rotina, a ex-arquiinimiga com quem acabara de fazer as pazes. Viajei, matei e senti saudade, conheci gente nova para sentir mais saudade. Aí voltou o medo. Como faria para amarrar o tempo no pé da cama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Férias são um tipo de liberdade parcial, uma espécie de regime semi-aberto. Você pode sair, mas tem de voltar. A boa notícia é que com o fim das férias inevitavelmente acaba o medo do fim das férias. Medo de perder a gente sente, mas medo do que já foi perdido, nostalgia, é tolice demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As férias acabaram, mas não vou falar mal da rotina, não. Amanhã é segunda-feira, dia de estréia: vou acordar mais cedo. Por mim, tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112177993239528895?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112177993239528895/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112177993239528895' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112177993239528895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112177993239528895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/07/segunda-feira.html' title='Segunda-feira'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111941627472023574</id><published>2005-06-21T21:43:00.000-07:00</published><updated>2005-06-21T21:57:54.726-07:00</updated><title type='text'>Caros leitores,</title><content type='html'>Estou em férias no trabalho e, por motivos práticos - além de um pouquinho de preguiça -, proclamo férias aqui no blog também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a escrever no dia 18 de julho, revigorado (tomara).  A Paty deve voltar a publicar suas crônicas até lá (né, amiga?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareçam. ;-)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Q.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111941627472023574?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111941627472023574/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111941627472023574' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111941627472023574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111941627472023574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/06/caros-leitores.html' title='Caros leitores,'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111872221642907929</id><published>2005-06-13T21:08:00.000-07:00</published><updated>2005-06-13T21:17:41.296-07:00</updated><title type='text'>O desfecho perfeito</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Festa animada: bebidas, aperitivos e parentes por todos os lados. O banheiro, sempre ocupado. Tento de novo. E de novo. E de novo. Refrigerante demais, eu sei, era dietético. Tento mais uma vez e, ups, perdão, tia. Não sabia que tinha gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Péssima combinação &amp;shy;– volto para a festa ainda apertado e com uma vontade quase incontrolável de rir. Com peninha da minha tia-avó, que certamente tinha ficado superconstrangida. Quando a vejo mais tarde, ela sorri com seu rosto moreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sorrio de volta, mandando meus recados: fique tranqüila, não vi muita coisa; ah, todo mundo faz xixi, tia; juro que não conto para ninguém (opa, parece que não cumpri a promessa, né?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai telefonou ontem para dar a notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Festa animada (outra, outra festa): bebidas, aperitivos, parentes e amigos por todos os lados. Gente da sua cidade, trazendo consigo lembranças tão doces. Gente que não via desde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perigosa combinação &amp;shy;– coração apertado e uma vontade quase incontrolável de sorrir. O mundo gira, ela ensaia um desmaio. Tragam água, não é melhor chamar um médico? Mas minha tia-avó é mulher forte. Recompõe-se logo, ajeita cuidadosamente o vestido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sorri com o rosto moreno, mandando seus recados: está tudo bem; sirvam a salada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Cinco minutos depois, ela morreu. Deixando todo mundo assim, confuso. Um pouco triste, um pouco feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sempre vi a morte como uma interrupção abrupta, um desfecho sem desfecho. E minha tia-avó morre de felicidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, eu me flagro com esse meu novo sorriso. Um sorriso pasmo, sem recados. No fim, que vingança boa, foi ela quem me deixou superconstrangido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111872221642907929?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111872221642907929/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111872221642907929' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111872221642907929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111872221642907929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/06/o-desfecho-perfeito.html' title='O desfecho perfeito'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111741659307715754</id><published>2005-05-29T18:22:00.000-07:00</published><updated>2005-05-29T18:29:53.083-07:00</updated><title type='text'>Matinal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De manhã, falta tempo; à noite, inspiração. Percebi que os temas expiram no correr da tarde. Temas para crônicas. Durante o banho matinal, tantas idéias... No caminho para o trabalho, personagens, sinopses, argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos dois: devo ser condescendente demais antes do meio-dia ou especialmente amargo depois que o sol se põe. À noite, diante do computador, toda a criação perde importância. Qual era mesmo aquela grande sacada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tentado decifrar esse fenômeno. Talvez eu devesse sair de manhã com um bloquinho à mão. Mas vou de ônibus para o trabalho e minha letra já é pouquíssimo legível em terra firme. Uso a memória como bloquinho, o que, tenho percebido, não garante melhor legibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu até me lembro de algumas idéias à noite, só não recordo mais por que eram importantes. Às vezes, persisto e escrevo sobre temas vencidos, passados, estragados. Porque só à noite eu, que vivo de escrever, posso discorrer sobre pautas próprias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a minha inspiração não tem senso de oportunidade. Não está nem aí para a programação estabelecida. Sabe que eu tenho meus compromissos, mas não quer se comprometer. Vem e vai (de manhã), a despeito de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu é que devo me submeter. Acordar mais cedo e me atrasar, o que for necessário. Porque, se a inspiração é uma urgência, adiar é desperdiçar. E eu não posso me dar a esse luxo.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111741659307715754?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111741659307715754/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111741659307715754' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111741659307715754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111741659307715754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/05/matinal.html' title='Matinal'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111724330442193162</id><published>2005-05-27T18:19:00.000-07:00</published><updated>2005-05-27T18:21:44.426-07:00</updated><title type='text'>E-mail resposta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A mocinha vive deixando de lado o mocinho. Ele, jurando amor eterno, sempre volta ao menor aceno. Um dia, depois de meses separados, a mocinha procura o mocinho. Ele não responde. Não atende telefonemas, não retorna os e-mails. Aí ela descobre que ele era o homem de sua vida. Na verdade, aceita. Saber ela já sabia. Roteiro batido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um belo dia chega uma mensagem. O mocinho, incomunicável, ainda existe e continua a jurar amor eterno. Ufa, alívio! Com um porém. Encontrou outra garota, que nunca o deixou de lado. Diz que não pode traí-la ou abandoná-la. Mas continua a pensar na mocinha, “a cada vez que respira”, diz a mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mãos atadas, ela apela ao roteirista. Não quer esperar décadas até reencontrá-lo e viver feliz para sempre, como terminariam todos os filmes românticos. Ela tem urgência. Ele, medo - ou preguiça de arriscar tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é o vilão da história? A mocinha, que depois de anos indecisa resolve querer o mocinho e fazer desmoronar toda a vida que ele construiu sem ela, ou ele, que mesmo sem ter a intenção de voltar cultiva as esperanças da mocinha com e-mails, raros, mas apaixonados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, cenas dos próximos capítulos. Que não prometo atualizar se não me for favorável...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111724330442193162?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111724330442193162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111724330442193162' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111724330442193162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111724330442193162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/05/e-mail-resposta.html' title='E-mail resposta'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111680413843115287</id><published>2005-05-22T16:20:00.000-07:00</published><updated>2005-05-22T16:27:20.470-07:00</updated><title type='text'>Um conselho</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O romance acabou e meu amigo me escreveu, tristonho. “Diz aí, como se faz para esquecer alguém?” Foi perguntar logo para mim, que tenho esse péssimo defeito: quando me pedem conselho, eu dou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase respondi automaticamente que, em relacionamentos, fim pode ser meio. Tenho uma lista de amigos, parentes e, okay, algumas experiências pessoais para comprovar essa tese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda cogitei dizer algo como: ah, não se preocupe, querido, logo surgirá outra pessoa. É lícito usar clichês para a nobre finalidade do consolo, não? Não estaria mentindo, estaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo é um ótimo partido, disso não duvido, mas quem sou eu para prometer não-solidão. Sugeri a que passasse mais tempo consigo mesmo, desfrutasse da própria companhia (que é boa, muito boa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se mimasse, se esbaldasse de ópera, que ele adora, e chocolate, que todo mundo adora e, dizem, é especialmente gostoso nessas horas. Que não colocasse sua felicidade, assim, nas mãos de quem perdeu, ainda que provisoriamente, ou – pior – de quem ainda pode (ou não) conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apaixonar-se por outra pessoa só é a melhor forma de se restaurar um coração partido se a nova razão do seu afeto for, adivinhe, você mesmo. Do contrário, muda-se o seqüestrador e você permanece refém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver junto é gostoso, das melhores coisas da vida, mas viver só não precisa ser um terror. É sério, não precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita ópera e chocolate para o meu amigo. Ele é uma graça, não consigo imaginar melhor cônjuge para si mesmo. Ele se merece, no melhor dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou orgulhoso do meu conselho, preciso confessar. E, desta vez, eu até gostei do papel (ridículo) de alcoviteiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111680413843115287?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111680413843115287/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111680413843115287' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111680413843115287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111680413843115287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/05/um-conselho.html' title='Um conselho'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111594809277158535</id><published>2005-05-12T18:32:00.000-07:00</published><updated>2005-05-12T18:34:52.776-07:00</updated><title type='text'>O diário de Drummond</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Gente, não tem a menor graça. As pessoas podem estar sorrindo, os lugares serem bonitos, mas ver álbuns de fotos de desconhecidos é muito chato. Aquele monte de gente abraçado que só muda de posição e de ordem não tem apelo quando as caras não são familiares. A empatia depende da proximidade – para o dono, elas são o máximo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever é mais ou menos como criar retratos de situações. E, dependendo do elenco de assuntos, o álbum de letrinhas pode ser divertido mesmo só para quem escreve – ou para poucos amigos. O difícil é descobrir em que mundo se escondem esses temas capazes de provocar identificação em todos. As tais fotos de exposição, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que olhe a minha volta, revire jornais e converse, quando sento para escrever um texto a tentação é falar sobre o que me aflige. Conflitos meus, que ficariam melhor em um diário, como os da adolescência – meninas ainda escrevem diários?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabam sendo textos tão confessionais que às vezes hesito em publicá-los. Pela exposição – sim, é verdadeira a frase dita por alguém de que para escrever é preciso estar disposto a se despir diante do mundo -, mas também pelo temor das palavras fantasmas. Nesses textos pessoais, talvez haja mais frases vagando na minha cabeça enquanto leio do que as realmente escritas na página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada linha digitada arrasta meu envolvimento com o tema, assim como o dono do álbum enxerga as fotos com toques de sua memória. E você, que lê o texto aí do outro lado, sem, como eu, conviver com aquele conflito o dia todo, saberá mesmo do que estou falando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O consolo, e a inspiração para esse post, veio de uma entrevista de Drummond. “Ao escrever poesia o que procurei fazer foi resolver problemas internos meus, de ascendência, problemas genéticos, problemas de natureza psicológica, de inadaptação ao mundo como ele existia. Foi a minha autoterapia. O resultado é esse.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, ao menos escrever sobre os próprios conflitos não é uma limitação de blogueira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111594809277158535?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111594809277158535/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111594809277158535' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111594809277158535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111594809277158535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/05/o-dirio-de-drummond.html' title='O diário de Drummond'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111578709903873908</id><published>2005-05-10T21:50:00.000-07:00</published><updated>2005-05-10T21:51:39.050-07:00</updated><title type='text'>O ator</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Acabo de assistir a uma entrevista com as Fernandas. Montenegro e Torres, mãe e filha, fantástica e maravilhosa. Eu adoro entrevistas de atores. Eles parecem se divertir tanto... Aí eu fico pensando: puxa, bem que eu podia ser ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de responder, ainda muito criança, sobre o que queria ser quando crescer: ator. As pessoas riam, achavam bonitinho. Mas eu queria mesmo. Tia, é sério, eu quero ser ator. Que gracinha, ele quer aparecer na televisão. Vai ser um Tony Ramos, vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu comecei a disfarçar o meu desejo. Pára com isso, tia. Estava brincando... Acabei perdendo a convicção. A gente acaba virando o que tenta parecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz teatro na escola. Passa-tempo, né? É, passa-tempo. O tempo passava mesmo muito mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uns professores chatos queriam que eu imitasse macacos e hienas nas aulas de improvisação. Não tem papel de gente? Eu era um ator limitado. Só queria interpretar humanos, o amador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, cogitei arquitetura e psicologia. Mas esses cursos não havia na federal, não. Meus pais cogitaram direito por mim. É ótimo para prestar concurso, meu filho. O que, é comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, eu escolhi jornalismo. Gostava de escrever. E gostava que lessem o que eu escrevia (só depois de muitíssimo bem revisado, claro). Deu nisso. Eu gosto, só que... ah... também há macacos e hienas no jornalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de vez em quando, eu entrevisto atores. E, de vez em quando, eu me canso de interpretar sempre o mesmo papel. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111578709903873908?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111578709903873908/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111578709903873908' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111578709903873908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111578709903873908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/05/o-ator.html' title='O ator'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111518042213210531</id><published>2005-05-03T21:16:00.000-07:00</published><updated>2005-05-03T21:27:32.880-07:00</updated><title type='text'>Nenhuma mensagem nova</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Empilhados no topo da caixa de mensagens, os e-mails novos aparecem com o assunto em negrito. E as listrinhas novas têm fundo branco (as antigas, um azul desbotado). Digo ‘listrinhas’ porque são colunas horizontais estreitas. Brancas quando as respectivas mensagens ainda não foram lidas, destacam-se das demais. Brilham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao me deparar com uma listra assim, sinto um friozinho na barriga. Alguém me escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por vezes, as listras são todas azuis. Nada novo no topo. Fico frustrado e o curioso é que geralmente não aguardo nenhuma resposta. Se escrevesse para alguém hoje, por exemplo, diria que esta tudo bem, tudo tranqüilo. A única pendência continua sendo... a vida. E, como não fiz nenhuma proposta, declaração ou convite, nem há grande expectativa sobre o que pode chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deveria haver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso mandar e-mails para recebê-los, eu sei. Envio poucos. Falta tempo, falta o que dizer. Falta saber exatamente que resposta eu quero obter. Hum, é isso: sinto falta das respostas de e-mails que nunca enviei. Digo isso numa perspectiva existencial. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma caixa de e-mails sem novidades é sinal de que, por hora, tudo vai continuar como está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todas as listrinhas brancas trazem boas novas. Nem todas trazem novas, aliás. Mas todas sugerem uma surpresa, uma transformação, uma reviravolta. Ainda que por breves instantes, numa fugidia propaganda enganosa. O momento antes do clique dura menos que um momento... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E daí? Tolice dispensar alentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, percebi, tolice maior é contar com eles. As mensagens da expectativa quase sempre vão para pasta das frustrações. Besteira armazená-las. Apagar para sempre? Sim, okay, tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor especular sobre os e-mails que eu mesmo desejo mandar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111518042213210531?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111518042213210531/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111518042213210531' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111518042213210531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111518042213210531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/05/nenhuma-mensagem-nova.html' title='Nenhuma mensagem nova'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111482801397440256</id><published>2005-04-29T19:19:00.000-07:00</published><updated>2005-04-29T19:26:53.976-07:00</updated><title type='text'>Roubei meu tempo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Antes da primeira letra, olhei as horas: 21h20. Penso quanto tempo vou demorar para escrever e o que vai me restar antes de dormir. São nesses minutinhos que posso ser eu mesma. Nas outras horas do dia que se arrasta, a sensação é de ter emprestado o corpo para outras tarefas – e ter de acompanhá-lo, por falta de meios de me desprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que nos últimos meses, da hora em que o despertador toca até quando é tarde demais para começar qualquer projeto – mesmo que seja pensar na vida – um compromisso dá lugar a outro e essa falta de tempo comigo mesma me asfixia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já foi diferente em outra época. A rotina era a mesma: consumia todos os minutos do dia para cumprir o programado e ainda me faltava tempo. Certa vez, uma amiga, cansada de conversar enquanto eu lia, escrevia ou fazia outra coisa, disse não entender como era possível. “Eu preciso de um tempo sem fazer nada, comigo mesma, ou então eu piro”, disse, sentada há horas fazendo e desfazendo suas trancinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora entendo. Foi uma época em que não havia essa divisão. As tarefas eram intermináveis, mas eu estava comigo o tempo inteiro, resolvendo as ansiedades de sonhos pendentes. Passei a fazer coisas e adiar para a noite os planos. E como o tempo foi ficando cada vez mais curto para eles, estou meio neurótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larguei a academia porque não queria desperdiçar as noites e chegar em casa só para dormir. Me sinto culpada de ficar vendo TV. E prefiro comprar algo a comer em casa. É quase uma paranóia acompanhar os ponteiros do relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, ter tão pouquinho tempo para mim, tem me feito enxergar com o que eu realmente gostaria de gastar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, a propósito, demorei 1h42  - com alguns minutos roubados por dois telefonemas que valeram muito a pena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111482801397440256?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111482801397440256/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111482801397440256' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111482801397440256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111482801397440256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/04/roubei-meu-tempo.html' title='Roubei meu tempo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111448254166506018</id><published>2005-04-25T19:19:00.000-07:00</published><updated>2005-04-25T19:41:57.866-07:00</updated><title type='text'>Bonita a sua letra</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A personagem da série de tevê respondeu assim ao elogio que o interlocutor fez a seu pezinho, desprevenidamente à mostra: ah, essa coisa velha?! Como se fosse um sapato esfolado – passível de desprezo &amp;shy;– e, não, uma parte do corpo &amp;shy;– passível de admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico impressionado como algumas pessoas reagem mal a elogios. Outro dia, no trabalho, comentei com uma colega como estava bonito o seu cabelo. Transtornada, ela rebateu com um discurso inflamado sobre fios ensebados e pontas arrebentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei me sentindo culpado por tocar no assunto. E vagamente convencido dos argumentos dela – talvez não estivesse mesmo tão bonita assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa minha colega acha que elogio é sinal de pena. Fiquei com pena dela ao perceber isso. Depois, fiquei com pena de mim – ela estava desprestigiando meu senso estético!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que acha que elogio é a falsidade sendo simpática. Pode ser. Acho mesmo que os elogios são mais eficazes à manipulação que as ofensas; estas geralmente suscitam reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elogios, hum, podem nos tornar reféns. Terrível é o medo de decepcionar quem nos admira. Mortal, o de desapontar quem nos inveja. Que feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga da minha mãe foi incumbida, certa vez, de escrever um cartão para a chefe em nome de toda a repartição. Todos se surpreenderam com a belíssima caligrafia da colega. Era ela agora, a Cida da letra bonita, quem preencheria os relatórios importantes, quem faria os cartazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Cida escrevia garranchos. A letra do cartão fora cuidadosamente dissimulada, desenhada em vez de escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elogio premiou a fraude, mas puniu a fraudadora. Cida passou semanas desenhando éfes com curvinhas e jotas com rabinhos até a confissão desesperada: minha letra, colegas, é horrorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, em particular, gosto de afagos. Mas decidi acreditar nos elogios da mesma forma como aprendi a receber as críticas – relativamente. Ouço com atenção, considero cada argumento. Mas, se, por fim, ainda houver dúvida, acredito só no que me convém.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111448254166506018?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111448254166506018/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111448254166506018' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111448254166506018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111448254166506018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/04/bonita-sua-letra.html' title='Bonita a sua letra'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111322320134882424</id><published>2005-04-11T05:23:00.000-07:00</published><updated>2005-04-11T05:45:16.886-07:00</updated><title type='text'>O meio-termo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A princesa era linda e bondosa. O povo aprovava com entusiasmo o casamento que a família real apenas consentia (sua alteza era princesa por vocação, não por descendência). A festa foi linda, no charmoso ano de 1981, com a presença de 600 mil penetras. Ou melhor, plebeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o príncipe não queria aquela princesa. Ela, alteza de uma elegância inata, sem sangue azul, era apenas o meio-termo. O acordo. A conciliação. O príncipe, orelhudo, já havia sido enfeitiçado pela bruxa, de dentes de cavalo. A mulher casara-se com outro – uma nora divorciada a rainha má jamais aceitaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o príncipe optou pela princesa-plebéia (plebéia, sim, mas de família rica). Não era uma princesa autêntica como mamãe queria, nem a bruxa comprometida a quem realmente desejava. Era o meio-termo, o acordo, a conciliação. No mais, a opção que o povo aprovava. Ah, a princesa era tão linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a decisão sensata. Como o jovem de vocação artística que estuda arquitetura para não se submeter à engenharia. Mas vai aposentar os pincéis do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O príncipe foi infeliz; a princesa, também. Ele a traiu, claro, com a bruxa; ela o trocou pelo trabalho assistencial. O príncipe queria salvar seu coração; a princesa, o mundo. Ninguém ficou para salvar o casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público chorou. Os cônjuges, nem tanto. É que os plebeus (ou melhor, penetras) haviam se afeiçoado àquele folhetim real (e real), a despeito da angústia dos protagonistas. Sem um rumo certo para a sua personagem, a princesa, pobrezinha, morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida às vezes parece ficção de má-qualidade: se o roteirista não sabe o que fazer com mocinha, corta logo ela da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram o príncipe e a bruxa, agora desimpedidos. Finalmente livres da princesa bondosa, que só lhes fazia contraste. Os tempos mudaram e a rainha má já não mandava em mais ninguém. O meio-termo foi deposto. A conciliação, desfeita. O acordo, revogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O príncipe feio e a bruxa sem charme casaram-se, enfim, 33 anos depois. Os plebeus não ligaram (nem compareceram). E pensar que, tão apaixonados, ficaram separados por mais de três décadas... Apenas um fôlego de coragem, logo ali, no comecinho da história, foi tudo o que faltou. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111322320134882424?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111322320134882424/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111322320134882424' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111322320134882424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111322320134882424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/04/o-meio-termo.html' title='O meio-termo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111257594114185175</id><published>2005-04-03T17:49:00.000-07:00</published><updated>2005-04-10T12:37:42.263-07:00</updated><title type='text'>Querido Admirador Secreto,</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Anda sumido, moço. Deixava recadinhos para mim com tanta regularidade, acabei me acostumando com a atenção. Mas você desapareceu. Sem ao menos deixar uma carta de despedida... Anônima, que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico me perguntando se você está bem. Esse lance de identidade secreta atrapalha nossa relação, rapaz. Você some assim, eu fico preocupado. Acaso foi atropelado? Ai, espero que tenha sido apenas uma gripe. Olha, toma um chazinho de gengibre com limão (minha mãe diz que é ótimo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que você volta? Puxa, nem tivemos chance de conversar. Eu queria saber de onde você me conhece. E também... ah... tipo... do que exatamente você gostou em mim. Conta, vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma curiosidade minha. Mande-me um bilhetinho sem assinatura. Sabe que eu até gosto do seu anonimato? Pois é, eu gosto. No melhor dos sentidos, prazer em não conhecê-lo. Assim a gente não estraga as coisas, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também queria entender por que você sumiu. Fala a verdade &amp;shy;– o problema é o meu cabelo? O pior é não saber quando me vê. Talvez você tenha encontrado outra pessoa (hipótese que prefiro à do cabelo; arranha menos a auto-estima). Alguém para amar confessamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for isso, boa sorte, querido. Eu amo alguém, você deve saber, e recomendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou me lembrar com carinho da nossa história não-acontecida. Os amores perfeitos são como o nosso, imaculado. E isso, nós dois devemos a você, que nunca se apresentou. Mas os amores imperfeitos são melhores, você vai ver. É um desses mistérios da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só espero que a nova razão do seu afeto esteja à minha altura. Brincadeirinha... Que esteja à sua.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Obrigado por tudo. Beijo e até. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111257594114185175?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111257594114185175/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111257594114185175' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111257594114185175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111257594114185175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/04/querido-admirador-secreto.html' title='Querido Admirador Secreto,'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111240660106566349</id><published>2005-04-01T17:47:00.000-08:00</published><updated>2005-04-01T17:50:01.066-08:00</updated><title type='text'>Aquele dia que nunca chega</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O título, já vi em algum lugar - agora não lembro. Mas ele nunca foi tão meu. Estamos prestes a nos mudar de apartamento. Um ‘prestes’ que se arrasta e nunca se concretiza. Escolhemos um aqui, outro ali. Nunca chegamos ao perfeito: em um não cabe a máquina de lavar, o outro é longe de tudo, tem o caro demais e o barato demais - que alugaram na nossa frente, claro. E assim, de tentativa em tentativa, adiamos a mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que no fundo, a ansiedade que sinto nem é pelo endereço novo. É mais por uma ‘Patrícia’ nova. Parece que dentro das portinhas do armário (que ainda nem compramos) vai estar guardada aquela vida que eu sonhava para mim quando brincava de boneca – com os devidos acréscimos que vieram com os anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente inventa que ainda não é o que deseja ser porque está com a roupa errada, ou no trabalho errado, ou na cidade errada, ou até na casa errada. E aí arrasta a ilusão de que um dia, como num passe de mágica, o ‘eu’ certo vai vir com o caminhão de mudança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que esse dia, com tudo certinho como a gente pensou, nunca chega. E adiamos planos, escondemos fraquezas, com a certeza de que os culpados não somos nós, mas as circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei um jeito de conter a ansiedade. Não me preocupo mais em saber onde vai ser meu novo quarto. Decidi me encontrar neste mesmo e me levar para onde eu for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempo. O título é de um livro de Luis Fernando Veríssimo, que está bem ali ao lado na minha prateleira, “Aquele estranho dia que nunca chega”. E ainda em tempo. Acabamos de ligar para a imobiliária, parece que o tal dia da mudança chegou. Ao menos dos móveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111240660106566349?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111240660106566349/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111240660106566349' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111240660106566349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111240660106566349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/04/aquele-dia-que-nunca-chega.html' title='Aquele dia que nunca chega'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111198385438519404</id><published>2005-03-27T20:21:00.000-08:00</published><updated>2005-03-27T20:24:14.390-08:00</updated><title type='text'>Funcionário da vida</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu deixaria as compras do fim de semana para a segunda. As notícias do domingo, para terça. Informação com nostalgia... De madrugada, buscaria a pizza eu mesmo. Ou me contentaria – feliz – com macarrão instantâneo. Enviaria cartas com a antecedência necessária. E esperaria pacientemente pela encomenda que estivesse para chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o expediente e ainda não passei pelo caixa? Colocaria tudo de volta no lugar e voltaria no dia seguinte, depois das dez. Suportaria a febre alta em silêncio, debaixo dos meus cobertores, sem incomodar ninguém – há emergências mais emergenciais, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O expediente de um certo banco agora vai das nove às dezoito, informa o comercial. Os outros vão ter de imitar, funciona assim. Fiquei mais triste pelos bancários que feliz pelos clientes. Continuaria me arranjando das dez às quatro, sem reclamar, eu juro. Eu até ‘juros’, caso necessário, numa boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriria mão do controle de qualidade, do serviço de atendimento ao cliente, do plantão de dúvidas, da pronta-entrega. Só para que as pessoas trabalhassem menos, não houvesse horas extras nem plantões de domingo. Para que não se perdesse tanta vida ao ganhar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pagaria mais pela previdência social. O dobro, o triplo, para me aposentar mais cedo. Eu ganharia menos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, salário é suborno e trabalho, produto de extorsão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, conversando com amigos sobre prêmios lotéricos, dei-me conta sobre minha aspiração de milionário. Viagens? Carros? Imóveis? Não, não, não. Eu compraria o meu tempo. Investiria em fins de semana sem plantão. Aplicaria em sessões vespertinas de cinema às quintas-feiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me contrataria para viver. E pagaria muitíssimo bem.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111198385438519404?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111198385438519404/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111198385438519404' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111198385438519404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111198385438519404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/03/funcionrio-da-vida.html' title='Funcionário da vida'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111179077709185867</id><published>2005-03-25T14:42:00.000-08:00</published><updated>2005-03-25T14:46:17.093-08:00</updated><title type='text'>Esse menino...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ele está com 30 anos e mais comportado, uma pena. Adoro como ele banaliza as convenções. Acabo de assistir a uma entrevista com o André Gonçalves e o apelo é irresistível. Afinal, ele é a única pessoa a quem eu me prenderia com algemas sem me importar com a chave. É que, no fundo, eu queria ter a vida dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, tá, tá. Já vou explicar de onde vem toda essa babação pelo menino. Um dia, ainda garoto, ele teve de fazer um teste para entrar no elenco de uma peça (ou de um curso). Pediram aos candidatos que imitassem alguém envergonhado que tivesse feito xixi na calça. Simples de resolver: no palco, ele fez de verdade. Ganhou o papel (ou a vaga, não recordo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namorou das mais novinhas às mais velhas. Casou e descasou e casou de novo e deixou no rastro um bando de filhos, um com cada uma delas. Sua frase preferida dita a Marília Gabriela: “Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure”. Combina – com a inconstância de seus sentimentos exagerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a uma peça em que ele pulava do palco, de uma plataforma de segundo andar, bem em cima da platéia. E saía correndo, se apoiando no encosto das cadeiras até chegar ao fim da última fila. Era só para anunciar o intervalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o braço de alguém estivesse no encosto? E se o diretor não gostasse do xixi? E se os filhos dessem trabalho e muita despesa? Ele simplesmente faz, com ares de quem nem percebe que está quebrando todas as regras. E nós, sempre tão precavidos, morremos de inveja dessa liberdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111179077709185867?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111179077709185867/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111179077709185867' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111179077709185867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111179077709185867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/03/esse-menino.html' title='Esse menino...'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111135516831541427</id><published>2005-03-20T13:43:00.000-08:00</published><updated>2005-03-20T14:24:07.500-08:00</updated><title type='text'>Nossa casa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Começou quando vimos o tal jogo de sala na loja. Eu vi com o sofá verde; ela, com o azul. Em dias diferentes. A mesa, branquinha, com cadeiras alaranjadas, era a mesma. A sala dos nossos sonhos, confortável e irreverente, no segundo piso da loja. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pronto, agora só faltava o apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou, encontramos um. Encontramos o. Dois quartos, dois banheiros, localização estratégica e uma vista linda. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não era perfeito, não: por fora, o prédio estava bem desgastado e eu definitivamente não gostei dos elevadores. Nossa primeira providência seria trocar a plaquinha da porta – o número 114, tão simpático, poderia ser mais fotogênico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corretor era meio ríspido: fiador de São Paulo. No máximo, da Grande São Paulo. Não pode ser do Rio? E de Campinas, logo ali? No máximo, da Grande São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a gente não precisaria morar com ele, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o nosso apê: o lar dos melhores amigos, enfim. O cenário para nossa sala verde-ou-azul com alaranjado. Para as nossas sessões de jogos, vídeo, conversa fiada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fachada nem é tão importante... E, qualquer hora, tenho certeza, trocariam os tapetes dos elevadores. Eu poderia ser síndico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela luminosidade. O computador ficaria perto da janela, combinamos assim. Quando faltasse inspiração, poderíamos mirar a cidade, à caça de um tema para a crônica, à caça de um tema para a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mais, a máquina de lavar caberia direitinho na área de serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso apartamento, a nossa casa. Com uma nova plaquinha na porta e muitos convidados para jantar. O banheiro azul, a gente decoraria de branco. O cinza, ah, este com acessórios bem coloridinhos. Minha mãe, que viria nos ver em maio, ia adorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos ao encontro do corretor mal-humorado. Arranjamos o fiador, moço! E tínhamos arranjado todos os móveis, todos os quadros, todas as visitas, todos os hóspedes, todos os jantares, todas as madrugadas de insônia feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe, mas já há alguém com toda a papelada. Às nove da manhã de uma quarta-feira, fomos despejados, sem aviso prévio, do lar que sempre foi nosso e onde nós nunca moraremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz mal, não. A gente decora nosso sonho outra vez. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111135516831541427?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111135516831541427/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111135516831541427' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111135516831541427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111135516831541427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/03/nossa-casa.html' title='Nossa casa'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111056615315556119</id><published>2005-03-11T10:31:00.000-08:00</published><updated>2005-03-11T10:35:53.156-08:00</updated><title type='text'>Traída pelos olhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Alguém neste mundo não conhece a Sharon Stone? Pois é, eu. Acho que tenho uma falha genética, não consigo memorizar fisionomias. Vejo filmes com um mesmo ator e muitas vezes só descubro isso quando sobem os créditos – ou quando um amigo comenta que a atriz tal, daquele filme da semana passada, estava irreconhecível (o que me consola...).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Já fui motivo de várias crises de riso. Uma delas foi quando perguntei quem era a Cher. Criei várias estratégias e consigo fugir dessas perguntas embaraçosas para não parecer tão ridícula. Mas, de um tempo para cá, resolvi assumir minha deficiência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;O problema é que as enrascadas em que me meto por essa falta de memória visual não são apenas discussões sobre filmes. Lembro de uma vez em que trabalhava no jornal de minha cidade (Volta Redonda) e precisei cobrir um evento sobre o dia da imprensa. Teria de entrevistar todos os "famosos" da região que estivessem por lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Entrei em pânico. Se a Luana Piovani (já aconteceu!) pode passar ao meu lado e nem ser notada, os "conhecidos" da região só seriam abordados se levassem plaquinhas com identificação. E eis que avisto uma suspeita – prefeita de Barra Mansa (cidade vizinha?). O jeito foi me fazer de boba e consultar uma pessoa mais normal: "ué, vim lá do outro lado, parece que vi a Inês Pandeló por aqui, não era ela?". "Ah, sim, ela está logo ali", ufa, consegui a informação. Muitos outros devem ter escapado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Mais. Não guardo o rosto dos pretês de minhas amigas e nunca sei quando eles passam. Descubro, atrasada, pelas bochechas ruborizadas. E, pasmem, não me lembro do rosto dos meus! Já me vi chocada tentando entender por que eu quis encontrar de novo certos garotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi só uma confissão. Se alguém se identificar, ou conhecer outra pessoa assim, por favor, me avisem. Eu nunca encontrei ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111056615315556119?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111056615315556119/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111056615315556119' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111056615315556119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111056615315556119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/03/trada-pelos-olhos.html' title='Traída pelos olhos'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-111025637802544596</id><published>2005-03-07T20:22:00.000-08:00</published><updated>2005-03-07T20:32:58.030-08:00</updated><title type='text'>Inveja dos bebês</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É preciso ter força de vontade, mas é dificílimo resistir à força da vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tentado reduzir o tempo que passo na Internet, tomar menos sorvete, exercitar-me todos os dias, escrever com mais regularidade... Poucas vezes as coisas que quero fazer são as mesmas que acho importante fazer. E, às vezes, acho importante fazer simplesmente o que quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas queria querer outras coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho inveja dos bebês. Que vivem para comer, dormir e serem ninados. Vivem em função do prazer, do estímulo dos sentidos, da satisfação de necessidades primárias. E o melhor: sem culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, não: fico me martirizando. Porque deveria fazer mais palavras-cruzadas para estimular a memória. Mas prefiro dormir meia hora a mais. Porque só deveria colocar o amaciante no segundo enxágüe. Mas escolho assistir aos Simpsons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Id e superego: queiram, por gentileza, entrar em acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li em algum lugar que esta é uma geração hedonista. Não sei, não. Prazer com culpa, conta? Culpa devia ser atenuante. Ou agravante, nem sei. Culpa é a consciência propositalmente tardia do erro. A culpada é a culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crônica ainda está curta, mas eu quero terminá-la agora. Bateu uma preguiça... Não posso: tenho de desenvolver a idéia. Onde já se viu? Parágrafos de uma linha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problema nenhum, oras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-111025637802544596?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/111025637802544596/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=111025637802544596' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111025637802544596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/111025637802544596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/03/inveja-dos-bebs.html' title='Inveja dos bebês'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110956268134525916</id><published>2005-02-27T19:42:00.000-08:00</published><updated>2005-02-27T20:00:28.986-08:00</updated><title type='text'>Não quero dormir, não quero acordar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Li em algum lugar que pode ser hipoglicemia. O fato de eu acordar meio triste todas as manhãs. Ou quase todas. A pessoa fica sem se alimentar por horas (as horas de sono) e acorda melancólica. Normal, dizem os médicos. Se chupasse uma balinha no meio da noite, talvez salvasse meu humor matinal. Mas ficaria, provavelmente, cheio de cáries.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho acordado meio deprê ultimamente. E sem nenhuma razão aparente. Então, culpo a falta de açúcar. No decorrer do dia, fico melhor, volto a ser eu mesmo. Ao cair da noite, que surpresa, viro um otimista cafona. Isto é, uma hipérbole de mim mesmo. Será porque abuso nos doces? (Tenho mania de repetir a sobremesa. E, na seqüência, repetir a repetição.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, gosto de dormir tarde. À noite, eu sou feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria que fosse ao contrário. Acordasse cheio de entusiasmo, com energia para cantar no chuveiro, ir à academia, sorrir para as pessoas, trabalhar, viver. E fosse murchando no decorrer do dia. Ficaria introspectivo à tarde. À noite, finalmente, eu me recolheria, para adormecer com a minha dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um personagem de um filme disse que se tem de acordar todos os dias como se fosse de propósito. Ah, queria eu acordar com essa convicção... Mas aprendi a ficar enrolando na cama depois que o despertador toca. Para tomar coragem. Vinte e cinco minutos depois, levanto-me ainda covarde, só pela urgência do atraso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta noite, vou programar o despertador para tocar às quatro da manhã e comer um docinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110956268134525916?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110956268134525916/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110956268134525916' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110956268134525916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110956268134525916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/02/no-quero-dormir-no-quero-acordar.html' title='Não quero dormir, não quero acordar'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110928991253139673</id><published>2005-02-24T16:01:00.000-08:00</published><updated>2005-02-24T16:05:12.533-08:00</updated><title type='text'>Reencontro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Há seis anos, mudei meus caminhos e nunca mais estive com ele. Foi um fim repentino quando toda a vida que eu queria era aquela. A nova rotina impôs o desencontro. Enfim, aceitei. E fiquei de longe a me lembrar daquele caso. No fundo, eu sabia que teria volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada surgiu a possibilidade do reencontro. Fiquei apreensiva (para não dizer apavorada). Deixei os meses se arrastarem e adiei tanto... Será que devo agora? A tormenta durou dias. Tive medo de já ser diferente, de não reconhecer tudo o que vivi. Não queria macular uma época de sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a dúvida era se teria disposição para construir de novo aquela história. Estava certa de que bastariam dois segundo, bem de perto, para ser novamente fisgada. E não sabia se estava preparada para o caos que se torna minha vida – ele distorce minhas certezas e faz meus olhos ver outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando o deixei para trás, também sabia que não estava preparada para seguir sem ele. A sensação foi de ir murchando aos poucos, ir sentindo a vida perder o encanto até entrar na rotina chata de quase todo mundo deste mundo. Sempre quis tudo de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um impulso me levou a marcar a data. Ficaria de novo cara-a-cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado de manhã lá estava eu. Subi no palco com o pé direito. E não sei se posso mais ficar longe da coxia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110928991253139673?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110928991253139673/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110928991253139673' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110928991253139673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110928991253139673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/02/reencontro.html' title='Reencontro'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110904601732721621</id><published>2005-02-21T20:17:00.000-08:00</published><updated>2005-02-21T20:39:41.103-08:00</updated><title type='text'>Armadura de papel</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Acabo de sair de uma gripe. Dessas que parecem doença terminal. E, ontem, meu namorado, que pegou a tal gripe, pobrezinho, fez um comentário que não consigo esquecer. Incomodado com uma febre que simplesmente não passava, disse que se sentia preso no próprio corpo. “Deve ser assim que os velhinhos se sentem, né?” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É, deve ser assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim de semana, uma amiga me mostrou um trecho de uma matéria de jornal sobre eutanásia. Não estou pretendendo insinuar que gripe seja uma situação de passível de eutanásia, embora exageros do tipo sejam bem coisa minha. Já me explico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que a reportagem narrava o caso de um homem acamado, prestes a perder a capacidade de comunicação, que se despedia da mulher com um bilhete: “Eu te amo. Não sabe como é triste perceber você tão perto e eu, já tão distante.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando nisso, na fragilidade do corpo, a despeito do quão forte seja a essência. Teria razão Adélia Prado? Sem o corpo a alma não goza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência neste mundo indica que sim. Que uma personalidade precisa invariavelmente de um corpo – jovem, de preferência – para se expressar. Para existir. Ah, que inveja dos religiosos e sua certeza de eternidade... Sua certeza de que o corpo é um meio passageiro, sim, mas substituível. Ou descartável, no tempo certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu chefe encomendou uma matéria sobre o projeto da roupa robótica, uma espécie de armadura eletrônica para paraplégicos, tetraplégicos e amputados. Funciona por meio de microeletrodos implantados no cérebro. Os membros artificiais responderiam a comandos da mente, tal como os naturais. E, segundo um dos médicos com quem conversei, no futuro o corpo robótico poderá reproduzir até sensações táteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a fantasia do Robocop não aquieta minhas angústias, ainda que proporcione até o calor de um abraço. Fico apreensivo só de pensar nos microeletrodos. Abstenho-me do metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que lembre, a cada gripe, que o corpo que me conduz pode, numa hora dessas, me prender, me perder, me inviabilizar. Como aconteceu com aquele homem da matéria de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me pergunto para onde é que se vai, assim sem sair do lugar, quando já se está "tão distante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110904601732721621?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110904601732721621/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110904601732721621' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110904601732721621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110904601732721621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/02/armadura-de-papel.html' title='Armadura de papel'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110834824444300962</id><published>2005-02-13T18:25:00.000-08:00</published><updated>2005-02-13T18:41:20.686-08:00</updated><title type='text'>Dá tempo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Hoje, durante o passeio no parque, conversamos sobre o que ainda gostaríamos de aprender. E eu usei mesmo esse ‘ainda’, como se, aos 25, me restasse pouco tempo. Não resta. Ao menos a princípio, e por princípio meu, não resta pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto quando alguém diz que, para fazer carreira no balé, se tem de começar quando você ainda nem sabe escrever ‘balé’. Quer se um grande pianista? Amiguinho, se tem mais de 12, olha, não vai dar, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Okay, nunca aspirei ser bailarino nem tocar piano, mas gostaria de ter essas possibilidades à mão. Eu sempre soube: nunca se sabe, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero aprender a cozinhar, tirar fotos, falar espanhol, andar de patins, cantar &amp; dançar, tocar violão, contar histórias (e, desta meus amigos vão gostar, ouvi-las com mais atenção), falar devagar, falar na hora certa, desenhar, pintar e, não menos importante, mexer a orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter esquecido alguma coisa... Outras eu ainda vou descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que se precisa de tempo para se aprender a identificar o que, de fato, se quer aprender. Aos 10, eu queria ser engenheiro. Que bom que não me deram ouvidos... E sorte minha não ter mencionado a ginástica olímpica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que a aspirante à bailarina de 5 anos e eu daqui a pouco, aos 47, começaríamos a primeira aula na mesma situação, sem saber dançar. Tá, preciso admitir, há a tal questão da flexibilidade no balé. Mas não digam que não posso &amp;shy;– a maior inflexibilidade é esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, lembrei o que esqueci: quero aprender a nascer de novo. Para todas as vezes que me disserem que é tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110834824444300962?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110834824444300962/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110834824444300962' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110834824444300962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110834824444300962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/02/d-tempo.html' title='Dá tempo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110808954935503956</id><published>2005-02-09T23:55:00.000-08:00</published><updated>2005-02-10T18:42:15.766-08:00</updated><title type='text'>Desamor</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando pequena, com cinco ou seis anos, tinha uma cabaninha, daquelas de pano e madeira. Quase que só eu cabia lá dentro. Eu e meus bonecos de argila, moldados na sala da escola. Passava horas ali, organizando o povoado que só crescia. Apeguei-me a eles. Não queria que tivesse fim, era insuportável pensar que um dia pudesse acabar aquela rotina de viver na cabana com meus novos companheiros de cara marrom e roupas coloridas. Sofria com a idéia de que ficariam duros, quebrariam ou seriam jogados fora na próxima faxina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como veio, um dia foi embora esse desejo desesperado de nunca ficar sem. E, acho que antes de serem destruídos, eu já nem me importava mais com eles. Não me lembro bem o que veio antes, o fim dos bonecos ou o fim do apego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos passaram e ganhei bonecos do meu tamanho, roupas nem sempre tão coloridas e rostos com os mais diversos tons. As cabanas também já não eram de madeira, cada um deles tinha a sua – alguns até moraram comigo. Fui encontrando pessoas na vida, mas nenhuma me despertou o encanto dos bonecos de argila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia encontrei uma criaturinha como aquelas. Voltou tudo. O apego, o medo de perder, a vontade descontrolada de só ficar ali, com ele por perto. Tive a certeza de que nunca passaria. Passou, assim como veio: sem explicação ou data certa. E foi bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui sair da cabaninha de novo e descobri que os bonecos de argila existem sim, mas eles vão e vem e somem e voltam mais uma vez, de diferentes formas, com diferentes rostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre quis escrever sobre o amor. Nunca passou de duas linhas. É tão difícil. Escrevo sobre o desamor – e deixo o amor em sua sombra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110808954935503956?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110808954935503956/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110808954935503956' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110808954935503956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110808954935503956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/02/desamor.html' title='Desamor'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110748435234428605</id><published>2005-02-02T18:29:00.000-08:00</published><updated>2005-02-03T18:35:08.970-08:00</updated><title type='text'>Pequenos rituais </title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dois de fevereiro é dia de... comer lentilha. Tá, também é dia de Iemanjá. Passei minha folga cozinhando os tais grãozinhos achatados só para sentir o gosto de um hábito que arrasto da infância. A simpatia é para juntar dinheiro o ano todo. Segundo minha mãe, “não falha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pequena, nem gostava muito. Comia só uma colher, meio empurrada. Depois, passei a adorar. Esperava com ansiedade o ano inteiro. Até hoje não sei por que minha mãe só fazia lentilha na data da simpatia. E ficava aquele gostinho, de comida com dia certo – como rabanada no Natal e ovos de chocolate na Páscoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não me recordo quem ensinou a ela (ou a meu pai) – a sensação é de que o mundo já era assim quando nasci. Um tacho enorme de lentilha na cozinha e um ritual que a cada ano agrega mais adeptos. Uma panela vai para aquela vizinha de frente que sempre pede, a outra para a professora que também gosta, uma vasilha para minha avó – e lá todos os tios comem -, tem a amiga que, sem falhar, vem de Mendes só para provar um pouquinho, e assim vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já peguei minha mãe ao telefone: “meu filho, vai dar meia-noite, você não vem para casa? Oh, ainda não comeu lentilha”. E ele veio, a tempo. Ontem meu pai me ligou, era só para lembrar que eu precisava comer lentilha hoje. Como se eu pudesse esquecer a data que tanto esperava na infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se acredito na simpatia? Não sei, talvez não. Mas adoro esses pequenos rituais que nos fazem estar mais próximos, mesmo aqui, a tantos quilômetros de casa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110748435234428605?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110748435234428605/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110748435234428605' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110748435234428605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110748435234428605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/02/pequenos-rituais.html' title='Pequenos rituais '/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110714048921319840</id><published>2005-01-30T18:57:00.000-08:00</published><updated>2005-01-30T19:08:37.183-08:00</updated><title type='text'>Obrigado, garoto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu malho às segundas, quartas e sextas. Quando posso (ou consigo), às terças também. Portanto, em três ou quatro dias da semana, encontro-me com uma das pessoas mais gentis e simpáticas que já conheci – o recepcionista da academia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um garoto. Ou talvez seja como eu, um adulto com cara de garoto. Puberdade inacabada... Pois é, o tal garoto (acabo de me dar conta de que não sei o nome dele!) parece ter uns 14 anos. Mas talvez tenha 25, nunca se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente se vê rapidamente, enquanto passo pela catraca. Eu digo bom dia e ele, bom dia pra você também. Eu invariavelmente me atrapalho ao tirar o cartão magnético do plástico, que gruda, gruda mesmo. Ele ri de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, o ritual varia. Ele se oferece para ajudar, eu aceito, e fico a observar sua especial habilidade para tirar cartões magnéticos de envelopes plásticos que grudam. Ou ele oferece ajuda, eu digo algo como pode deixar comigo, e ele fica a observar a minha total falta de habilidade para desgrudar o cartão do plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ri de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o garoto sorri para mim. Meu comportamento seria, sim, passível de riso. De fato, não sei me comportar em academias (alguém sabe?). Perco a dignidade. Mas ele não me deprecia, não. Contempla, aceita. Parece até que se comove com a minha falta de jeito. Sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, se vez ou outra nos cruzamos pela academia, ele sorri novamente. Na hora, eu sempre me pergunto se fiz alguma coisa errada, se a touca de natação está ao contrário ou se vesti as luvas da musculação do avesso. Mas ele não ri, sorri, eu esqueço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 14 anos, eu maldizia as espinhas. Se já trabalhasse, especialmente atrás de um balcão, maldiria o mundo. Mas meu conhecido da academia, não. Ele sorri. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Li não sei onde que simpatia persuade sem eloqüência. Assim, sorrindo, ele me convence, sem esforço, de que está tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, na saída, o garoto estava com os cotovelos apoiados no balcão, massageando o centro da testa com as pontas dos dedos. Quando me viu, adivinhe, sorriu. E disse: dor de cabeça, sabe como é. Ah, eu sei. Melhoras! Ele sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora também sorrindo. Inspirado. E torcendo para que a dor do meu amiguinho passasse logo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110714048921319840?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110714048921319840/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110714048921319840' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110714048921319840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110714048921319840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/obrigado-garoto.html' title='Obrigado, garoto'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110686789730928187</id><published>2005-01-27T15:14:00.000-08:00</published><updated>2005-01-27T15:22:27.590-08:00</updated><title type='text'>Nunca e sempre </title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A maldita perguntinha das entrevistas de RH, quase todo mundo já ouviu: qual é seu pior defeito? Alguém sabe responder? O meu muda, sempre, sempre. Não a resposta dada, mas a crença íntima naquele que acredito ser o mais grave. Muda tanto que descobriram por mim o de verdade: a inconstância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher volúvel. Podem me chamar assim. Mas, ao contrário do que a expressão sugere, essa inconstância tem mais a ver com apego do que com desapego. Incoerente? Então vamos lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entender esse troca-troca de certezas absolutas que não resistem ao passar dos dias – ou das horas – é preciso saber que por trás da mudança tem sempre uma aflição inconsciente: o medo de que a vida termine e eu ainda esteja viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer uma opção que dure para sempre – uma profissão, um namorado, uma cidade para morar e tudo o mais que limite em vez de agregar – é esgotar uma possibilidade de vida. É como um formulário que se recebe em branco e, a cada quadradinho preenchido, vão se esgotando os itens a escolher, até que termina (acho que por isso escrevo a lápis e vou apagando).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desapego de jogar tudo para o alto e mudar de rumo esconde a necessidade de não abrir mão de nada. Uma professora dizia que é preciso fazer uma escolha entre 100 e viver com a nostalgia das outras 99. Tem gente que nem percebe. Eu fico atormentada com esses 99 fantasminhas – quero todos comigo. Nunca, e sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Patrícia Pereira&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110686789730928187?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110686789730928187/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110686789730928187' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110686789730928187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110686789730928187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/nunca-e-sempre.html' title='Nunca e sempre '/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110658776246943606</id><published>2005-01-24T09:22:00.000-08:00</published><updated>2005-01-24T10:09:51.350-08:00</updated><title type='text'>Invejo o mordomo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Queria ser daqueles que falam pouco, mas falam bem. Falam na hora certa, o necessário. Acho que quem fala bem necessariamente fala pouco, pois não dá oportunidades às palavras para que, traiçoeiras, o comprometam. E não se surpreende falando mal de si pelas entrelinhas, ao falar mal dos outros. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ser assim, discreto e oportuno, divertido e irreverente. Mas não, não sou. E nem falo muito. Apenas falo nos momentos inapropriados. Coisas também, por vezes, inapropriadas. Às vezes, falo coisas certas do jeito errado. Ou coisas erradas de um jeito ainda pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ser como aqueles mordomos de filme de suspense. Reservados, mas que roubam a cena com uma única frase. Uma oração simples, com sujeito e predicado, perspicácia e provocação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma amiga que falava demais. Era inteligente e engraçada - mas só no começo do monólogo. Ela até deixava o interlocutor falar, talvez para seguir um protocolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto conversávamos, percebia seus olhos inquietos, o pensamento ocupado das falas posteriores (as dela), a alma ansiosa pela próxima vez, de falar. O que eu dizia era ouvido, sim, mas rapidamente processado e transformado num comentário, num contra-argumento ou num gancho para um assunto correlato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá estou falando mal de mim, ao falar mal dela, pobrezinha. É que estou me estendendo e, com isso, aumentando a probabilidade de falar bobagens. Acontece sempre comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece também de não ter o que dizer no momento propício. E saber exatamente o que dizer instantes depois que o momento propício tiver passado. (Hum, estes teriam sido meus melhores discursos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ter a discrição e o senso de oportunidade de um bom mordomo. Mas insisto em falar na hora errada, a coisa errada, da forma errada. Por vezes, falo por escrito, que é falar documentadamente. E me exponho, me gasto, me entrego ao ridículo, tudo registrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo e escrevo a despeito do bom senso. Digo e publico conteúdos que eu mesmo considero insatisfatórios (como esta crônica, pelo visto). Eu me expresso não por achar que o faça bem e, nem sempre, por ter o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porque quero, preciso ou não resisto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110658776246943606?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110658776246943606/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110658776246943606' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110658776246943606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110658776246943606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/invejo-o-mordomo.html' title='Invejo o mordomo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110618516661799478</id><published>2005-01-20T12:35:00.000-08:00</published><updated>2005-01-19T17:39:26.616-08:00</updated><title type='text'>Raia livre</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Foi entre uma braçada e outra, na raia livre da piscina da academia, que me dei conta. Entre uma braçada e outra - torta, muito rápida e sem a menor técnica – de um garoto que dividia comigo o espaço. Percebi que nunca me sinto preparada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele seguia nadando, como se a raia livre – separada para quem já sabe seguir sozinho e pode dispensar o professor – estivesse ali só para ele. Eu, acho que até com um pouco mais de prática, quase pedia licença por ocupar um espaço indevido. Quando me matriculei na academia, adaptei todos os meus horários para nadar sob o olhar de um instrutor. Precisava de orientação ou faria tudo errado. Um desastre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois descobri, ninguém nada bem naquela raia. As pessoas se declaram prontas e abandonam as aulas. E abandonam os cursos de inglês por já saberem se comunicar, sem nunca estarem certas de que aprenderam a última palavra. Consertam rádios sem entenderem bem o mecanismo. Cantam sem dominarem todos os timbres da voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mesmo uma bobinha. Espero aprender para depois fazer. E o dia da formatura nunca chega. E, em todas as áreas, fica sempre essa sensação de ser uma eterna aluna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que descobri um segredo que escondem das crianças. O mundo é mesmo uma farsa. Ninguém está preparado para nada. As pessoas costumam ter uma vaga idéia e, como já são grandinhas, os outros aceitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A namorada de meu primo, mais nova do que eu, está grávida. Há tempos espero a sensação de que brincaria de boneca passar para ter os meus. Começo a achar que logo logo vou voltar a comprar roupinhas para a barbie. Já passo horas na raia livre...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110618516661799478?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110618516661799478/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110618516661799478' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110618516661799478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110618516661799478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/raia-livre_20.html' title='Raia livre'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110601781689939151</id><published>2005-01-17T19:00:00.000-08:00</published><updated>2005-01-17T19:18:28.763-08:00</updated><title type='text'>Promessas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Rótulos de xampu mentem. Prometem que vão deixar os cabelos 80% mais lisos e não cumprem. Eu tenho cabelos ondulados, com uma mecha mais crespa do lado direito. Essa assimetria me irrita. Queria que todo o cabelo fosse como a mecha ou a mecha como todo o cabelo. Um xampu me prometeu isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não cumpriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz tudo como mandava o modo de usar. Lavei, massageando suavemente os fios, da raiz até as pontas. Deixei o xampu ‘agir’ por alguns minutos (ah, uns dois; se dissesse exatamente quantos, teria obedecido sem pestanejar – faltou precisão). Em seguida, enxagüei, tirando todo o produto. E, claro, ‘para melhores resultados’, repeti a operação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhores resultados? Quando o cabelo secou, a maioria ondulada continuava ondulada e a mexa crespa permanecia intacta, à direita. Por pouco, não liguei para o 0800 do fabricante: escute aqui, mocinha, meu cabelo não alisou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem coragem de recorrer às autoridades, procurei um amigo. Desabafei. Propagandas de xampu são mais enganosas que o horário eleitoral. E ele me disse que as pessoas são enganadas porque querem acreditar. Em xampus e políticos, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em deus, nos livros de auto-ajuda, no horóscopo... Porque é reconfortante imaginar que há solução 80% acessível: basta massagear suavemente, enxaguar bem e repetir a operação. Desejos, quaisquer que sejam, ficam, de tempos em tempos, verossímeis para quem deseja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas rótulos de xampu mentem, para desmentir nossas ilusões. Tudo bem, não caio mais nessa. Tenho percebido que, às vezes, fico mais esperto quando me deixo enganar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Leandro Quintanilha&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110601781689939151?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110601781689939151/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110601781689939151' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110601781689939151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110601781689939151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/promessas.html' title='Promessas'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110541508243090605</id><published>2005-01-10T19:42:00.000-08:00</published><updated>2005-01-10T19:55:27.750-08:00</updated><title type='text'>Queda livre</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cair na real é dar-se conta da realidade, aperceber-se do mundo, encarar os fatos. Descobrir que ‘não é bem assim', a vida é dura. Cair na real é perder o otimismo, ficar realista; deixar de ser meio artista, ficar meio sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adultos são crianças que caíram na real. Astrônomos, astronautas que também caíram. Arquitetos, pintores que caíram. Jornalistas, escritores que caíram e juram que não. Na real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Okay, nem todos – há quem acredite que seja isso mesmo; ou que só esteja ganhando tempo; ou tenha caído, sim, mas que se levantará. Há também, claro, quem já nasceu caído, vai morrer assim e... tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre aspas: é preciso cair na real para sobreviver. Sobreviver, talvez tenham razão. A razão que caiu na real, caiu em si, e não gostou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário, proclame-se, há de se cair na fantasia. E é tão fácil... Basta um pôr-do-sol na praia. Um filme bom, uma peça ousada, uma noite de amor (ou de saudade). E vê-se logo que não é bem assim mesmo – dá-se conta da irrealidade, percebe-se outro mundo, encaram-se os sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quando aquela a vozinha misteriosa, sua velha conhecida, sussurra ao pé do ouvido a novidade-já-sabida, que você quer e não quer ouvir: a vida pode ser bem melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110541508243090605?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110541508243090605/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110541508243090605' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110541508243090605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110541508243090605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/queda-livre.html' title='Queda livre'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110505022496956845</id><published>2005-01-06T14:20:00.000-08:00</published><updated>2005-01-06T14:26:23.440-08:00</updated><title type='text'>Quero um apagão por dia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Outro dia teve apagão no Rio. Não estava lá, fiquei sabendo pelo noticiário. Apareceu gente chiando por todo lado. Quarenta minutos sem luz e até reunião com ministro foi marcada. A melhor opinião que ouvi sobre o blecaute foi a de minha tia: “Ah, que é que tem? Esse pessoal faz barulho por nada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na infância, ela achava uma delícia quando a energia acabava. A mãe logo corria e enchia a casa de vela. E toda vez que dava uma chuvinha mais forte, os filhos torciam para a luz ir embora. Não dava outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente foi aprendendo a ficar chato. Costuramos tão bem nossa rotina, um amarra o outro de tal forma em horários e compromissos, que perdemos as brechas para nos divertir com os pequenos imprevistos do dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que delícia seria sair mais cedo do trabalho ou faltar a academia ou perder um capítulo da novela e ficar em casa conversando na penumbra ou mesmo andar pelos trilhos do metrô com uma lanterna. Seria, mas não dá tempo. Quando acontece, tudo o que se pensa é em resolver rápido o desvio do programado e retomar a agenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tive uma quedinha por esses pequenos “apagões” que ocorrem na vida. Gostava de engarrafamento nas viagens, desses que param tudo - só para descer do carro e conversar com meus primos que vinham mais atrás na estrada. Lembro de uma vez que fui à praia, em Cabo Frio, e faltou água. Tivemos de ir tomar banho - pais, tios, primos, amigos, todos juntos - em um galpão, com banheiro coletivo, uma festa! Fora as bombas colocadas no banheiro do colégio que nos deixavam sem aula por horas. Era o paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de um pouquinho desse caos. No piloto-automático do dia-a-dia, perco a noção de que escolho meus caminhos. Sinto o tempo se esvair, a morte se aproximar sem experimentar direito o que é a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110505022496956845?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110505022496956845/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110505022496956845' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110505022496956845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110505022496956845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/quero-um-apago-por-dia.html' title='Quero um apagão por dia'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110472047576172303</id><published>2005-01-02T18:43:00.000-08:00</published><updated>2005-01-02T18:55:44.916-08:00</updated><title type='text'>Atos Falhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Estou lendo ‘Como Ser Legal’, de Nick Hornby. Sempre achei esse título o máximo, mas, quando só conhecia o livro na prateleira, achava que discorria sobre como ser descolado. Estiloso, irreverente, &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;. Mas, na obra, a acepção de ‘legal’ é outra. Bem outra. Qual? Deixe-me explicar: podia se chamar ‘Como Ser Generoso’, ‘Como Ser do Bem’, algo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse psicólogo... se eu fosse meu terapeuta... ou melhor, se eu fizesse análise, não fosse eu e fosse meu terapeuta, poderia supor que estou mais preocupado em ser descolado que bom. Por ter pensado naquilo antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, isso seja psicologismo barato e, se fosse psicólogo de verdade (e, não sendo eu, tratasse a mim mesmo), não me atiraria logo de cara nessa conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não estudei psicologia; sou mesmo precipitado; concluí isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, ouvi alguém dizer que, vez ou outra, acordava determinada a ser uma pessoa irrepreensivelmente legal. Naquela acepção mais nobre. Ela levantava da cama decidida a passar o dia inteiro sendo gentil, abnegada, solícita e atenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre conseguia. Mas tentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já acordei determinado a cortar o cabelo, retomar os exercícios, ler 60 páginas de um livro. Já levantei da cama disposto a comprar roupas novas, aprender mais sobre história da arte, experimentar um prato novo. A ouvir Beatles, estudar francês, desvendar o meticuloso cálculo do tempo das piadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dificilmente conseguia. Mas tentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que sempre quis ser legal nos dois sentidos, argumentaria eu ao analista imediato. Porque o mais legal é ser legal e legal. Mas percebo que, em detrimento de salvar o mundo, tenho me ocupado com muito mais afinco (e não necessariamente com mais sucesso) em tornar mais interessante o meu mundinho. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110472047576172303?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110472047576172303/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110472047576172303' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110472047576172303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110472047576172303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/01/atos-falhos.html' title='Atos Falhos'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110444500403324304</id><published>2004-12-30T14:13:00.000-08:00</published><updated>2004-12-30T14:24:09.333-08:00</updated><title type='text'>Branco encardido</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pela primeira vez me lembro do pedido que fiz à meia-noite do ano passado (ou deste ano ainda?). E acho que pela primeira vez deu certo. A dúvida é: tive mais fé e as sete ondinhas puladas na praia levaram o meu recado ou não deixei de pensar nesse desejo em nenhum instante, até se tornar verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vitória do ano passado, andei pensando no primeiro segundo de 2005 – na falta de mar - vou estar em São Paulo, fecharia os olhos bem forte e me lembraria que a gente consegue mesmo é o que escolhe. Era só tomar cuidado com o desejo. (Por garantia, pedi a um primo que pule por mim as tais ondinhas em Copacabana – dizem que dá certo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí descobri que não escolhemos nossos desejos. Não esses, os absurdamente absurdos, que quando chegam não nos deixam espreitar sequer um ponto de partida. Não esses, que depois do ‘quero mas não tem como ser’, reviram a vida e, em um passe de mágica, impõe-se à nossa rotina. Eles simplesmente chegam e tomam posse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo a ficar com medo. Um pensamento louco me espreita há alguns meses e acho que não vai embora. Temo que à meia-noite ele esteja comigo. (Temo ou torço?). Já não é mais responsabilidade minha. De qualquer forma, separei a roupa branca – de um branco encardido para que tenha paz, mas uma paz inquieta, que permita sempre a aflição das mudanças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110444500403324304?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110444500403324304/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110444500403324304' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110444500403324304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110444500403324304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/branco-encardido.html' title='Branco encardido'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110420155369590597</id><published>2004-12-27T18:37:00.000-08:00</published><updated>2004-12-27T19:43:39.506-08:00</updated><title type='text'>Às vezes, sempre</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De repente, estava vivo. Não conseguia se lembrar ao certo como aquilo tudo começou. Da primeira memória, não se recordava. Quer dizer, recordava, claro, porque era 'lembrança'. Mas não sabia dizer qual das lembranças mais longínquas era, de fato, a mais antiga. A primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, não sabendo como tudo começara, tinha a sensação de que sempre existira. Uma espécie de ilusão de ótica existencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, estava vivo e nem se dava conta disso. Aos poucos (isto é, numa forma mais lenta de repentinidade), foi se conscientizando de que... era. Existia. Até então, achava normal existir. Muita gente existia. Existia gente demais até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, às vezes – e, às vezes, muitas vezes – existir não era muito legal, não. Havia momentos em que existir enchia o saco. E, quando existir ficava quase insuportável, ele começava a se perguntar por que, raios, existia. Justo ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deram umas explicações meio esquisitas. Disseram que deus, um ser superior, onisciente, onipresente, onitudo, foi quem inventou a humanidade. E o resto das coisas vivas e inanimadas também. Esse deus, o inventor, era bom e magnânimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não explicaram por que um ser assim tão poderoso, tão criativo e tão legal poderia ver tudo, estar em todos os lugares e não fazer nada para que a existência ficasse um pouquinho mais, digamos, divertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouquinho ou muito mais – afinal, o cara podia fazer qualquer coisa, né? Pois é, mas não fazia. E aí contaram umas histórias sobre pecados pré-existenciais. Pecados herdados. Disseram também que três eram um. E um monte de outras coisas que não conseguiam explicar direito, mas diziam que era ele, humano estúpido, quem não sabia entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, muita gente afirmava que, sim, entendia. Que, sim, fazia sentido. Ué... E outros tantos, por sua vez, não davam a mínima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele continuou existindo, do mesmo jeito, incompreendido e sem compreender. Mas querendo desvendar aquilo tudo. A fim de saber como começara essa coisa louca e qual seria o desfecho. Às vezes (que, às vezes, são muitas vezes), ficava cansado. Com medo de nunca descobrir. E com mais medo de descobrir e não gostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo percebeu que não era o único. Tolinho: havia um monte de gente que admitia não saber. Não entender. Não pertencer. Bem antes dele. Havia também outros deuses para acreditar, com outros enredos mal-desenvolvidos e ingenuamente fundamentados. Tanto quanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via que algumas pessoas, certas de que pior não poderia ficar, aventuravam-se em não existir. Não sabia opinar se eram mais corajosas, mais covardes ou simplesmente loucas (e, portanto, mais livres?). Mas ele não cogitava essa possibilidade: queria existir, porque, às vezes – que podiam ser muitas vezes &amp;shy;–, viver até era legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra , ele se esquecia das perguntas. Ocupava-se de urgências passageiras e suas soluções perecíveis. Saciava algumas fomes e reprimia outras. E de novo, outra vez, novamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Mas, às vezes, ele se lembrava da dúvida; recomeçava o martírio. Tudo bem, pensava: às vezes, acontecia mesmo, né? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Só que, às vezes, as vezes eram muitas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110420155369590597?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110420155369590597/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110420155369590597' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110420155369590597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110420155369590597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/s-vezes-sempre.html' title='Às vezes, sempre'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110366694711122441</id><published>2004-12-21T14:06:00.000-08:00</published><updated>2004-12-21T14:22:15.306-08:00</updated><title type='text'>Diga que não estou</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Já me chamaram até de autista. Amigos bem próximos, acredite. E quem não me conhece bem pode até achar que sofro de alguma espécie ainda mais grave de desordem psíquica. Mas eu sou só distraído mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estudava inglês, costumava me atrasar: por vezes, pegava o ônibus errado... Entretido nos meus pensamentos, eu perdia contato com a realidade e era capaz de entrar numa condução qualquer, a primeira que passasse, acompanhando a multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, lendo no metrô, perdi a estação na ida. E na volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pior do que os equívocos de transporte são os lapsos de convivência. Assistindo à tevê, por exemplo, ignoro quaisquer comentários das minhas queridas co-habitantes (há tempos, procuro um substituto para ‘roommates’). Ainda que sobre mim! Se estou escrevendo, ih, posso nem notar o fim do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, acabou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, seja uma característica hereditária - minha mãe é capaz de abandonar o interlocutor no meio de uma conversa e sair para fazer outra coisa. Isso mesmo: no meio de uma festa, o cara pergunta como foi aquela viagem e ela vai se servir de empadinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico mesmo especulando sobre a origem da minha distração. Talvez, não seja genética. Aos cinco anos, tive meningite, doença que pode causar danos cerebrais. Tá, fui socorrido a tempo e fiquei bem. Mas não estaria o meu ‘autismo’ relacionado a esse episódio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de imaginar que poderia ter sido um gênio, não fosse a meningite na infância. Foi a doença que me rebaixou da genialidade à média, tenho certeza. Pior: à subcategoria dos medianos distraídos. Ai, bem que podiam ter me aplicado penicilina um pouquinho antes... Puxa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que sempre ponho a culpa na meningite. Seria também por causa dela que fiquei desafinado e perdi a habilidade de jogar videogame e esportes com bola? Gosto de pensar que teria sido um Da Vinci, não fosse aquela bactéria odiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ups, estou me distraindo do tema, né? Digamos que tenha sido proposital, uma distração ilustrativa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu me distraio do mundo quando me ocupo dos meus pensamentos. Ou será que são as outras pessoas que se ocupam do mundo para se distrair de si? É uma possibilidade, considere-a. Meio tola e um tantinho arrogante, eu sei, mas e daí? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Se eu não tiver mesmo razão, a gente ainda pode culpar a meningite.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110366694711122441?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110366694711122441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110366694711122441' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110366694711122441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110366694711122441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/diga-que-no-estou.html' title='Diga que não estou'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110324570506459060</id><published>2004-12-16T17:03:00.000-08:00</published><updated>2004-12-16T17:08:25.063-08:00</updated><title type='text'>Meu porteiro favorito</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O prédio onde moro tem 400 apartamentos, 10 portarias e muitos porteiros. Um para cada dois blocos, acho que dois turnos e revezamento nos finais de semana. E é no final de semana que ele costuma estar lá: meu porteiro favorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente eles passam despercebidos, ficam sentados em um cantinho, olhando para o tempo sem nada mais a fazer do que pensar na vida. Sempre achei uma profissão ilustrativa - não por culpa deles, essa é mesmo uma função meio sem função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí fiquei mal acostumada. O tal porteiro leva a profissão a sério. E criou meios de se destacar. É só um morador apontar lá de longe, no início da galeria (a entrada de meu prédio é quase uma rua, sem carros e com muitas lojas), que ele corre para chamar o elevador, depois espera para abrir as duas portas e, com o jornal na mão, dar boa noite ou bom dia. E só, simpático, sem invadir nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele põe seu banquinho entre as duas portarias que toma conta, sem atrapalhar a passagem e de forma a avistar de longe as duas entradas da galeria. Se o elevador demora, ele sempre sabe qual é o problema (a porta agarrando no quarto andar, mau contato no botão de aviso) e como resolvê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes está triste. E dá uma vontade de saber por quê. Nem sei o seu nome (e acho que ele me conhece como ‘a menina do 1.104'), mas me sinto próxima a ele – é a pessoa que economiza o meu tempo, diminui o meu esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele deve gostar de ser porteiro. Não me lembro de já ter desejado essa profissão, mas penso todos os minutos em encontrar algo que eu faça com a mesma vontade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110324570506459060?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110324570506459060/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110324570506459060' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110324570506459060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110324570506459060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/meu-porteiro-favorito.html' title='Meu porteiro favorito'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110290787039477268</id><published>2004-12-12T19:15:00.000-08:00</published><updated>2004-12-12T19:33:14.680-08:00</updated><title type='text'>Não-eu? Eu, não</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A existência é uma ilusão. Estamos aqui (no mundo) por insistência em existir. Mas quase nada do que valorizamos de fato é. Não, não, não: essas palavras não são minhas. Tenho lido um pouco sobre budismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possibilidade de me converter é remota. Mas gosto dessas provocações. E acho mesmo que muito da vida que se leva é mesmo ilusória. Mas seria a vida em si a maior fantasia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o budismo, do mesmo jeito que se sonha dormindo, sonha-se em vigília.  A diferença é que os sonhos à luz do dia seriam mais, digamos, verossímeis. Talvez, nem isso: sonhos têm seus próprios padrões de realismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez sonhei que estava conversando com a Fernanda Torres. Éramos velhos amigos, sabe? Parecia tão real. Tão real como esse exato momento, em que escrevo diante do computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me dei conta do absurdo ao acordar. No sonho, eu não tinha discernimento – faltavam-me parâmetros de realidade. Agora, tenho me perguntando se também se pode acordar da vigília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo os budistas, iluminados são os que se desfazem da ilusão da existência. Do  conceito de individualidade. Acho essa parte mais difícil de assimilar. O não-eu. Porque até agora a minha única certeza – ao menos a única certeza empírica – era o meu eu (coisa estranha falar de ‘eu’ na terceira pessoa; ‘eu’ não gosta disso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas simpatizo com o budismo por insistir na tecla de que nos iludimos demais. Há tanta gente por aí achando que a vida é o trabalho. Ou que se resume a uma paixão. Ou que consiste na tola caça ao sucesso... Às vezes, andando por uma avenida movimentada, eu tenho vontade de bater palmas e gritar para a multidão: “Ei, pessoal! O que a gente tá fazendo aqui, hein?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu sei, não seria de bom tom. Mas não entendo como se pode levar a vida sem se ter certeza do que se trata (partindo do princípio de que se trata de alguma coisa). Cá estou, novamente apegado à minha ilusão da existência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto do budismo, mas é difícil acreditar quando se tem a pretensão de descobrir. Por isso, decidi: até que provem o contrário, vou acreditar que eu existo, sim. Ora essa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110290787039477268?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110290787039477268/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110290787039477268' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110290787039477268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110290787039477268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/no-eu-eu-no.html' title='Não-eu? Eu, não'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110264290716489515</id><published>2004-12-09T23:46:00.000-08:00</published><updated>2004-12-09T18:21:24.450-08:00</updated><title type='text'>Ajudazinha do passado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Toda vez que sento para escrever para o Mini é a mesma coisa: falar sobre o quê? Me vem à cabeça a frase repetida por uma professora na faculdade – “o que está bem concebido se enuncia claramente”. É verdade, se o tema é sólido, o texto flui. Mas o tempo é de incertezas. Não só aqui, nessa paginazinha da Internet. Olho o relógio, já é quase meia-noite de quinta-feira. Não posso, mais uma vez, deixar o blog desatualizado. Roubo do passado (mais precisamente de uma redação feita para tentar uma vaga no Curso Abril – acabaram gostando das linhas, mas não de mim) um texto de um tempo em que os desejos eram mais claros. E dá uma saudade daquela convicção! A proposta era escrever uma redação, de 4.200 caracteres, com o tema: Quem sou eu e por que escolhi o jornalismo como profissão. Aí vai...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;"Por quase uma hora encarei meu rosto no espelho. Desta vez não buscava um fiapo de sobrancelha perdido, mas uma resposta: quem sou eu? Da experiência descobri apenas que só conseguimos nos olhar fixamente se escolhemos um olho e o meu preferido é o esquerdo. Por quê? Não sei, é uma atração irresistível, sem lógica (nem sou canhota – o que também não explicaria), um segundo sem pensar e meus olhos estão lá, naquele olho. Penso na segunda pergunta que preciso responder ainda hoje: por que escolhi o jornalismo como profissão. Na lista de argumentos possíveis, o mais forte não me sai da cabeça: a vida me conduziu assim como conduz meus olhos na frente do espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as primeiras linhas fazem crer que fui levada pela maré em uma tranqüila opção por ser jornalista, não desista da leitura. As linhas não mentem, apenas foram mal interpretadas. Explico: depois que encarei meus desejos, fui sim conduzida por eles. Só que até parar em frente ao espelho eu já estava no terceiro ano de medicina. Mas essa é uma outra história que, só para não deixar dúvidas no ‘quem sou eu’, conto um pouquinho. Larguei o curso (na UFRJ!) na mesma semana e me inscrevi no último vestibular de faculdade pública com edital ainda aberto. Por sorte, fui parar na Uerj e me formo no final deste ano [2003].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, chega de olhos e espelhos. Já que isto é uma redação, melhor me expressar com palavras diretas e esquecer as imagens. Há duas perguntas que esperam uma resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me chamo Patrícia Pereira, tenho 25 anos. Nasci em Volta Redonda e me mudei para o Rio de Janeiro quando comecei a fazer faculdade. Divido um apartamento com outras seis meninas, todas estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio encontrei uma nova cidade e uma nova Patrícia também. Foi aqui que me deparei com uma gente estranha que questiona o sentido da vida e também com um povo ainda mais esquisito que gosta de subir no palco e contar histórias. Filosofia e teatro cruzaram a minha vida somente quando já estava aqui, no Rio. Nunca vou saber se essas influências surgiram por uma questão geográfica ou se fariam mesmo parte de meu amadurecimento seja onde for que estivesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha mãe sempre neguei, mas o fato é que essas influências abriram as portas de um novo mundo e mudaram completamente o rumo de minha vida. De futura médica passei a jornalista e é aqui que o ‘quem sou eu’ se mistura ao ‘por que escolhi o jornalismo’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da vida, ainda não descobri o sentido. Mas vi de frente uma coisa que todo mundo costuma olhar meio de lado: ela é curta &lt;em&gt;pra caramba&lt;/em&gt; (perdoe a expressão...). Com remédios dá para alongar alguns meses, quem sabe anos... Só o jornalismo multiplica a existência. Motivo um pouco egoísta, o jornalista compartilha histórias que nunca viveria por si só no período de uma existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor definição (e a mais romântica também, eu sei) que li sobre o jornalista diz que sua função é “ver a vida e contar aos outros”. Não me lembro do autor, só sei de uma coisa: queria que fosse minha – a frase e essa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que veio do palco a vontade de contar histórias. Percebi que as reais são ainda mais dramáticas e interessantes e que elas existem aos montes no meio da multidão. Na verdade, é a arte que imita a vida. E, sem renegar os textos e os burburinhos impagáveis de uma montagem, decidi experimentar o real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia deixar de fora os clichês da profissão. Gosto desta vida mambembe que alguns jornalistas têm a sorte de experimentar. Para quem tem, multiplicam-se não só as histórias e os encontros, mas também os lugares que se pode conhecer por ‘culpa’ da carreira. Afronta para alguns, a falta de horário, que transforma domingo em segunda-feira e faz do calendário uma mera burocracia, para outros é orgulho. Encaixo-me nesse grupo aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para terminar esta lista de argumentos, um bem masoquista. Faço parte dessa casta que se permite passar horas solitárias escrevendo e gosta do martírio interminável que é escolher em cada linha a palavra exata. Será que já nascemos assim, com esses gostos estranhos? Deve ter algo a ver com a história de meus olhos, que contei mais acima. Não tem explicação, acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um saco de piraquê, meia garrafa de coca-cola e 4072 caracteres depois, eu me rendo: quero ser jornalista porque sim, ora bolas!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110264290716489515?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110264290716489515/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110264290716489515' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110264290716489515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110264290716489515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/ajudazinha-do-passado.html' title='Ajudazinha do passado'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110230359581347208</id><published>2004-12-06T01:23:00.000-08:00</published><updated>2004-12-06T05:28:18.593-08:00</updated><title type='text'>Sem sono</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Difícil dar o dia por encerrado. Talvez, seja uma deficiência minha, não sei, mas ir para cama, enfiar-me debaixo dos cobertores é colocar um ponto final. No dia. E terminar um dia é como encerrar uma pintura ou uma crônica – a gente sempre acha que pode caprichar mais um pouquinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é quase uma da manhã, de acordo com o reloginho da tela do computador. Já passou da hora dormir (faço um cálculo retroativo com base na hora de acordar; deduzo oito horas). Só que sempre acabo protelando a vigília, um hábito que maldigo todas as manhãs, quando toca o despertador na sexta hora. Ou quando perco a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um dia está se acabando e eu não arrumei o guarda-roupa. Agora há pouco, lavei toda a louça que estava na pia – devo reconhecer este pequeno êxito. Mas eu queria mais deste dia que cumprir tarefas domésticas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recapitulando, parece que fiz muita coisa. Cozinhei (comida pré-pronta, mas e daí?), vi alguns episódios repetidos da minha série predileta, comprei um par de tênis, fui ao teatro com amigos (duas vezes: na primeira, não conseguimos ingressos) e, ufe, embrulhei alguns presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei várias horas entre pessoas queridas e fui um bom companheiro nos instantes em que fiquei sozinho. Ah, e lavei a louça, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contando assim, parece que o dia rendeu... Ué, nem notei. Ainda assim, não dá vontade de terminar, não. A cama está logo ali, me esperando, convidativa na sua horizontalidade, enquanto cogito sobre o que passa na tevê e olho para o mouse tentado a navegar por alguns minutinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minutos que já devo ao meu sono e que farão falta amanhã... Putz, vem da sala a musiquinha da abertura daquela série que eu adoro. Parece que vai haver outra sessão de reprises. Deliciosa, a insônia deliberada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil dar o dia por encerrado neste horário nobre tardio, de luzes apagadas e nenhum expediente a cumprir (fora o do sono, evidentemente). Enquanto o resto do mundo dorme, posso fazer o que bem entender das minhas horas. Posso nem contá-las. Posso continuar acordado e não fazer absolutamente nada. Ah-rá!, posso tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta esquecer que hoje já é amanhã. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110230359581347208?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110230359581347208/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110230359581347208' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110230359581347208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110230359581347208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/sem-sono.html' title='Sem sono'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110217553687942546</id><published>2004-12-04T07:49:00.000-08:00</published><updated>2004-12-04T07:52:16.880-08:00</updated><title type='text'>Quem é o seu?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pensei sobre o assunto quando o ‘meu’ pegou o mesmo ônibus e, em vez de conversar comigo ou com um dos dez conhecidos ao redor, preferiu olhar a rua pela janela, na companhia de seus próprios pensamentos. Não, ele não é metido. No dia-a-dia a gente se esbarra: uma conversinha aqui, outra ali; eu sigo minha vida e ele a dele, sem nem suspeitar o encantamento que provoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais difícil é isso. Essa proximidade ao mesmo tempo tão distante. Quase sempre são pessoas que escapam. Apesar da simpatia nas conversinhas casuais, parece impossível trazê-las para nosso mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é o seu ‘muso’ inspirador? Não vale aquele - o número um, o top na lista dos mais gatos. Falo de homens, mulheres, qualquer uma dessas pessoas que parecem não habitar o mundo dos comuns – onde chove, faz frio ou calor e o trabalho é sempre chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, vou tentar ser mais concreta. É mais ou menos como ser vizinha do Chico Buarque. Ganhar “bom dia” pelos corredores, conversar cinco minutos na portaria, mas nunca conseguir a intimidade de sentar no chão da sala e ficar falando sobre a vida até de madrugada. Um desperdício! Você lamenta, ele nem nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota, pela janela, o mundo lá fora. Conversa com ele mesmo. E deixa uma pontinha de curiosidade sobre esse papo – que às vezes escapa, em linhas de um conto, de uma peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos ‘Chicos’ espalhados por aí. E talvez eles nem saibam. Ah, quesito número um: não fazem idéia de que são vistos dessa forma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110217553687942546?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110217553687942546/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110217553687942546' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110217553687942546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110217553687942546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/12/quem-o-seu.html' title='Quem é o seu?'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110178164075369536</id><published>2004-11-29T18:25:00.000-08:00</published><updated>2004-11-29T18:27:20.756-08:00</updated><title type='text'>Sinto muito pelo brigadeiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nós, adultos (aos 25, ainda não se sinto completamente confortável com esta condição), temos muito o que aprender com a psicologia infantil. Percebi isso depois de escrever algumas matérias sobre relacionamento entre pais e crianças e delas entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que os pequenos sejam especialmente sábios. Nada disso: nós, adultos (já vou me acostumar, prometo), é que somos, ao menos na maior parte do tempo, emocionalmente infantis. Repare: cumprimentamos secamente quando ‘ficamos de mau’ e denunciamos ao chefe o que há algumas décadas contaríamos para a mamãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente (cá estou novamente na categoria adulta), tal como eles, às vezes derruba o tabuleiro no meio da partida simplesmente porque não sabe brincar. Os donos da bola viram donos de oportunidades de emprego. Acham que mandam no jogo – e, por vezes, mandam mesmo; crianças crescidas esquecem-se de que podem fazer bolas de meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma especialista em psicologia infantil disse-me que a melhor maneira de se acalmar uma criança é demonstrar empatia pelos seus sentimentos. Você não precisa dar o carrinho-que-não-pode-comprar-agora-quem-sabe-no-natal para evitar birra, basta explicar a situação e, importante, demonstrar que compreende a frustração do miniconsumidor por não levar o brinquedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E olha só: empatia funciona também com gente grande. Adulto, tipo eu (veja que progresso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho testado em quem já pode dirigir. As crianças têm razão em exigi-la – a empatia ampara e conforta, como colo de mãe. Mesmo que o brigadeiro fique para depois do jantar, é preciso que saibam, entendam e respeitem o quanto é chato, tão chato, não poder comê-lo imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se 5 ou 25, não importa (puxa, e no final não importa), a gente quer mesmo é ser compreendido. Porque a compreensão, em si, é quase tão doce quanto o doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E satisfaz sem estragar o apetite. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110178164075369536?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110178164075369536/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110178164075369536' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110178164075369536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110178164075369536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/11/sinto-muito-pelo-brigadeiro.html' title='Sinto muito pelo brigadeiro'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110125396453721105</id><published>2004-11-23T15:47:00.000-08:00</published><updated>2004-11-23T15:54:46.436-08:00</updated><title type='text'>Tão a sério</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fui chegando perto aos poucos. De frente para a prateleira, disfarcei o olhar. As mãos hesitaram, mas não teve jeito. Peguei. Nunca havia comprado um livro de auto-ajuda. E o &lt;em&gt;début&lt;/em&gt; foi com “Não leve a vida tão a sério”. Confesso que o incentivo veio depois que o Ricardo Kotscho – meu jornalista queridinho – leu e disse ter mudado de vida (mudar de vida. Talvez esse tenha sido o incentivo de fato).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma inquietação, que só de vez em quando escapava pelas frestas do pensamento, resolveu saltar inteira e me atormentar a cada minuto: o que eu ando fazendo com eles, os meus minutos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto da sensação de querer burlar o tempo, torcer para ele passar mais rápido e, enfim, chegar o fim de semana. Não gosto de lamentar a musiquinha do Fantástico e me encher de angústia no último plim-plim. Quero dormir para a noite passar bem rápido e chegar logo o outro dia, já disse em algum outro texto. Pior, já senti em algum outro tempo. E quero de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que andava me rendendo aos poucos. E travestindo esse conformismo com a desculpa de que havia crescido. Mas até onde a formalidade impera - nos dicionários - não encontrei que ser adulto é conseguir segurança arrastando dias chatos. Quem inventou isso? Cresci. Quero criar meu playcenter e ir para lá todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o livro? Parei na página 49. Na verdade, precisava apenas do título.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Patrícia Pereira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110125396453721105?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110125396453721105/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110125396453721105' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110125396453721105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110125396453721105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/11/to-srio.html' title='Tão a sério'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110061373965089061</id><published>2004-11-16T05:59:00.000-08:00</published><updated>2004-11-16T06:02:19.650-08:00</updated><title type='text'>Desculpe interromper, mas...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Alguma vez você já foi seqüestrado? Digo: alguma vez você já teve a sua atenção seqüestrada? Aposto que sim. Aposto e ganho. Mas aqui, por ‘seqüestrador’, entenda ‘criminosamente falante’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, no meio de uma festa, uma “amiga” contou-me a sinopse de uma obra do Émile Zola. Tinha 20 volumes. Quando ela discorria sobre a quinta geração de uma saga familiar, alguém passou com um álbum fotográfico; consegui escapar: “Um minutinho só? Adoro fotos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro mesmo – ainda que uma imagem diga mais que mil palavras, fotos não falam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um episódio parecido aconteceu no aeroporto. O cara se aproximou para confirmar o número do portão de embarque e, de repente, era eu refém novamente. Ele foi passar um mês nos Estados Unidos, acabou ficando três até decidir que ficaria de vez. A temporada acabou durando cinco anos, tal como a nossa conversa. Sabe quantas perguntas eu lhe fiz? Nenhuma. Check out da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu simplesmente me detesto nessas situações: hum-rum; ah, sim; puxa, mesmo?; sei, sei... Difícil escapar sem parecer, deixe-me encontrar a palavra certa, fugitivo. Perceba o quanto é injusta a legislação do convívio social: nesses casos, grosseiro não é o seqüestrador, mas a vítima que ousa abandonar o cativeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxa, assim até parece que não gosto de escutar, né? Mas eu gosto, acredite. Sou jornalista: meu trabalho consiste basicamente em entrevistar. Fazer perguntas e ouvir as respostas, com muita atenção. E brigo pelo papel do amigo confidente. Porque gosto de saber, para entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é assim que funciona, vir (dos Estados Unidos ou da Namíbia) chegando e falando. É preciso criar um clima, preparar a narrativa, envolver-me no assunto, brincar com pausas e flexões, além de – super-hiperimportante – tomar cuidado com o tempo. Há também de se prestar atenção nos meus comentários, rir das minhas piadinhas tolas, escutar eu escutando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diálogo é quase sempre melhor que monólogo. Posso ser platéia, mas também quero ser protagonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ups, noto que estou falando demais sobre falar demais. Antes que você fuja com a desculpa de folhear um álbum fotográfico, um último argumento em minha defesa: a minha metáfora favorita (eu juro) sempre foi aquela de quem se dispõe voluntariamente a escutar, “sou todo ouvidos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110061373965089061?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110061373965089061/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110061373965089061' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110061373965089061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110061373965089061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/11/desculpe-interromper-mas.html' title='Desculpe interromper, mas...'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110013874149479356</id><published>2004-11-11T01:03:00.000-08:00</published><updated>2004-11-10T19:02:22.460-08:00</updated><title type='text'>Tempo bom</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Adoro quando chove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha terra, só chove de verdade no final do ano. Hoje, moro numa terra em que chove freqüentemente. E toda vez que chove, não importa se é novembro ou abril, sinto que o ano está acabando. E daí se for agosto? Chuva me lembra férias escolares – entrega de boletins, revelação do amigo-secreto. E daí se for dezembro? Férias de adulto são tiradas em meses esquisitos – as minhas serão em junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ir para a minha terra nas férias. E, lá, não chove em junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como disse, sempre que chove (aqui ou lá), sinto que o ano está acabando. Sabe aquele cheiro úmido da chuva que passou? Pois é, é cheiro de Reveillon. Mas não sei dizer se cheiro de chuva é o cheiro do ano que acabou ou se é o cheiro, antecipado, do ano que já vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu também gosto de tomar chuva. E isso não tem nada a ver com a virada do ano. Uma vez li numa revista (ou alguém leu e me contou, não tenho certeza) que quem corre na chuva se molha na mesma quantidade de alguém que percorre o mesmo trajeto andando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Varia só o tempo de exposição. À chuva. Que, para qualquer um, terá sido pluviometricamente a mesma. É só escolher se você se entrega de vez ou se foge, inutilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu carrego um guarda-chuva na mochila todos os dias. Estranho, porque gosto de chuva e gosto especialmente de tomar chuva. Levo o guarda-chuva porque meu cabelo, diferente de mim, detesta umidade. Ou é a chuva que não gosta dele, preciso averiguar. O fato é que eles não se dão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, decidi assim: na ida, eu não me molho. Mas, na volta, se chover, não corro nem me protejo, não. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Leandro Quintanilha&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110013874149479356?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110013874149479356/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110013874149479356' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110013874149479356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110013874149479356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/11/tempo-bom.html' title='Tempo bom'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-110014044748303492</id><published>2004-11-10T18:03:00.000-08:00</published><updated>2004-11-10T18:34:07.483-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Perdoe-me pelo sumiço, sim? Depois de duas viagens e uma virose, estou de volta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Q.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-110014044748303492?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/110014044748303492/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=110014044748303492' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110014044748303492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/110014044748303492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/11/perdoe-me-pelo-sumio-sim-depois-de.html' title=''/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109876102552351202</id><published>2004-10-25T20:16:00.000-07:00</published><updated>2004-10-25T20:23:45.523-07:00</updated><title type='text'>De novo, o brinquedo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Acho que tinha uns oito anos quando ganhei um par de patins. Foi o melhor brinquedo da infância. Não queria tirá-lo dos pés. A vida era tão sem graça antes e eu nem havia reparado. Era bom andar assim e queria seguir o resto dos dias deslizando pelas calçadas. A alegria durou pouco. Na primeira semana um primo distante pegou os patins emprestados, torceu o pé e quebrou a rodinha. Remendaram, mas nunca mais foi o mesmo. A cola sempre soltava, eu precisava esperar horas para consertá-lo. Ainda me divertia, mas com uma pontinha de medo de um dia não dar mais certo e o brinquedo se partir de vez. Eu insistia. Afinal, era tão bom! Até que sumiu. A vida voltou a ficar sem graça, só que a partir de então eu sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, ganhei um novo par. Sem rodinhas. Ele falava - com sotaque carioca -, andava de All Star e sentou ao meu lado em um processo seletivo. De novo, veio a sensação: como não percebi que a vida era tão sem graça antes? Era bom rir com ele. Compartilhar as dúvidas. Falar da vida. Queria que a semana de avaliação não acabasse nunca. Só para tê-lo por perto. Mas o tempo se esgotou e tive de me contentar de novo com as emendas: quem sabe, algum dia, encontros por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para minha surpresa, os encontros vieram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome dele é Márcio. E ele apronta comigo. Marca e desmarca programas. Diz que vai ligar e não liga. Até me convida para festas e não aparece. E, na maior cara-de-pau, reclama por e-mail que “gosta mais de mim do que eu dele”. E eu insisto. Afinal, é tão bom! Bastam dois minutos de conversa e, de novo, eu me lembro por que a vida tem mais graça com ele por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um brinquedo que já partiu e foi remendado várias vezes. Espero que não suma de vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109876102552351202?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109876102552351202/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109876102552351202' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109876102552351202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109876102552351202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/10/de-novo-o-brinquedo.html' title='De novo, o brinquedo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109813544268959358</id><published>2004-10-18T14:23:00.000-07:00</published><updated>2004-10-18T14:55:29.163-07:00</updated><title type='text'>À fantasia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Descobri que gosto de festas. Desse deslocamento temporário da realidade, com jogo de luz, mesa de som e drinques que eu não sei fazer em casa. Festas começam tarde e terminam tarde demais, a despeito de um mundo com horários tão pouco flexíveis. E, mesmo que a festa esteja ruim, a gente sempre fica mais um pouquinho. Porque a festa, mais que a vida, pode ficar melhor. Prolonga-se a festa para adiar a vida. Quem sabe o DJ não toca aquela música?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A festa a que fui no sábado era à fantasia. Queria ir como Peter Pan, mas, na loja, o verde da roupa ficou esquisito. A realidade da fantasia não correspondia à minha fantasia da fantasia. Então, pensei em ser padre, mas me ofereceram uma batina comprida demais. Para ouvir pecados alheios, teria de me penitenciar fazendo a barra. Adiei a heresia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tudo parecia perdido quando vi uma peruca na prateleira. Em vez de cabelos, chamas. Uau, cabelos de fogo! Chamas de verdade; não uma metáfora para madeixas ruivas. Bem, de verdade verdadeira não eram. Espuma, claro - não tenho vocação para incendiário. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tentei inventar um personagem para justificar a cabeleira. Pensei em palito de fósforo (aceso), carvão em chamas, Homem-Tocha... Nada parecia colar – fui com a peruca assim mesmo. Contava apenas com o apoio da Chapeuzinho Vermelho, da She-Ra e da Bonequinha de Luxo, entre outras heroínas gay/infantis, minhas amigas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os porteiros riram do meu ‘visú’, mas valeu a pena. Na festa, alguns duendes me abordaram para saber que fogo era aquele. A Nega Maluca, tão culta, me explicou que há um personagem folclórico com cabelos de fogo, o Curupira. Há também um coadjuvante de uma animação japonesa com o mesmo "penteado", soube mais tarde.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Bebi dois drinques e fiquei meio sóbrio. Conversei, dancei, cantei (não de forma audível, evidentemente) e enfrentei fila no banheiro, tal como em toda balada. Depois que me acostumei com a presença do Elvis Presley, magro outra vez, e aceitei o fato de haver duas Mulheres Maravilhas e nenhum avião invisível (ou havia?), a festa à fantasia foi se despindo de suas peculiaridades. Chapeuzinho Vermelho vomitou no jardim, enquanto a dançarina espanhola, com sua saia preta comprida, jurava que não era a Olívia Palito: “Se fosse, usaria um coque, oras!”. E tudo ficou normal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Diversão até que cansa, mas a gente não se satisfaz, né? Poderia ter partido às três e meia, como fez o pirata. Aliás, não seria mal ter partido com ele. Mas fiquei até as cinco, para confirmar que festa à fantasia, em fim de festa, é como uma festa qualquer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tanto faz o figurino: em essência, toda festa é à fantasia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109813544268959358?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109813544268959358/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109813544268959358' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109813544268959358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109813544268959358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/10/fantasia.html' title='À fantasia'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109786358105603400</id><published>2004-10-15T11:04:00.000-07:00</published><updated>2004-10-15T11:06:21.056-07:00</updated><title type='text'>Ufa, foi</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ando muito preguiçosa (ou sempre fui?). Prefiro ler a escrever. Não, não vou dar mais uma desculpinha para meus atrasos. Fica combinado assim: vocês já sabem que não tive tempo ou idéias, o que é muito mais provável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nessa minha preguiça de escrever e gosto por ler, me deparei com uma frase de Julien Green (seja lá quem ele for). : "O pensamento voa e as palavras andam a pé. Esse é todo o drama do escritor". O meu drama é outro. Acho muito mais difícil domar as idéias. Ou melhor, alcançar as idéias. Parece que elas passam todas correndo enquanto eu estou de costas. Escrever sobre o quê? Ufa, foi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Patrícia Pereira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109786358105603400?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109786358105603400/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109786358105603400' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109786358105603400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109786358105603400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/10/ufa-foi.html' title='Ufa, foi'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109751614946963338</id><published>2004-10-11T10:27:00.000-07:00</published><updated>2004-10-11T10:35:49.470-07:00</updated><title type='text'>Presente feliz</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre achei que a saudade fosse superestimada. Os poetas podiam se ocupar de outra coisa. Do presente, por exemplo. E nostalgia soava como perda de tempo. Tempo perdido com o tempo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que aconteceu comigo. O fato é que a gente fantasia sobre o passado com o mesmo otimismo que se projeta no futuro. Esperança é, sim, retroativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro dias em casa (ou devo dizer ‘na casa dos meus pais’?) depois de quatro meses distante. Cheguei com o título de convidado de honra – havia mousse de limão na geladeira. A cidade estava diferente: mudaram as cores dos prédios sem me consultar. Os lugares bonitos pareciam um pouco gastos. Os gastos foram reformados e ficaram mais bonitos que os bonitos. Alguns dos mais bonitos nem existiam. Existiam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, duas paredes também mudaram de cor. Ah, meu quarto foi depenado. Parte da mobília foi redistribuída pela casa. A tevê foi para o quarto dos meus pais. O computador e a escrivaninha, para o do meu irmão. E os aparelhos de ginástica (aqueles que todo mundo compra e todo mundo não usa) foram para lá. Preencher os espaços vazios e oferecer quinas para as canelas do hóspede preferencial – eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém viu meu porta-lápis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porta-lápis se perdeu na mudança da minha mudança. A vida prosseguiu sem mim. Quando era criança (e mais filósofo; e mais egocêntrico), sondava: será que as outras pessoas realmente existem ou são todas produto da minha imaginação? Parece que sim, existem. Chove mesmo na floresta quando não há ninguém olhando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, depois da primeira noite no quarto que não me esperou, já comecei a me ambientar. Como se os aparelhos de ginástica velassem meu sono – e meu sedentarismo – há muito tempo. A madeira do chão continuava gostosa de se pisar, lembrava dela assim. E, um instante antes de atender ao telefone, eu já sabia que era para mim e era um amigo. Estava em casa outra vez, de vez, provisoriamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Saudade é um presente feliz, com mousse de limão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109751614946963338?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109751614946963338/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109751614946963338' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109751614946963338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109751614946963338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/10/presente-feliz.html' title='Presente feliz'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109711475719333956</id><published>2004-10-07T12:03:00.000-07:00</published><updated>2004-10-06T19:05:57.193-07:00</updated><title type='text'>U-ni-du-ni-tê</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um dia, sem perceber, a gente escolhe abrir os olhos. E escolhe sorrir. Andar. Correr. Brincar. Chorar. Um dia a gente escolhe a boneca em vez do carrinho. E escolhe um amiguinho na sala. Uma menina chata para ficar longe. Um dia a gente escolhe não gostar de manga. E decide que bolo de chocolate é a melhor comida do mundo. Aí a gente escolhe estudar para a prova. E no dia seguinte decide jogar tudo para o alto e correr o risco de ser reprovado. Um dia a gente escolhe andar de roda gigante e ver a cidade lá de cima. E então escolhe que já é bem grandinho para ir ao parque. Um dia a gente escolhe que bonito é o garoto magro, de cabelo liso, calça jeans e all star. Escolhe escolher que vai ter quatro filhos e nunca se casar. Um dia a gente faz um X no formulário e escolhe o que a gente quer ser pra sempre. Mais na frente, uma voz lá do fundo nos convence a escrever essas letrinhas sobre a vida em vez de letrinhas em itálico com palavras mais complicadas. Aí a gente escolhe rasgar o formulário que virou matrícula e pegar um novo. E escolhe o X em outro quadradinho. Quem faz o u-ni-du-ni-tê por mim? Um dia a gente escolhe ir morar bem longe. E escolhe a casa, os móveis, até as pessoas. Um dia a gente escolhe pensar se não está tudo errado. Mas dá uma preguiça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109711475719333956?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109711475719333956/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109711475719333956' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109711475719333956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109711475719333956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/10/u-ni-du-ni-t_07.html' title='U-ni-du-ni-tê'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109686203430971458</id><published>2004-10-04T12:43:00.000-07:00</published><updated>2004-10-03T20:53:54.310-07:00</updated><title type='text'>Manga com leite faz bem</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Antes, bem antes, eu achava que a gente aprendia tudo. Até acabar. E depois que aprendesse tudo era só viver do jeito certo. Isso passou. Aprendi que não se aprende tudo, não. E fui aprendendo mais. Até aprender que a gente aprende muita coisa errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho dignifica o homem. É impossível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre. Manga com leite faz mal. A primeira impressão é a que fica. Bom menino é o que obedece. Homem não chora. Amor de pai e mãe é incondicional. Ingerir líquido durante as refeições incha o estômago e engorda. Não se pode ser feliz sozinho. O que não tem remédio remediado está. Estude que você passa. Para todas as outras existe Mastercard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, um dia (quando não há ninguém por perto), você experimenta sorvete de manga e não morre. Sobrevive para saber – e espalhar – que é uma delícia. Mas cada um sabe do seu desaprendizado, eis a inutilidade de qualquer aconselhamento. Neste curso incoerente e prolixo, somos todos inevitavelmente autodidatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você eu não sei. Mas eu: assim que terminar de desaprender medo por medo, as minhas prioridades, pode deixar, eu reinvento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109686203430971458?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109686203430971458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109686203430971458' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109686203430971458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109686203430971458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/10/manga-com-leite-faz-bem_109686203430971458.html' title='Manga com leite faz bem'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109675463745486412</id><published>2004-10-02T14:59:00.000-07:00</published><updated>2004-10-02T15:15:46.203-07:00</updated><title type='text'>Primeira pessoa do singular</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre fui discreta. Mesmo no blog, esse pequeno noticiário sobre mim mesma, criei artimanhas para evitar a exposição dos verbos em primeira pessoa. Nunca deixei de usá-los - não dá, né? Mas eles vagam pela página como eu pelo mundo: só emprego o eu para falar de vocês, nunca de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu escolha os temas pensando em me esconder (como também não censuro minhas falas no dia a dia). A tática é brincar com as palavras sem deixar que elas me denunciem. Algo como não dizer a verdade sem precisar mentir. E nisso sou craque. Ou era, ou pensava que era...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me vi despida esta semana. O endereço do Minicertezas caiu nas mãos de meu editor. E nem adiantou disfarçar, ele decorou certinho o nome. O que mais mexeu comigo não foi a possibilidade de ser lida por ele, em especial. Foi me deparar com a realidade: posso ser vista inteira entre as frestas de uma linha e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí ficou difícil encontrar assunto. Encontrar palavras. Encontrar um tempo para sentar em frente a esta tela e escrever algum texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, fica como desculpa para esse atraso. Prometo não mais postar na data errada. Podem acreditar, há razões sérias para respeitar o prazo: o Leandro não tem a menor vocação para Sandy - já ameaçou me abandonar e fazer logo seu “blog solo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Patrícia Pereira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109675463745486412?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109675463745486412/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109675463745486412' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109675463745486412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109675463745486412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/10/primeira-pessoa-do-singular.html' title='Primeira pessoa do singular'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109625513201382933</id><published>2004-09-27T00:15:00.000-07:00</published><updated>2004-09-26T20:26:00.826-07:00</updated><title type='text'>Trégua</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Outro dia, alguém me disse que tenho escrito coisas tristes. Engraçado, porque eu havia me dito mais ou menos a mesma coisa, mais ou menos no mesmo dia. Tentei me justificar (comigo mesmo), argumentando que aquela melancolia não era minha. Era um mal-entendido, fruto da minha velha dificuldade de encontrar as palavras certas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um otimista pouco fluente. E só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Okay, existe uma ínfima possibilidade de eu estar tentando me enganar. Justo eu que abomino o mau humor. Que considero pessimismo falta de educação. Sim, porque a vida é dura e, como profetiza a canção, não poupa ninguém. E, às vezes, a esperança é o único meio de se prosseguir. Às vezes, não: quase sempre (ops, estou sendo melancólico outra vez? – peço perdão). Quero dizer que amargura contagia e envenena. E ninguém tem o direito de tornar essa jornada mais difícil para os demais. Tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos neguemos, contudo, nossa cota de desabafo. Quando a gente compartilha dor, faz doer um pouquinho mais a dor do outro. Mas é esse alívio fugidio, paliativo, que faz a esperança persistir. E é o meio de comunicarmos ao outro o desejo de sermos comunicados sobre a nossa insatisfação. Como se precisássemos de um mensageiro externo para dizer o que já sabemos a ponto de falar (mas não de ouvir).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, não vou me comprometer a calar minha dorzinha. Não posso. Façamos, então, um acordo: vou falar mais sobre minha crença na vida, meu entusiasmo por desvendar esta experiência incerta. E aí você me comunica disso também, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos combinados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109625513201382933?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109625513201382933/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109625513201382933' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109625513201382933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109625513201382933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/trgua.html' title='Trégua'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109590802798526500</id><published>2004-09-23T01:01:00.000-07:00</published><updated>2004-10-02T15:10:23.483-07:00</updated><title type='text'>Quebrando regras </title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E se eu decidisse não mais participar disso tudo? Se eu quisesse o mundo do zero, sem nenhuma das regras já criadas quando eu nasci? Por que não nos permitem riscar a divisão em ruas e propriedades e andar reto enquanto der na telha? Por que não podemos esquecer a convenção das horas e contar os dias pela lua? (Ou abandonar de vez as contas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá. Estamos presos a essa brincadeira chata que nunca acaba. Abandonar a cama no horário marcado, fazer o que não faria, dormir para acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todos os planos, que nunca passam de sonhos, são uma tentativa de, ao menos, ser café-com-leite nesse jogo. Estar lá, mas de certa forma imune, podendo quebrar as regras e não ser punido. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109590802798526500?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109590802798526500/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109590802798526500' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109590802798526500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109590802798526500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/quebrando-regras.html' title='Quebrando regras '/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109590779124354430</id><published>2004-09-22T19:48:00.000-07:00</published><updated>2004-10-02T15:11:41.830-07:00</updated><title type='text'>Números atrasados</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Juro. Não foi preguiça. Alguém me roubou horas, dias inteiros. A quarta-feira da semana passada existiu? Quando vi, era domingo. E lá estava o Leandro, sentado na frente do computador para postar pontualmente à meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me veio uma frase, do baú da adolescência: “Só as boas meninas fazem diários, as más nunca tem tempo”. Enquanto não escrevia, o que andei fazendo? Humm, pesquisa de campo, digamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi várias horas para ver se sonhava com um tema. Pensei na vida. Pulei de um livro a outro, de um site a outro, de um amigo a outro. Por que é mais fácil escrever quando se está triste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo quando tenho preguiça da vida. Quando decido simplesmente viver não sobra tempo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109590779124354430?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109590779124354430/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109590779124354430' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109590779124354430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109590779124354430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/nmeros-atrasados.html' title='Números atrasados'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109564931855401527</id><published>2004-09-20T13:02:00.000-07:00</published><updated>2004-09-19T20:09:49.376-07:00</updated><title type='text'>Faltou o momento iogurte</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quando eu estava na terceira série, mal podia esperar pela quarta. Parecia tão chique ter um professor para cada disciplina. E, também, a vida de adolescente tinha tudo para ser mais divertida. Não foi. No ginásio, fiquei ansioso pelo ensino médio, quando meus pais finalmente me deixariam mudar de escola. Dito e feito: em três anos, estudei em três colégios diferentes (o próximo sempre parecia mais promissor). Mas, em cada um deles, eu queria mesmo era chegar à universidade – minha vida mudaria lá. Cheguei; e mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hum, se eu ao menos saísse da casa dos meus pais...” Saí. E daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, tenho me repetido a mesma pergunta: será que enfim chegou a hora de ser quem eu gostaria de ser? Hoje, percebo que tudo saiu mais ou menos como planejado. Se esta fase fosse um supermercado, eu já poderia passar no caixa. Porque minha listinha já foi cumprida à risca. Pensava que houvesse, neste ponto, uma sensação reconfortante de realização. Como quando, depois das compras, você entra no carro, bate a porta e saca um iogurte das sacolinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem “ufa” nem “uau”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como ainda faltam algumas décadas para a aposentadoria, flagro-me especulando não sobre o futuro. Sobre o passado. “Ah, se pudesse ter oito anos outra vez...” Sim: eu, saudosista. Precisamente o mesmo cara que fazia contagem regressiva para o futuro chegar. Cá estou agora, sem saber o que fazer com um tempo presente defeituoso que acabei de tirar da embalagem. Consumidor-vítima da propaganda enganosa da própria fantasia. Ué, não era o pessimismo que fazia mal? Tudo o que eu queria era um pouquinho de vida, um instantezinho só, sem pressa nem saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só sei que a terceira série acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109564931855401527?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109564931855401527/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109564931855401527' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109564931855401527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109564931855401527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/faltou-o-momento-iogurte.html' title='Faltou o momento iogurte'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109564674775840737</id><published>2004-09-19T19:13:00.000-07:00</published><updated>2004-09-19T20:17:18.250-07:00</updated><title type='text'>Perdão, caro leitor</title><content type='html'>Acometida por uma violenta crise de preguiça, a jornalista Patrícia Pereira reservou-se o direito de não publicar (ou melhor: nem escrever) sua crônica da semana.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109564674775840737?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109564674775840737/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109564674775840737' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109564674775840737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109564674775840737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/perdo-caro-leitor.html' title='Perdão, caro leitor'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109505289398409509</id><published>2004-09-12T22:15:00.000-07:00</published><updated>2004-09-12T22:21:33.983-07:00</updated><title type='text'>Cativeiro</title><content type='html'>Hoje perdi 40 minutos no ponto de ônibus. Outros 30, no ônibus. E mais sete horas no trabalho. Computemos outra meia hora no trajeto de volta para casa. Era o maldito plantão de fim de semana. Mas não foi só o que perdi. Tenho perdido tempo toda vez que penso na escala de duas-semanas-não-uma-sim do plantão de finde. Porque, mesmo nas horas vagas, sofro por antecipação das de labuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora extra de ressentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer plantão no final de semana confunde o relógio psíquico. É como se eu vivesse oito segundas-feiras consecutivas, até finalmente chegar na terça-feira de uma semana genuína, dessas que culminam em fins de semana dos legais &amp;shy;– isto é, de folga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou aqui, às duas da manhã, tentando conceber algo pretensamente genial que não pareça pretensamente genial. Me perdoa, vai: não foi só tempo o que perdi. Gastei energia. Não é fácil sobreviver ao cativeiro de um calendário com oito segundas-feiras. E amanhã (ou hoje mais tarde) lá estarei eu, de volta ao trabalho. Reprisando a segunda-feira pela oitava vez, como se fosse a primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um pouquinho mais feliz. Por saber que, desta vez, a terça-feira vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109505289398409509?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109505289398409509/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109505289398409509' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109505289398409509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109505289398409509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/cativeiro.html' title='Cativeiro'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109470342467533846</id><published>2004-09-09T13:25:00.000-07:00</published><updated>2004-09-08T21:22:22.133-07:00</updated><title type='text'>Donos de mim</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Escrevi quatro nomes na tela. Cada um, a seu modo, manda um pouquinho em mim. São garotos que me fazem trair todos os meus princípios: com eles sou ciumenta, deixo meus projetos em segundo plano, me assusto com a possibilidade de perder e não tenho o menor domínio sobre o meu próprio tempo livre – faço qualquer coisa, só quero estar perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São tão diferentes. E ocupam espaços diferentes em minha vida. Um deles faz brotar lágrimas em meus olhos toda vez que penso quanto tempo vou ficar sem ver sua carinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro me fez entender minha mãe. Explico. Ela ganhava bombons e, em vez de comer, guardava para mim, que estava em casa. Ficava com pena - será que ela não tem vontade? A dúvida durou até o dia em que troquei a gelatina boa pela ruim sem o menor vacilo e me senti feliz por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles me jogou sorvete na cara, me lambuzou toda com uma casquinha de chocolate do McDonald’s. E nem assim consegui ficar brava. Sofri pensando quem mais me jogaria sorvete quando ficou longe um ano e 1.150 quilômetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adivinhar as vontades vira um passatempo. Criar pequenos rituais aproxima. Sempre me pego adaptando minha agenda à deles. E meus sonhos aos deles. Até de endereço já mudei, mais de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O difícil é conviver com o mundo. Amigos são poligâmicos por natureza: como saber se não divido os segredos com quem eles também dividem os segredos? E como não ficar mordida de ciúmes quando acho que não ocupo o mesmo espaço na vida deles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia me perguntaram se já amei alguém. Já, já sim. Sei exatamente o que é o amor. Mesmo sem nunca ter amado de verdade nenhum de meus namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109470342467533846?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109470342467533846/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109470342467533846' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109470342467533846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109470342467533846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/donos-de-mim.html' title='Donos de mim'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109444473758799316</id><published>2004-09-06T13:22:00.000-07:00</published><updated>2004-09-05T21:41:08.286-07:00</updated><title type='text'>Faça-me o derradeiro favor de não me fazer mais favores</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tenho pensado sobre gentilezas e as pessoas que as praticam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E separo (as pessoas e as gentilezas) em duas categorias, voluntárias e voluntariosas. Posso falar primeiro da primeira? Seja gentil: permita-me. Posso apreciá-la mesmo sem cogitar minha própria generosidade. Sim, porque esse tipo de doçura, a primeira, não exige recíproca. Gratidão? É facultativa – não importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe aquela amiga que lava a louça para você não se atrasar? Ou: quando está gripado e sua mãe lhe prepara uma canja. Ou ainda: quando ela lhe prepara canja só porque você tem vontade. Para o gentil voluntário, o que você deseja conta. E basta. Se seu namorado já gravou o episódio que você perdeu da série que você não perderia, sabe do que eu estou falando – daquela gentileza sem créditos cuja única expectativa é lhe fazer um pouquinho mais feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passemos para a gentileza voluntariosa. Hum, sobre ela é difícil falar. É a gentileza da mão que lava a outra. O favor quase mesquinho de quem veladamente (ou nem tanto) reclama compensação. Uma gentileza que exercita a vaidade do autor. E conta com reconhecimento, espera afagos e, prioritariamente, demanda contrapartida. De quem lhe empresta um casaco no outono a pretexto de abrir um precedente para, no inverno, exigir-lhe um cobertor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gentileza voluntariosa pretende estabelecer, para si, uma previdência interpessoal. Ajuda-se hoje para contar com, amanhã. É solidária por um instinto antecipatório de sobrevivência. Cuida do outro na expectativa de amparar a si. A gentileza voluntariosa &amp;shy;– honesta de uma maneira torpe e tão compreensível, por ser um viés da solidão – é frágil, inútil e triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque afeto não se cobra e é imune a qualquer precaução.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109444473758799316?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109444473758799316/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109444473758799316' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109444473758799316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109444473758799316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/faa-me-o-derradeiro-favor-de-no-me.html' title='Faça-me o derradeiro favor de não me fazer mais favores'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109418171776423053</id><published>2004-09-02T20:19:00.000-07:00</published><updated>2004-09-02T20:21:57.763-07:00</updated><title type='text'>A miopia de cada um</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Vou contar um segredo: é mentira que um dia a morte chega. Ah, esqueça também o parabéns e as velinhas - não dá para calcular os anos de vida. Ensinaram tudo errado. Concorda que estar morto é não conseguir mais perceber o mundo? E se você descobrisse que já não o percebe tanto assim no dia-a-dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver exige talento. Um cigarro aceso pode ser só um vício que passa despercebido, mas pode também ser uma cortina de fumaça a tapar o rosto e proteger as idéias que teimam em não sair. Viu a diferença? Quando li isso em um jornal, me senti em coma. Incapaz de extrair um décimo dos significados desse mundo que me cerca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada novo. Nada desconhecido. Nada que você não poderia ter percebido. Mas não percebemos na maioria das vezes. A gente acaba vivendo de migalhas, de frações do cotidiano. Se condensasse tudo, quantos anos de vida daria?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109418171776423053?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109418171776423053/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109418171776423053' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109418171776423053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109418171776423053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/09/miopia-de-cada-um.html' title='A miopia de cada um'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109384151567338081</id><published>2004-08-30T14:04:00.000-07:00</published><updated>2004-08-29T22:11:50.716-07:00</updated><title type='text'>Quase isso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre tive convicção de que me expresso melhor escrevendo. Não fosse norma vigente de boa conduta conversar pessoalmente sobre assuntos importantes, usaria o teclado toda vez que precisasse terminar uma relação, pedir demissão do emprego ou fazer uma grande revelação à família. Organizaria tópicos, construiria metáforas, desdobraria-me numa prodigiosa geografia de vírgulas, pontos e parágrafos. Tudo por escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza de que assim, protegido do semblante discordante do meu interlocutor, meus argumentos ficariam mais claros e elucidativos. A dissertação fluiria livre de interrupções da minha ansiedade ou dos interesses maculados de quem ouve. Ainda que pouco convincente (porque, muitas vezes, não tenho mesmo razão), minha tese seria mais nítida, inteligível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, não me importa que eventualmente desgostem de mim ou das minhas opiniões mais impertinentes. Mas me irrita a possibilidade de que porventura se sintam ofendidos, desrespeitados ou mesmo traídos ao me entenderem mal. Ou melhor (ou pior): quando me expresso mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso, mas não é bem isso. Digo que me prefiro escrito a falado, mas, também no clac-clac de dedos e teclas, percebo-me vez ou outra diante do desnível (ia dizer ‘abismo’ e soou como exagero...) entre o que desejo dizer e o que acabo expressando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo da faculdade, comecei a escrever meu primeiro romance. Desisti na página 30, por ‘falta de vocabulário’. Não podia lidar com a frustração de que o livro era infinitamente melhor na minha cabeça que no papel. Como no discurso oral, não consegui expressar exatamente o que pretendia. E lidar com a precariedade das palavras é encarar a própria impotência diante do mundo. Ah, nunca retomei o tal romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho percebido, contudo, que a dificuldade de textualizar pensamentos e emoções tende a diminuir com o tempo. Vai-se ficando mais sensível à sutileza das coisas e dos estados das coisas. Ou algo parecido com isso. Ainda assim, tudo o que falo e escrevo (segredo nosso, tá?) vira uma versão fosca, empobrecida e, às vezes, um tanto caricata do que era para ser dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas entendo (e um dia talvez aceite) que possivelmente nunca diga palavra por palavra do que desejo expressar e jamais me entendam rigorosamente como fora planejado. Porque a lapidação das idéias é, em si, íntima, subjetiva e fantasiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me assombra o mistério: aonde vão parar as palavras que vivo e não consigo verbalizar? Ou não ouso. Ou digo em frases truncadas. Ou falo por meio de construções lingüísticas tão desconexas que subvertem a pretensa honestidade do original. Aonde, ãh? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O que penso, falo e não consigo dizer se dissipa no discreto instante de silêncio em que eu e você nos tornamos incomunicáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109384151567338081?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109384151567338081/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109384151567338081' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109384151567338081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109384151567338081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/08/quase-isso.html' title='Quase isso'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109357479170557454</id><published>2004-08-26T19:44:00.000-07:00</published><updated>2004-08-26T19:49:41.643-07:00</updated><title type='text'>Por acaso, amigos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma veio morar comigo depois que colei um cartaz na faculdade. Outra estudava na minha sala desde a quinta série. Teve a amiga da vizinha de uma das que moravam lá em casa. Ah, e a da turma da faculdade que trouxe mais duas amigas de Petrópolis. Assim, meio orkut, com pequenos vínculos a nos unir, morei com 23 pessoas diferentes até hoje (família não conta) – e dividi quarto com sete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminou o curso Estado, queria mesmo que os 16 focas de fora da cidade montassem uma grande república. A idéia não deu certo, nem levaram muito a sério, na verdade. O que consegui foi sair na frente na hora de alugar o apartamento e “roubar” logo três de nossa sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é um trauma de infância essa vontade de estar sempre rodeada. Minha avó dizia que iria construir um prédio com cinco andares no terreno da casa dela. Em cada pavimento moraria a família de um de meus tios. Sonhava com esse dia, somos 15 primos! A obra, sem cimento, não passou de ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como nunca chegou o tal dia, sem perceber construí meu próprio condomínio dos sonhos. Morei com todos os meus melhores amigos. Dividi com eles os segredos, as novidades e as compras e as tarefas da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os primeiros se mudaram, fiz de tudo para que não fossem. É difícil abrir mão da convivência. Depois descobri que suportaria. Mais: fui me viciando em conhecer os que chegavam. Tem sempre um mesmo ritual. Primeiro o estranhamento, depois umas conversinhas sobre a vida e aí aquele ser desconhecido já entra no seu quarto sem a menor cerimônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São esses os seres que povoam minha vida. E que deixam um grande deserto nas incontáveis mudanças (de lugares e de pessoas). Se não posso reunir todos em uma mesma casa, que seja nessa pagininha aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ah, também já morei sozinha, por falta de opção. Quase morri de tédio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Patrícia Pereira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109357479170557454?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/109357479170557454/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=109357479170557454' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109357479170557454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109357479170557454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/08/por-acaso-amigos.html' title='Por acaso, amigos'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-109332659405343104</id><published>2004-08-23T22:47:00.000-07:00</published><updated>2004-08-25T16:05:17.810-07:00</updated><title type='text'>Lápis coloridos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Criança gosta de brincar de adulto. De ser mãe, pai, cozinheira, motorista, polícia, ladrão. E, claro, médico. Que é, entre estetoscópios e apalpadelas, brincar de ser homem e/ou mulher. Adulto, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, quando eu era criança, gostava mesmo de brincar de escritório. Meus primos e eu administrávamos grandes corporações, assinando papéis pautados com lápis coloridos. E nos organizávamos numa hierarquia etária, dos seis aos doze. Nesta ordem, do contínuo ao presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O legal de ser criança e brincar de adulto era imitar o semblante sério, determinado e um tanto indiferente de quem já cresceu. Quando eu tinha sete e não assimilava esse mundo doido, queria crescer logo para entender como tudo funcionava. E brincar de adulto era reforçar essa crença feliz de que o mundo faria sentido (e eu saberia sempre como me comportar) a partir dos dezoito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, li num livro didático de filosofia algo interessante sobre a forma infantil de perceber o mundo. A primeira vez que um bebê vê uma cadeira, um copo ou um objeto qualquer, é sempre um arrebatamento. Porque descobre cores, formas e texturas, todas novas. Tanto faz se é um disco voador ou um abajur – o ineditismo fascina, em essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma maçaneta pode ser um objeto vivamente instigante, se você tem dois anos e não sabe de onde ela veio, para que serve e por que brilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adulto (ou quase lá), noto que crescer não é uma evolução do existir, mas uma defesa contra a constatação fatal de que se envelhece sem entender. Aí, a gente aprende a dissimular segurança, pertencimento, coerência. Não se deslumbra mais com maçanetas e brinca-se de ser adulto com mais sofisticação e verossimilhança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disfarço meu estranhamento quando vejo pessoas caminharem apressadas pelas calçadas, munidas de pastas e celulares, absortas em irritações perecíveis. A pressa de chegar sugere uma compreensão quase crível do mundo. Como se todos soubessem aonde vão, no sentido filosófico do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil é dissimular meu estarrecimento quando me percebo entre eles, concentrado em minicertezas emprestadas, "competente", brincando de escritório ininterruptamente. Até ficar chato, muito chato brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-109332659405343104?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109332659405343104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/109332659405343104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2004/08/lpis-coloridos.html' title='Lápis coloridos'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
